domingo, 5 de maio de 2013

Eu sei que não posso esperar muito do meu blogue, uma vez que me tenho afastado imenso dele.. mas atendendo às circunstâncias em que vivemos: ora baixo, ora alto, ora assim assim, não tenho vontade de escrever seja o que for!

Falar dos nossos poetas, dos nossos escritores do passado em tempos que nos são adversos , torna-se ridículo. Daí que não consigo postar aqui seja o que for. A minha dor pelas circunstâncias é de tal forma imensa que me impede de falar...
Mas hoje, a Gaivota, deu-me asas. Asas de voar. Asas de aspirar a algo mais alto.

Mais uma vez vos peço desculpa por ter desaparecido, mas há coisas que nem a razão pode explicar que me mantiveram afastada. Quando a dor é demasiado, a mente e o corpo afastam-se... É este o caso.
Olá, malta

Atendendo às circunstâncias em que vivemos, penso que seja oportuno colocar aqui uma letra e canção de outros tempos. A malta da minha idade de certeza que se comove com a letra e música disto. Vá, força...


Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"Quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.
Somos um povo
que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Letra e música Ermelinda