domingo, 24 de fevereiro de 2013

Um país a empobrcer

Esta semana que passou fui até Lisboa e passei lá dois dias. Na quinta-feira, fui com uns amigos jantar a um bar no Cais do Sodré. Quando saímos do bar e nos dirigimos ao carro, para meu espanto, tristeza e angústia, deparei-me com um grupo de jovens, mais de 10 deitados no chão frio da rua, cobertos por uns cobertores finos, que se preparavam para dormir sob um toldo de um café. Fiquei deprimida.
Há mais de quinze anos que frequento aquele bar e nunca até àquele dia vi sem-abrigo naquele local. Aliás, nesse mesmo dia, passeei pela baixa de Lisboa e tive a sensação de que os sem-abrigo eram mais do que o costume. 
O que mais me chocou nessa noite foi o contraste: um bar cheio de gente, o ter gastado cerca de 15 euros pelo jantar e, na rua, contrastando, o ter visto jovens e menos jovens que têm por lar as estrelas, ou a chuva (estava a chover) e possivelmente nem tomaram nenhuma refeição quente.

O fosso entre os que podem gastar dinheiro e ainda têm uma casa e os que perderam tudo está cada vez mais profundo.
Mas que grande porcaria que os governantes estão a fazer! Há por aí um lunático visionário (só pode ser assim qualificado) que diz que para o ano Portugal vai ver um crescimento fantástico da economia! Só desejaria que ele dissesse quais são as cartas de tarot em que ele está a ler semelhante coisa! Porque também quero ler nessas cartas tal visão otimista, porquanto o que eu vejo é precisamente o contrário.

O desemprego sobe em flecha e neste momento devem estar desempregados mais de um milhão de portugueses, pretendem retirar o complemento solidário aos reformados, o que vai contribuir para aumentar a pobreza dos idosos, o subsídio de desemprego a diminuir, deixando famílias inteiras sem qualquer rendimento. 
Só posso concluir esta partilha fazendo um apelo a todos 
ACORDAI


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Escandaloso!

Isto é um escândalo!
Neste momento estão a fechar centenas e centenas de pequenas e médias empresas em Portugal e estes indivíduos que estão neste momento sentados na cadeira do poder avançam para a construção do TGV?
O Pedro já se esqueceu de que quando estava sentado na bancada se insurgiu contra o Zé, que estava do outro lado, defendendo afincadamente o não avanço desta construção, apelidando-a de megalómana, irreal?
O que se passa com estes «senhores»? Ou o Pedro pensa que os portugueses têm uma memória de passarinho tão pequenina que já nos esquecemos do que ele disse? Ou o Pedro pensa que pode fazer tudo quanto lhe apetece que os portugueses aceitam cordatamente todas as decisões vindas do governo, porque se acha com legitimidade para as tomar? 
Meus caros amigos, temos de fazer alguma coisa para parar com toda esta pouca vergonha porque já chega de sermos tratados como subprodutos.

Peço desculpa, mas há coisas que são muito difíceis de engolir e eu já estou farta destes tipos que fazem e desfazem sem pensarem nas pessoas, porque um país é feito de pessoas reais, de carne e osso e estes fulaninos estão a fazer de nós gato-sapato sem qualquer consideração ou respeito. Sinto que «eles» estão a dançar sobre o nosso túmulo! De palavra de honra, que temos de fazer alguma coisa para acabar com esta pouca vergonha!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Estes são os dois livros em que me vou basear no estudo da Primeira Guerra Mundial. Na minha opinião são dois livros extraordinários que relatam ao pormenor todo o conflito, desde a sua origem até ao seu terminus.

Comecemos então a estudar as causas que deram origem ao fenómeno.
Entre os finais do século XIX e os princípios do século XX as distâncias encurtaram e o mundo estreitou-se, o que implicou a intensificação das trocas comerciais. Às autoridades reconhecidas e declaradas como eram o rei, o padre, a lei, a família, o patrão, o oficial, juntou-se outras anónimas, sem rosto, incontroláveis: os responsáveis pelas descidas dos produtos agrícolas na Europa, dando origem à ruína dos campos e à consequente miséria dos agricultores, os que provocam  graves crises económicas, os responsáveis pelo fazer ou desfazer de modas ou opiniões. Uma turba multa sem rosto, sem nome, totais desconhecidos que provocam a ruína de milhões de pessoas, enfim, os sucedâneos dos atuais «mercados».

