Vá, já chega de vos «massacrar» com o tema livros. Agora chegou a vez de vos «massacrar» com as particularidades da língua portuguesa escrita e falada.
O Facebook é uma rede social que mostra bem o quanto as pessoas escrevem mal, com erros ortográficos (e não estou a referir-me ao acordo ortográfico, bem pelo contrário ele veio até reduzir os erros). Para mim, tão sensível à ortografia, dá-me dores na alma quando leio o que os outros escrevem! A cada palavra escrita, é erro garantido. É claro que este reparo nada tem e nem pretende ser insultuoso, pelo contrário. É apenas um reparo e uma constatação de que não sei bem o que os responsáveis pela disciplina de língua portuguesa andam a fazer.
Nos meus tempos de escola primária, e não só, era-nos pedido que fizéssemos todos os dias uma cópia. Mas uma cópia de um texto grande e não de duas ou três linhas. Está cientificamente provado que a nossa memória visual é excelente e ao fazermos cópias, o nosso cérebro lentamente e sem grande esforço vai memorizando as palavras e a forma como elas se escrevem. A somar à cópia, havia o ditado. Outra forma de treino de escrita sem erros. Claro que não aprovo as sanções que nos eram impostas caso déssemos cinco erros... eu cheguei a levar duas palmatórias porque dei num ditado cinco erros! Mas com sanções à parte, porque não há agora o incentivo do passado nas cópias e ditados? Eram tarefas para serem feitas na escola mas levávamos também como trabalho de casa.
Posto isto, que é apenas um aparte, vou hoje falar de uma particularidade da língua portuguesa em relação às cores.
Dou como exemplo o azul-escuro.
Azul-escuro é uma palavra composta, logo entra no grupo das chamadas cores compostas, ou seja, os elementos das cores ligam-se sempre por hífen..
Neste caso particular que estamos a estudar, o azul-escuro pode assumir duas funções: substantiva ou adjetiva, e varia conforme a função que estiver a assumir.
Assim, se estivermos perante a função substantiva, isto é, se a palavra estiver na posição de substantivo, tipo: "O azul-escuro é muito bonito e elegante" faz o plural assim: "Os azuis-escuros são muito bonitos e elegantes". E quando está na função de substantivo usa-se sempre no masculino do singular ou plural.
Exemplos: o amarelo-claro, os amarelos-claros; o azul-claro, os azuis-claros, etc.
Porém se a nossa amiga cor composta estiver a exercer a função de adjetivo, o caso muda de figura!
Exemplo no singular: 1. "O casaco azul-escuro da Maria Luísa é lindíssimo." Mas se estivermos perante uma frase no plural: 2. "Os sofás azul-escuros da Maria Luísa são lindíssimos."
Conseguem aperceber-se das diferenças? E porquê estas diferenças? Porque o segundo elemento é também um adjetivo (escuro) e por isso concorda em género e número com o substantivo (no caso em estudo em 1 temos um substantivo no singular e no caso 2 no plural, ambos são substantivos masculinos).
E se estivermos perante substantivos femininos? De que forma se grafam as cores compostas?
Pois bem, grafam-se sempre em concordância com o chefe que é o substantivo quem manda. Assim, 3. "A saia azul-escura da Maria Luísa é lindíssima"; substantivo feminino do singular.
4. "As botas azul-escuras da Maria Luísa são lindíssimas", substantivo feminino do plural.
Resta por fim acrescentar que esta regra se estende a todas as cores compostas: amarelo-vivo; azul-claro. verde-escuro, etc.
Mais uma particularidade da língua. Até à próxima!
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