segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Máximas e reflexões

«Viver na Ideia significa lidar com o impossível como se fosse possível. Passa-se o mesmo com o caráter. Se ambos se encontram, produzem-se acontecimentos tais que o mundo precisa de vários séculos para se recompor do espanto.» Johann Wolfgang von Goethe, Máximas e reflexões

«Nada é mais repugnante que a maioria. Porque a maioria é constituída por uns quantos precursores dotados de grande força, por tratantes que se acomodam, por fracos que se vão assimilando e pela massa que se deixa arrastar sem saber minimamente o que quer.» Johann Wolfgang von Goethe, idem

«Emendar é coisa que os alemães sabem fazer. Ajudar, não sabem o que seja.» Johann Wolfgang von Goethe, idem


«Eu sou a concha das praias
Que anda batida da onda
E, de vaga em outra vaga,
Não tem aonde se esconda.
Mas se um menino, da areia
A colher e a for guardar
No seio... ali adormece
E é ali seu descansar.
Pois sou a concha da praia
Que anda batida da onda...
Sê tu esse seio infante,
Aonde a triste se esconda!

Eu sou quem vaga perdido,
Sob o sol, com passo incerto,
Contando por suas dores
As areias do deserto.

Mas se um palmar, no horizonte,
Se vê, súbito surgir,
Tem ali a tenda e a fonte
E é ali o seu dormir.
Pois sou quem vaga perdido,
Sob o sol, com passo incerto...
Sê tu sombra de palmeira,
Sê-me tenda do deserto!

Eu sou o peito sequioso
E o viúvo coração,
Que em vão chama, em vão procura
Outro peito, seu irmão.
Mas se avista, um dia, a alma
Por quem andou a chamar,
Tem ali ninho e ventura
E é ali o seu amar.
Pois sou quem anda chorando
À procura dum irmão...
Sê tu a alma que me fale,
Inda uma hora ao coração!»

Antero de Quental, Primaveras românticas

Momento de poesia

«A M.C.

No Céu, se existe um céu para quem chora,
Céu para as mágoas de quem sofre tanto...
Se é lá do amor o foco, puro e santo,
Chama que brilha, mas que não devora...

No Céu, se uma alma nesse espaço mora,
Que a prece escuta e enxuga o nosso pranto...
Se há pai, que estenda sobre nós o manto
Do amor piedoso... que não sinto agora...

No Céu, ó virgem! findarão meus males:
Hei de lá renascer, eu que pareço
Aqui ter só nascido para dores.

Ali, ó lírio dos celestes vales!
Tendo seu fim, terão seu começo,
Para não mais findar nossos amores.»

Antero de Quental, Sonetos

Momento de poesia

«Recreios campestres na companhia de Marília

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores!

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha para,
Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.»

Bocage, Antologia poética

Evangelho do dia

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Ninguém acende uma lâmpada para a cobrir com uma vasilha ou a colocar debaixo da cama, mas coloca-a num candelabro, para que os que entram vejam a luz. Não há nada oculto que não se torne manifesto, nem secreto que não seja conhecido à luz do dia. Portanto, tende cuidado com a maneira como ouvis. Pois àquele que tem dar-se-á; mas àquele que não tem, até o que julga ter lhe é tirado.» (Lc 8,16-18) da Bíblia dos Capuchinhos

Evidentemente que este ter ou não ter não se refere aos bens materiais mas sim aos bens espirituais. O que tem significa o que está aberto a Deus e escuta a sua Palavra, logo recebe mais; o que não tem é o que se fecha a Deus, o que rejeita a Sua oferta, por isso perde até o pouco que tem.
Cada um de nós tem o seu historial da luz, a nossa própria luz pessoal que é a fé em Jesus e «quem já tem um tesouro de fé e de amor, de boa vontade e de força para a atuação da vida cristã, receberá dons ainda maiores escutando a palavra de Deus como é devido. Quem, pelo contrário, está privado de tudo isto, verá inclusivamente desaparecer a fé acolhida por ele só externamente, e acabará por ficar absolutamente de mãos vazias» (in R. Schnackenburg).