Ora, nesta era em contínua transformação, desapareceram atividades milenares, novas profissões nascem e outras morrem. Umas empresas fecham e novas abrem. O mesmo acontece aos centros urbanos em que grande número desaparece crescendo outros. Tudo em nome do progresso, da lei ou da liberdade.
Em paralelo cresce também o número de funcionários. Na Alemanha de 1870 havia um funcionário para cada 825 habitantes; em 1905 passou a existir um para cada 216 habitantes. O mesmo fenómeno estendeu-se à Rússia, em que o número não parou de crescer. Nas vésperas da guerra, em França, um em cada 11 eleitores é funcionário. Enquanto que estes funcionários têm o seu futuro assegurado pelas suas reformas, outros não têm, são as chamadas massas, insatisfeitas, com o futuro incerto, em fuga dos campos que já não lhes garantem o sustento por causa da queda dos preços dos produtos agrícolas, invadem os grandes centros urbanos orbitando em seu redor em busca de melhores condições de vida.
A emigração faz-se sentir aos milhões. Russos, ingleses, alemães, escandinavos, eslavos, italianos abandonam os seus países e atravessam o Atlântico em direção à América.

Entre 1840 e 1914 é na Rússia que se faz sentir e temer mais a possibilidade de uma agitação social violenta, provocada pelo atraso económico do país que se traduz, no plano social, pela fraqueza da classe média. Enquanto que na Grã-Bretanha, na França e na Alemanha os movimentos sociais atenuam-se, o desemprego suaviza-se e a segurança de todos parece garantida.
Na França, entre 1900 e 1914, o salário real da maioria dos operários quase duplica e baixa o número dos que recorrem às casas de penhores. Graças à difusão da imprensa, ao desenvolvimento escolar, à alimentação variada, à aquisição de bicicletas e louças variadas criaram-se novas necessidades materiais. Com o aumento dos salários e a consequente melhoria das condições de vida subir na escala social torna-se um direito imprescindível, o que conduz a uma vivência mais interessante, mais rica. Igual fenómeno acontece em Londres e na Alemanha.
Uma americana, Caroline E. Playne, que residia em Londres na altura registou o seguinte: «As dificuldades e os constrangimentos da vida produziram uma geração muito ambiciosa. As pessoas não têm paciência para esperar que as nossas condições de existência lhes deem uma boa situação. E a guerra, a guerra eclodirá, libertá-las-á desta dificuldade. Sem o saberem estes homens tinham substituído o hino à vida ou à revolução por um grande rancor.»

Pacifismo e internacionalismo confundem-se com o individualismo e o patriotismo. Um acontecimento extraordinário que só a natureza desta guerra explica: era considerada por todos uma guerra de defesa patriótica, logo uma guerra justa e uma guerra inelutável. E deste modo a Europa caminha a passos largos para o seu primeiro conflito bélico do século XX.

Até ao próximo estudo, sim?

Para o ano, 2014, faz cem anos que a Europa assistiu a um conflito bélico que até aí não havia memória: a Primeira Guerra Mundial, um conflito bélico que decorreu de 1914 a 1918 que ceifou mais de nove milhões de soldados de Infantaria, Marinha e Força Aérea. Calcula-se que mais de cinco milhões de civis morreram em consequência da ocupação, bombardeamentos, fome e doenças.

Ao longo do ano corrente irei aqui colocar alguns textos elucidativos que deram origem ao conflito. 
Como estamos em 2013 irei iniciar esta conversa convosco a partir de 1913 podendo, sempre que for necessário, recuar mais um pouco no tempo, para podermos entender melhor este grande conflito que teve início no coração da Europa e depois se estendeu ao resto do mundo.

Chamar-lhe-ei o «Prelúdio da Guerra».

É evidente que a Internet está cheia de explicações, textos sobre este tremendo conflito e, para todos os que estão interessados em melhorar os seus conhecimentos, poderão recorrer a eles. Contudo, eu penso no meu público restrito e fiel, que me tem acompanhado desde o início desta aventura pela blogosfera e penso que sendo eu a escrever, o assunto terá mais sabor e será devidamente lido; e é a pensar em vós que eu me aventuro por estas águas lodosas que um conflito armado desta envergadura sempre provoca, chegando mesmo a ser nauseante pensar que tudo apenas começou pela conquista de um pedaço de terra!
Milhões e milhões de homens pereceram nos campos de batalha e nas trincheiras que anteriormente juravam «guerra à guerra», que aquela iria ser a «mãe de todas as guerras» e depois dela «o mundo nunca mais viria uma nova guerra»!

