Na sexta-feira tive a certeza de que sou duplamente licenciada: isto é, tenho duas licenciaturas: Uma em engenharia de minas e outra em estudos portugueses. A última foi engenharia de minas, apesar de ter sido a primeira! Baralhados? Pois...
O meu percurso académico é sui generis (único no seu género). Comecei a estudar no curso de engenharia civil, não gostei e mudei de curso para Minas, por influência de Zola, e de Aquilino Ribeiro, essencialmente. Não me senti peixe na água, pelo contrário, senti-me fora do contexto. Abandono o curso de Minas definitivamente (já em pleno 4.º ano). Opto pelos estudos portugueses. Aí vou reencontrar os nossos antepassados escritores: D. Dinis, D. Sancho, Bernardim Ribeiro, Camões, Eça, Pessoa, Virgílio, Catulo, etc. Tantos amados. Houve um encontro entre duas especialidades díspares: estabeleci pontes entre elas. Fiz o latim, graças às minhas competências matemáticas, o mesmo aconteceu com a fonética, fonologia e morfologia. Bebi na mesma fonte da lógica.
Após quase quinze anos dedicados totalmente às letras portuguesas, decido saber que proveitos me traria Bolonha o meu percurso académico na faculdade, após árduo trabalho. Pois consegui um reconhecimento das disciplinas que fiz ao longo de 1986 até 1993/94.
Posto isto, sou duplamente licenciada. Quais os proventos que tal me traz? Pois, nenhuns, continuo igual ao que sempre fui. Olhando para a situação atual até poderia multiplicar as minhas licenciaturas: tudo iria embater na atualidade: DESEMPREGO.
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