domingo, 23 de setembro de 2012

Um minuto de sabedoria

Não devemos deixar que a rotina acabe com a nossa vida. Devemos executar qualquer tarefa com alento e carinho, por mais custosa e aborrecida e inútil (como o passar a ferro, por exemplo...) que ela seja. Isto trar-nos-á alegria e boa disposição. A rotina cansa e enfada, provoca tristeza e desânimo; destrói o nosso entusiasmo e nossa boa disposição. Renovando a cada manhã a nossa alegria e a perspetiva de um novo dia, mesmo sabendo que poderá ser difícil, tudo acabará por correr bem.
Faz hoje oito dias que eu não estava aqui. Estava a duas centenas de quilómetros e ansiava-se por um dia fantástico passado com pessoas unidas por laços familiares.
E foi efetivamente um dia muito bem passado, um dia feliz, pelo menos para mim.
Independentemente da crise por que todos estamos a passar foi um dia repleto de abundância: boa comida e farta, muitos sorrisos e grandes gargalhadas! Espero ansiosamente pelo próximo encontro e que seja tão bom como este foi.

Evangelho do dia

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l'O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará.» Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?» Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e servo de todos.» E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber não Me recebe a mim, mas Àquele que Me enviou.» (Mc 9,30-37) da Bíblia Sagrada dos Capuchinhos.

Jesus disse aos seus discípulos que iria morrer, mas que ressuscitaria três dias depois. Ora os discípulos ao invés de meditarem e falarem entre eles sobre isto, começaram logo a discutir sobre qual deles haveria de ser o primeiro, o maior... E Jesus disse-lhes que o primeiro tem de ser o último de todos e exemplificou com uma criança. Por isso devemos ser simples, ter um espírito simples, tal como o espírito de uma criança. Ouvir os outros e aceitá-los como eles são. Sorrir quando sorriem. Chorar quando choram. Não se deve censurar, criticar antes de ouvir o que os outros têm para dizer. Quantas vezes por de trás de um rosto sorridente se escondem tantas lágrimas de amargura...

sábado, 22 de setembro de 2012

Casas caiadas

«Por entre casas caiadas
de luar e de silêncio,
paira no meio da estrada
a poeira de outros tempos...

Por entre casas caiadas,
mas com desgraça por dentro
(ó varandas enfeitadas
com trepadeiras de vento!),

algumas desmanteladas,
de apodrecidas empenas
(todavia nos telhados
antenas e cataventos...),

por entre casas caiadas,
por entre casas (Silêncio,
que ronda o medo na estrada
em automóveis cinzentos!)

há jorros de luz salgada,
há torrentes de veneno...

E dentro daquelas casas
quando foi que morremos?»

David Mourão-Ferreira, Obra Poética
«Onde pus a esperança, as rosas
Murcharam logo.
Na casa, onde fui habitar,
O jardim, que eu amei por ser
Ali o melhor lugar,
E por quem essa casa amei --
Decerto o achei,
E, quando o tive, sem razão pr'a o ter.

Onde pus a feição, secou
A fonte logo.
Da floresta, que fui buscar
Por essa fonte ali tecer
Seu canto de rezar --
Quando na sombra penetrei,
Só o lugar achei
Da fonte seca, inútil de se ter.

Pr'a quê, pois, afeição, 'sperança
Se tê-las sabe a não as ter?
Que as uso, a causa pr'a as usar,
Se tê-las sabe a não as ter?
Crer ou amar --
Até à raiz, do peito onde alberguei
Tais sonhos e os gozei,
O vento arranque e leve onde quiser
E eu os não possa achar!»

Fernando Pessoa, Poesias

Loucura

«Afinal, quem é que tem a pretensão de não ser louca?... Loucos somos todos, e livre-me Deus dos verdadeiros ajuizados, que esses são piores do que o diabo!»

Florbela Espanca, Correspondência

Momento de poesia

A uma rapariga

«Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com as tuas mãos preciosas de menina.

Nessa estrada da vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!

Trata por tu a amis longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!

Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste duma flor!...»