No início do conflito, logo em 1914, eram muitos os que acreditavam que no Natal tudo estaria resolvido e terminado; a guerra seria curta e ambos os lados, alemães e aliados, seriam os vencedores. Como se fosse possível que numa guerra houvesse vencedores. Todos os intervenientes num conflito bélico são perdedores, quer seja perda de vidas, expoente máximo, quer seja perda de batalhas e da guerra, propriamente dita. Nisto nunca ninguém sai vencedor, apesar do lado ganhador festejar sempre a vitória.

Neste conflito que iremos estudar houve vozes que concordavam com a guerra e outras que discordavam, como é habitual em situações idênticas. Todavia, neste caso específico, as vozes contra o conflito eram mais do que as que estavam a favor, então como é que as primeiras se viram de repente sem capacidade para o fazer?

Parto para este grande desafio, porque é efetivamente grande e trabalhoso, com a convicção de que ele nos vai ajudar a compreender melhor a história da Europa. E, porque não, mutatis mutandis, ajudar-nos a melhor entender a época atual.

Arregaço as mangas e deito mão à tarefa, esperando que seja do vosso agrado, apesar do tema não ser bonito, mas é real, aconteceu e Portugal esteve nesta guerra. Foram muitos os soldados portugueses que morreram em terras de França. 

Até breve vou agora preparar o próximo texto.
Vá, já chega de vos «massacrar» com o tema livros. Agora chegou a vez de vos «massacrar» com as particularidades da língua portuguesa escrita e falada.

O Facebook é uma rede social que mostra bem o quanto as pessoas escrevem mal, com erros ortográficos (e não estou a referir-me ao acordo ortográfico, bem pelo contrário ele veio até reduzir os erros). Para mim, tão sensível à ortografia, dá-me dores na alma quando leio o que os outros escrevem! A cada palavra escrita, é erro garantido. É claro que este reparo nada tem e nem pretende ser insultuoso, pelo contrário. É apenas um reparo e uma constatação de que não sei bem o que os responsáveis pela disciplina de língua portuguesa andam a fazer.

Nos meus tempos de escola primária, e não só, era-nos pedido que fizéssemos todos os dias uma cópia. Mas uma cópia de um texto grande e não de duas ou três linhas. Está cientificamente provado que a nossa memória visual é excelente e ao fazermos cópias, o nosso cérebro lentamente e sem grande esforço vai memorizando as palavras e a forma como elas se escrevem. A somar à cópia, havia o ditado. Outra forma de treino de escrita sem erros. Claro que não aprovo as sanções que nos eram impostas caso déssemos cinco erros... eu cheguei a levar duas palmatórias porque dei num ditado cinco erros! Mas com sanções à parte, porque não há agora o incentivo do passado nas cópias e ditados? Eram tarefas para serem feitas na escola mas levávamos também como trabalho de casa.

Posto isto, que é apenas um aparte, vou hoje falar de uma particularidade da língua portuguesa em relação às cores.

Dou como exemplo o azul-escuro.

Azul-escuro é uma palavra composta, logo entra no grupo das chamadas cores compostas, ou seja, os elementos das cores ligam-se sempre por hífen..
Neste caso particular que estamos a estudar, o azul-escuro pode assumir duas funções: substantiva ou adjetiva, e varia conforme a função que estiver a assumir.
Assim, se estivermos perante a função substantiva, isto é, se a palavra estiver na posição de substantivo, tipo: "O azul-escuro é muito bonito e elegante" faz o plural assim: "Os azuis-escuros são muito bonitos e elegantes". E quando está na função de substantivo usa-se sempre no masculino do singular ou plural. 
Exemplos: o amarelo-claro, os amarelos-claros; o azul-claro, os azuis-claros, etc.

Porém se a nossa amiga cor composta estiver a exercer a função de adjetivo, o caso muda de figura!
Exemplo no singular: 1. "O casaco azul-escuro da Maria Luísa é lindíssimo." Mas se estivermos perante uma frase no plural: 2. "Os sofás azul-escuros da Maria Luísa são lindíssimos." 

Conseguem aperceber-se das diferenças? E porquê estas diferenças? Porque o segundo elemento é também um adjetivo (escuro) e por isso concorda em género e número com o substantivo (no caso em estudo em 1 temos um substantivo no singular e no caso 2 no plural, ambos são substantivos masculinos).

E se estivermos perante substantivos femininos? De que forma se grafam as cores compostas?