Florbela Espanca, Charneca em Flor, Sonetos

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Momento de poesia

«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.»

Luís de Camões, Sonetos, Círculo de Leitores

sábado, 15 de setembro de 2012

Momento de poesia

Écloga em tempo de guerra

(...)
«Sob céus de primavera,
por entre olivais de prata,
seguimos... e quem nos dera
que a nossa febre esquecera
quem de nós nos arrebata!
Não são 'stranhos que tememos.
Bem sabemos
quem nos mata.

Que destino tão errado,
o que haviam de me impor!
Pastor a soldo forçado
de um gado que não é gado,
nem precisa de pastor!
E vamos!, vidas marcadas
p'las espadas
do terror.

(...)
Se o dia há de ser de luta,
que a noite não tenha fim!
Ao menos, quem quer desfruta
a placidez impoluta
de um primitivo jardim.
E se mais nos não concedem,
se é esse o preço que pedem,
seja assim!»
David Mourão-Ferreira, Obra poética, Editorial Presença, 1988.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mais uns desabafos...

É curioso como vivemos quase como um momento único: empresários e trabalhadores, inquilinos e senhorios unidos contra as decisões de um governo, porquanto, ao longo da história, sempre uns e outros andaram de candeias às avessas!
Os trabalhadores e empresários estão unidos contra a subida dos primeiros e a descida dos segundos da TSU. E esta união contra esta medida, penso eu, assenta no seguinte: numa empresa pequena, empregados e patrões, neste momento, vivem momentos angustiantes. Não conseguem vender os seus produtos. Ambas as entidades se juntam, unem esforços para a manutenção dos seus postos de trabalho e fazem-se sacrifícios para que a empresa não afunde. Porém, se avançar aquela medida, os trabalhadores vão ver o seu salário ser reduzido 7% em favor do seu empregador. E o empregador pode perder a solidariedade, a compreensão e , porque não até, a amizade dos seus trabalhadores, porque se cria um mal-estar incómodo e desagradável entre funcionário e patrão.

Nos tempos que correm é ótimo um senhorio ter um inquilino que lhe pague a renda em tempo e todos os meses. Com o aumento da renda, numa situação de salários em atraso, dificuldades de toda a ordem, qualquer subida no valor a pagar da renda torna-se problemático.

Tal momento de união entre todos os cidadãos dá que pensar e, na minha opinião, estamos a viver um momento extrordinário! E o governo, na minha opinião, devia estar atento e ver que algo de muito estranho e singular está a acontecer; e deveria interrogar-se sobre o caminho que teima em seguir.
As pessoas não são animais de laboratório, nem se deve pegar nelas e transformá-las em fórmulas matemáticas longas e enfadonhas que raramente apresentam soluções para além do papel, porque a vida é feita de múltiplas variáveis que muitas vezes, em ambientes protegidos de laboratório dão excelentes resultados, mas quando as pomos em prática ao ar livre tomam dimensões que não pudemos controlar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Desabafos...

Na passada sexta-feira após a comunicação ao país do PM fiquei em choque. E neste estado me mantive até terça-feira, dia em que o ministro das Finanças (MF) falou, em que fiquei em estado de choque.
Penso que o governo está declaradamente em guerra com os portugueses. Olhando para a história, não me recordo de semelhante.

Não sei nada de economia, nem percebo patavina de finanças, mas tenho lido muitos livros sobre esta matéria. Os cortes de salários apenam empobrecem. Empobrecem as pessoas e consequentemente empobrecem um país. Bem sei que desde que Portugal entrou no euro, os desmandos foram muitos. Houve muita gente que pensou e acreditou que só por isto nunca mais haveria problemas e começou-se a gastar e a fazer despesas sem controlo. A dívida dos portugueses, das empresas, do estado disparou. Até aqui tudo bem. Sei que a única forma de controlar a dívida é cortar nas despesas.

O governo escudando-se no memorando da troika defende o aumento de 7% de todos os trabalhadores no imposto a ser pago à Segurança Social, baixando assim o valor a pagar pelas empresas, justificando que tal medida vai impulsionar a economia, gerar mais emprego, porque as empresas passam a ter mais dinheiro para poderem contratar.
Se isto não fosse tão triste, daria uma boa comédia. Como é que é possível? As pessoas vão ver os seus rendimentos do trabalho diminuírem, logo não podem consumir, não podem gastar. As empresas, apesar de ganharem uns trocos com o abaixamento da TSU, não vão contratar mais funcionários, porque vão ter dificuldades em manter os que já têm, uma vez que não conseguem escoar os seus produtos. Isto é um presente envenenado às nossas empresas oferecido numa bandeja de prata pelas mãos do PM e MF.

Mais: se este ano apesar das duras medidas já impostas: corte dos subsídios, corte dos salários, aumento do IVA, Portugal ultrapassou a meta do défice imposta para este ano, e o MF já avisou que para lá chegar vai ter de haver medidas extraordinárias, como é que para o ano a meta se vai situar nos 4,5%? E em 2014 2,5%??????
Para 2013 o que está previsto é o aumento do imposto para a Segurança Social para todos os trabalhadores, aumento do IRC para as empresas, aumento do IRS para todos os particulares, cortes nos subsídios para os reformados e baixa da sua pensão... Como é que com todas estas medidas ainda vamos ter tecido empresarial? Se neste último ano foram centenas e centenas de pequenas e médias empresas que encerraram as suas portas, no ano que vem vão fechar as que ainda existem. Infelizmente é esta a minha convicção. O desemprego que agora dizem que se situa nos 16% e, na minha opinião é um número não real, porque é mais elevado, vai disparar para valores nunca vistos. Neste cenário negro, Portugal tem de atingir a meta do défice dos 4,5% e no ano seguinte 2,5%? Como? Sem empresas, sem economia, com milhões de desempregados...

Hoje o Público publica uma entrevista com o diretor do FMI. Diz ele que a medida do governo em mexer na TSU não é uma imposição da troika. E o abaixamento dos salários não é uma boa medida... Em que é que ficamos?

É curioso como Portugal move-se sempre em contraciclo em relação à Europa! Quando a Europa andava num desvario em busca de soluções, nós andávamos aqui como uns bons alunos, a portámo-nos muito bem. Finalmente, a Europa parece que encontra uma solução que faz respirar de alívio os países em dificuldades, que leva ao abaixamento das taxas de juros, andamos nós num desvario...
Os nossos «ilustres» governantes sempre nos disseram que tínhamos que nos desmarcar da Grécia! Afinal o que é que aconteceu à Grécia? Tem grande parte da sua dívida perdoada, não respeita qualquer ponto imposto pela troika, já pediu mais dinheiro, e este foi-lhe concedido, já pediu mais tempo e foi atendida. Muito se falou sobre a possibilidade de sair do euro. Coisa que até agora ainda não aconteceu. Afinal nada de mal aconteceu à Grécia... Pelo contrário!

Estes nossos «ilustres e doutos» governantes querem ir para além da troika. Mas, lamentavelmente, só vão para além dela apenas nos cortes, nos roubos ao mexilhão. Alguém já viu as outras medidas que constam do memorando postas em prática? Onde está a diminuição do número de câmaras e juntas de freguesia? Mantém-se tudo igual. Onde está a reforma judicial? Onde estão as tão faladas parcerias público-privadas?
Acredito que mexer nestas últimas é muito difícil porque os contratos estabelecidos entre o estado e alguns privados foram feitos de tal forma que nos vincula de uma maneira ultrajante. Mas temos um código civil e um código penal.
É fácil dar conferências de imprensa dizendo que vão cortar nos rendimentos do mexilhão. É o caminho mais fácil, porque o outro, o caminho de ir buscar dinheiro aos interesses instalados, é muito difícil. É mais fácil roubar quem não se conhece, afinal, nós para os nossos «ilustres e doutos» governantes somos apenas um número, não somos pessoas... Agora os outros, os outros são conhecidos e afinal, quando se sai do governo, pode-se vir a necessitar deles.