Pois bem, grafam-se sempre em concordância com o chefe que é o substantivo quem manda. Assim, 3. "A saia azul-escura da Maria Luísa é lindíssima"; substantivo feminino do singular.
4. "As botas azul-escuras da Maria Luísa são lindíssimas", substantivo feminino do plural.

Resta por fim acrescentar que esta regra se estende a todas as cores compostas: amarelo-vivo; azul-claro. verde-escuro, etc.


Mais uma particularidade da língua. Até à próxima!

Há quanto tempo não...?

Hoje estou voltada para os livros! E gostaria de vos fazer as seguintes perguntas:
Há quanto tempo não entram numa livraria e não sentem entre as vossas mãos um livro? Há quanto tempo não desfolham as páginas de um livro? Há quanto tempo não pegam num livro, não se sentam no sofá mais cómodo da sala e não saboreiam uns momentos de intimidade entre vós e um livro?

Se a vossa resposta for «Há muito tempo!», a minha será: «De que estão à espera para se dirigirem rapidamente a uma livraria, ou à Internet, vasculharem as prateleiras, ou navegarem nas páginas das editoras online, e levarem um amigo convosco?»

E não se desculpem com o preço porque neste momento na Internet há centenas de livros a 2,50 euros! A sério, não estou a brincar.


O que um livro pode fazer por nós. Desperta os nossos cinco sentidos: o do tato, quando o temos na mão e o sentimos; o do olfato no momento em que o cheiro do papel chega às nossas narinas; o da visão, porque o olhamos; o da audição, porque ouvimos o que ele tem para nos dizer e quais são os segredos que iremos desvendar; e por fim o do paladar, quando saboreamos, tal como um vinho de alta qualidade ou refeição gourmet ou cozinha de autor, as palavras, as frases, os diálogos.
É esta combinação de nós com o livro que é tão fascinante e tão apaixonante. Uma vida sem livros e sem leitura é tão sensaborona como um jardim sem flores, sem o chilrear de pássaros. Quem passa pela vida sem a companhia quotidiana de um livro, passa sem a viver; desconhece as maravilhas que um livro, um pequeno objeto que transportamos de um lado para o outro facilmente, que quando o abrimos e começamos a olhar as páginas e a ler, somos imediatamente transportados para mundos distantes, entramos e descobrimos figuras iguais a nós, umas, outras diametralmente opostas. Um livro permite a evasão das nossas angústias diárias, das nossas tristezas e, porque não, também, das nossas alegrias. Pegamos num livro de acordo com a nossa disposição do momento. É por isto que eu leio vários livros ao mesmo tempo: ora pego num ou noutro de acordo com a minha disposição de momento. Mas o que eu gosto mais é de revisitar livros já lidos. Voltar a casa de personagens minhas amigas, voltar a sentar-me nos seus sofás, voltar a tomar chá com elas, partilhar os seus desgostos, as suas alegrias. Ouvi-las novamente a falar comigo. Que ninguém diga que ler é um ato solitário, porque me recuso a aceitar tal opinião.
«Estava claro o céu, tépido o ar, e as bouças e montados floridos. O mês era de dezembro, de 1863, em véspera de Natal.
A gente das cidades pergunta-me em que país do mundo florescem, em dezembro, bouças e montados.
Respondo que é em Portugal, no perpétuo jardim do mundo, no Minho, onde os inventores de deuses teriam ideado as suas teogonias, se não existisse a Grécia. No Minho, ao menos, se buscariam águas límpidas para Castálias e Hipocrenes. No Minho, a Citera para a máe dos amores. Nos arvoredos desta região de sonhos, de poemas, e rumores de conversas de espíritos, é que os sátiros, as dríades, e os silvanos sairíam a cardumes dos troncos e regatos: que tudo aqui parece estar dizendo que a natureza tem segredos defesos ao vulgo, e como a entreabrirem-se à fantasia dos poetas.
Mas que flores... quer o leitor saber que flores vestem os calvos e denegridos serros do Minho, em Portugal. São flores a festões, cachos de corolas amarelas, viçosas, e aveludadas como as dos arbustos cultivados em jardins: é a florescência dos tojais, plantas repulsivas por seus espinhos, alegres de sua perpétua verdura, únicas a enfeitarem a terra quando a restante natureza vegetal amarelece, definha e morre. E desse privilégio como que o agreste arbusto se está gozando soberbamente; pois vos amostra as suas pinhas de flores, e com os inflexíveis espinhos vos defende o despojá-lo delas.» Amor de Salvação, Camilo Castelo Branco