Quanto ao roubo nas pensões. Os reformados do nosso país trabalharam durante muitos anos, muitos, mais de 40 anos, e durante toda a sua vida depositaram grande parte dos seus rendimentos provenientes do seu salário nos cofres do estado, acreditando que quando chegasse a sua idade de reforma, iriam receber aquilo por que tanto trabalharam. ERRADO!
Agora o mesmo estado que lhes devia, porque é da sua obrigação, garantir esse dinheiro porque eles deram muito ao seu país, rouba-lhes grande parte do seu dinheiro.
Haverá alguém que neste momento queira confiar o seu dinheiro em tal instituição? Pior, haverá alguém que neste momento acredita e tem esperança nesta instituição? O estado não está a ser uma «pessoa» de bem. Rouba, mente, e engana descaradamente os seus filhos. Triste nação que assim procede.



domingo, 9 de setembro de 2012

Evangelho do dia


«Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando a região de Decápole. Levaram então a Jesus um homem surdo e que falava com dificuldade, e pediram a Jesus que pusesse a mão sobre ele. Jesus afastou-Se com o homem para longe da multidão; em seguida pôs os dedos no ouvido do homem, cuspiu e com a sua saliva tocou-lhe a língua. Depois olhou para o céu, suspirou e disse: "Effathá!" que quer dizer: "Abre-te!" Imediatamente os ouvidos do homem se abriram, a língua soltou-se e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus recomendou com insistência que não contassem nada a ninguém. No entanto, quanto mais Ele recomendava, mais eles apregoavam. Estavam muito impressionados e diziam: "Jesus faz bem todas as coisas. Faz os surdos ouvir e os mudos falar."» (Mc 7, 31-37) da Bíblia Sagrada

Salmo 145, 7-10

«O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente;
o teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.»

Hoje, XXIII domingo do tempo comum, toda a liturgia está voltada para a esperança. Curiosamente é isso de que mais necessitamos neste momento. «A esperança firme de lá chegarmos, qualquer que seja a nossa tristeza durante o caminho, nos console e estimule» (Sto. Agostinho, Comentários aos Salmos)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Evangelho do dia

«Naquele tempo, os fariseus e os escribas disseram a Jesus: "Os discípulos de João Batista e os fariseus jejuam muitas vezes e recitam orações. Mas os teus discípulos comem e bebem." Jesus respondeu-lhes: "Quereis vós obrigar a jejuar os companheiros do noivo, enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão." Disse-lhes também esta parábola: "Ninguém corta um remendo de um vestido novo, para o deitar num vestido velho, porque não só rasga o vestido novo, como também o remendo não se ajustará ao velho. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho novo acaba por romper os odres, derramar-se-á e os odres ficarão perdidos. Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos. Quem beber do vinho velho não quer do novo, pois diz: 'O velho é que é bem'"»
(Lc 5,33-39) da Bíblia dos Capuchinhos


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Evangelho do dia

«Naquele tempo, Jesus desceu a Cafarnaum, cidade de Galileia, e ali ensinva aos sábados. Todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque falava com autoridade. Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha um espírito de demónio impuro, que bradou com voz forte: "Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de nazaré? Vieste para nos destruir? Eu sei quem Tu és: o Santo de Deus." Disse-lhe Jesus em tom severo: "Cala-te e sai desse homem." O demónio, depois de o ter arremessado para o meio dos presentes, saiu dele sem lhe fazer mal nenhum. Todos se encheram de assombro e diziam entre si: "Que palavra esta! Ordena com autoridade e poder aos espíritos impuros e eles saem!» E a fama de Jesus espalhava-se por todos os lugares da região.» (Lc 4,31-37) da Bíblia dos Capuchinhos

No mundo antigo, tanto entre gregos como judeus admitia-se a existência de demónios. A maior parte, possivelmente quase a totalidade, destes «possuídos» eram doentes mentais ou com anomalias psíquicas, do tipo esquizofrenia ou epilepsia. Atualmente, os demónios são outros. O ser humano encontra-se «possuído» por outro tipo de demónios: o ter e gastar, o açambarcar e consumir, a soberba, o egoísmo, a indiferença, o oportunismo, a injustiça.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Evangelho do dia

«Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, onde se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-se para fazer a leitura. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaís e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para a nunciar a boa nova aos pobres. Enviou-me a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor." Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: "Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir." Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: "Não é este o filho de José?" Jesus disse-lhes: «Por certo me citareis o ditado: 'Médico, cura-te a ti mesmo.' Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em cafarnaum." E acrescentou: "Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã." Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-no até ao cimo da colina sobre a qual estava edificada a cidade, a fim de o precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.» (Lc 4,16-30), da Bíblia dos Capuchinhos

As palavras de Jesus provocaram a ira nos ouvintes. Jesus chama-os à atenção e relembra-lhes que até mesmo as palavras de Elias e de Eliseu apenas só foram ouvidas por dois estrangeiros, que conseguiram a salvação: a viúva de Sarepta e o sírio Naamã; porém, o povo de Israel não ouviu os seus profetas e do mesmo modo também Jesus não foi bem-vindo na sua terra natal, e foram mesmo ao extremo de, enraivecidos, tentarem atirá-l'O do penhasco, mas Jesus conseguiu escapulir-se.

sábado, 1 de setembro de 2012

Deambulações em redor de Abraão

Hoje em dia, ninguém se detém na fé, vai-se mais longe. Isto antigamente não acontecia. A fé, nos séculos bem anteriores ao nosso, era um compromisso que era aceite para toda a vida. Perante este pensamento, despertou em mim a curiosidade de «deambular» por algumas histórias descritas na Bíblia. Uma delas, pela sua natureza, levantou a minha curiosidade e fez-me meditar nos seus contornos. A esta meditação, que irei partilhar convosco, chamei-lhe «Deambulações em redor de Abraão».

Abraão (o pai ama) é considerado o pai da fé. É o primeiro dos antepassados de Israel e encarna em si todas as virtudes e defeitos de um povo. Inicialmente chamava-se Abrão e sua mulher Sarai. Sempre foi apresentado como o pai de Israel, o homem obediente, o homem temente a Deus, o observante da lei.

Da cidade de Ur, na Caldeia, partiu a família de Tera, pai de Abrão, em direção a Haran. Permaneceram aqui até à morte de Tera. Abrão recebe um chamamento, reuniu a sua família, os seus servos e todos os seus bens, e partem com destino a Canãa, atualmente a Palestina.
A mulher de Abrão, Sarai, era estéril e de muita idade. Apesar disso, um dia o mensageiro do Senhor anunciou a Abrão que Sarai ia dar à luz um filho seu, Isaac. Após o nascimento de Isaac, Abrão e Sarai viram os seus nomes serem alterados para Abraão e Sara.

É sobre o Génesis 22 que consiste a minha «deambulação». Deus pôs à prova Abraão. Chamou-o e ordenou-lhe que pegasse em seu filho muito amado, Isaac, e se dirigisse a Moriá, onde o iria oferecer em holocausto num local que posteriormente Deus lhe indicaria.
Na manhã do dia seguinte, Abraão aparelhou o jumento, chamou dois servos que os acompanhariam na jornada e com o seu filho partiram em direção a Moriá. Caminharam durante três dias. Ao terceiro dia Abraão avista Moriá. Dá indicação aos servos para que fiquem de guarda enquanto ele e o filho vão a um lugar para orar. Abraão pega na lenha, que vai ser usada para o holocausto, e entrega-a ao seu filho. Segurando com uma mão o fogo e na outra o cutelo, juntos iniciam a subida do monte. 
Isaac quase que adivinha o seu destino, uma vez que refere que levam todos os artefactos para um holocausto, mas não avista qualquer animal. Ao que Abraão responde: «Deus proverá quanto à vítima para o holocausto, meu filho.»
Por fim chegaram ao sítio indicado por Deus, e Abraão construiu um altar, dispôs a lenha e prendeu Isaac, colocou-o sobre o altar, por cima dos toros. Agarrou no cutelo e preparou-se para degolar o filho. Naquele preciso momento, ouviu-se a voz do mensageiro do Senhor evitando assim Abraão de degolar o filho: «Não levantes a mão sobre o menino e não lhe faças mal algum, porque sei agora que, na verdade, temes a Deus, visto não me teres recusado o teu filho único.» Depois de proferidas estas palavras, Abrãao ergueu o olhar e avistou um carneiro preso a um silvado. Foi buscá-lo em substituição do seu filho.

A ordem de Deus a Abraão foi feita na véspera da partida. Será que Abraão contou a Sara o que Deus lhe havia pedido? Será que Sara suspeitou de alguma coisa, de alguma perturbação do marido, no caso de este lhe ter ocultado o pedido de Deus? Como é que Abraão enfrentou as horas que anteciparam o início da jornada? E como é que Abrãao conseguiu disfarçar a sua angústia durante aqueles três dias de viagem? Como é que ele se sentiu sempre que olhava para o rosto do seu amado filho? Quais teriam sido os pensamentos que ocorriam a Abraão? Se o Senhor lhe tinha dado um filho, quase no ocaso da vida e sendo a mulher estéril, como é que agora Ele lhe pedia um tal sacrifício? O Eleito de Deus ia sofrer uma das maiores provações. Como fora isto possível? Deus punha à prova Abrãao. Apesar da angústia, do desespero, Abraão não vacilou e meteu pés ao caminho.
Acreditou sem jamais duvidar. Acreditou no absurdo.
Se assim não tivesse sido, Abraão podia ter partido, levado na mesma o seu filho, preparado o altar e no último momento, enterraria o cutelo em si próprio. Ou então escolheria um dos servos e matá-lo-ia. Abraão também poderia ter duvidado, olhado em redor, empunhado o cutelo e avistado o cordeiro. E mal o avistasse, poderia tê-lo trocado pelo seu filho. Tudo isto mesmo antes de ser travado pelo mensageiro do Senhor. Porém, Abraão nada disto fez, mas sim  o que Deus lhe disse para fazer. E levou a ordem até ao fim porque sabia que era o pedido mais duro e que nenhum outro se lhe pode igualar. Não há sacrifício maior do que um pai matar o seu filho.
No episódio do Evangelho, do rapaz muito rico que gostaria de seguir Jesus, mas só não o fazia porque não era capaz de abrir mão da sua fortuna pode-se estabelecer uma comparação entre este jovem rico e Abraão. O que é o sacrifício de abandonar uma grande fortuna, por muito gigante que ela seja, quando comparado com o sacrifício de Abraão de matar o seu prório filho muito amado? Não existe obrigação moral para com o dinheiro enquanto que um pai está ligado ao filho por um vínculo nobre e sagrado. Mais, se não fosse pela fé, tal ato poderia ser visto como um frio e calculado assassínio: os preparativos da viagem, a preparação da lenha, o cutelo, o fogo, o facto de ter deixado as testemunhas para trás... Mas não!
Abraão seguiu com o seu filho amado, subiu o monte e nunca, mas nunca em qualquer momento perdeu a fé. A fé que ele depositava em Deus. Acreditou sempre de que Deus não o iria obrigar a levar a cabo tal sacrifício. Por isso Abraão, o homem digno, o homem piedoso e temente a Deus ser chamado eleito do Eterno. Acreditou no absurdo: ainda que matasse Isaac, Abraão acreditava que Deus o restituísse. E acreditou no absurdo, uma vez que todo o cálculo estava abandonado. E acreditar no absurdo é o mesmo que ter fé. No momento em tudo nos parece perdido, eis que há um golpe de face e tudo acaba por se resolver da melhor maneira.

Três minutos de sabedoria

Não devemos, apesar de o fazermos constantemente, irritar-nos com os que dizem mal de nós. Estas pessoas acabam por nos fazer mais bem do que mal, porque ao serem maldizentes acabam sempre por nos chamar a atenção dos nossos erros e das nossas faltas.
Quando somos vítimas de maus dizeres, devemos seguir em frente!
A dor e a tristeza são fertilizantes que só contribuem para o nosso crescimento interior. É o arado que rasga a terra de cultivo que faz com que a colheita depois seja abundante. E as lágrimas e o sofrimento apenas servem para aumentar e melhorar a nossa colheita, porque são o fertilizante do nosso coração. E é este adubo que contribui para que os frutos resultantes da nossa experiência de vida  sejam o resultado do enriquecimento do nosso interior.

É com os nossos pensamentos e palavras que vamos construindo o nosso mundo. Portanto a nossa vida e a nossa felicidade dependem totalmente da nossa maneira de pensar e de falar. Estejamos atentos ao que pensamos e ao modo como falamos. Assim, se plantarmos sementes de otimismo e de alegria em nosso redor, a colheita de amanhã será frutuosa e abundante.

Devemos ser corajosos perante os infortúnios da vida. Não devemos desanimar perante o sofrimento, os reveses ou a dor. É deles que provém o nosso crescimento interior. Tal como na nossa vida de estudante ou profissional não conseguimos obter resultados sem passar pelos exames ou entrevistas, também na vida não conseguimos passar ao lado de situações desagradáveis. Mas é através destes reveses da vida que nos tornamos grandes e fortes. E quanto mais provações formos tendo, mais fortalecidos nos tornamos.

Santo do dia


Santa Beatriz da Silva
Nasceu em Ceuta por volta de 1425. Filha de pais portugueses, ainda jovem veio viver para Campo Maior e posteriormente foi para Castela como dama da corte da infanta D. Isabel de Portugal. Para se dedicar totalmente a Deus, e especialmente porque a sua grande beleza provocava intensos ciúmes à rainha, retirou-se para um mosteiro em Toledo, onde permaneceu mais de 30 anos, dedicando a sua vida à oração e penitência.
Em 1484 fundou o Instituto da Imaculada Conceição de Nossa Senhora (Concepcionistas). Morreu em 1490 com fama de santidade. Foi beatificada pelo papa Pio XI, em 1926, após as aparições de uma senhora em Campo Maior, e canonizada a 3 de outubro de 1976 por Paulo VI.

Oração: «Senhor nosso Deus, que fizestes resplandecer na virgem Santa Beatriz o altíssimo dom da contemplação e a adornastes com a singular devoção à Imaculada Conceição da Virgem Maria, concedei-nos que, seguindo o seu exemplo, busquemos na terra a verdadeira sabedoria, para merecermos contemplar no Céu a glória do vosso rosto.» (da Litrugia das Horas)

Hino do ofício de leitura

«A Palavra de Deus é eficaz
E brilha no fulgor da santidade:
Dela se geram alegria e paz,
na graça do amor e da verdade.

Louvemos Deus por Santa Betriz
Que viveu o rigor do Evangelho;
Fielmente seguiu Clara de Assis
Com os dons da prudência e do conselho.

A casa e os amigos abandona, 
De olhar erguido ao esplendor dos Céus;
E assim se torna de si mesma dona,
Íntegra virgem toda entregue a Deus.

Perfil celestial de mulher forte,
Fundou nova família consagrada;
E quando a visitou a Irmã Morte,
Encontrou-a de face iluminada.

Dos caminhos de Deus foi peregrina,
Na gesta nobre duma vida plena;
Por amor quis fazer-se pequenina
E desde o Céu agora nos acena.

Adoremos, cantemos, dêmos glória
Ao supremo Senhor omnipotente;
Suba até Ele um hino de vitória
Com os anjos do Céu eternamente.»                                                                                  

Liturgia das Horas



Evangelho do dia


«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: "Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e  ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que  recebera um só talento foi escavar a terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentosproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: 'Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei. Respondeu o senhor: 'Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte do teu senhor.’ Aproximou-se também, o que recebera dois talentos e disse: 'Senhor, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.’ Respondeu-lhe o senhor: 'Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor.’ Aproximou-se também, o que recebera um só talento e disse: 'Senhor, eu sabias que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.’ O senhor respondeu-lhe: 'Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu.  Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil. lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes."» (Mt, 25,14-30)

Devemos utilizar os talentos e não dedicarmo-nos à preguiça, ou à indiferença, desperdiçando tudo aquilo que nos foi generosamente dado em graça: a vida, a fé, o tempo, a inteligência, a amizade, os afetos.