É curioso como vivemos quase como um momento único: empresários e trabalhadores, inquilinos e senhorios unidos contra as decisões de um governo, porquanto, ao longo da história, sempre uns e outros andaram de candeias às avessas!
Os trabalhadores e empresários estão unidos contra a subida dos primeiros e a descida dos segundos da TSU. E esta união contra esta medida, penso eu, assenta no seguinte: numa empresa pequena, empregados e patrões, neste momento, vivem momentos angustiantes. Não conseguem vender os seus produtos. Ambas as entidades se juntam, unem esforços para a manutenção dos seus postos de trabalho e fazem-se sacrifícios para que a empresa não afunde. Porém, se avançar aquela medida, os trabalhadores vão ver o seu salário ser reduzido 7% em favor do seu empregador. E o empregador pode perder a solidariedade, a compreensão e , porque não até, a amizade dos seus trabalhadores, porque se cria um mal-estar incómodo e desagradável entre funcionário e patrão.
Nos tempos que correm é ótimo um senhorio ter um inquilino que lhe pague a renda em tempo e todos os meses. Com o aumento da renda, numa situação de salários em atraso, dificuldades de toda a ordem, qualquer subida no valor a pagar da renda torna-se problemático.
Tal momento de união entre todos os cidadãos dá que pensar e, na minha opinião, estamos a viver um momento extrordinário! E o governo, na minha opinião, devia estar atento e ver que algo de muito estranho e singular está a acontecer; e deveria interrogar-se sobre o caminho que teima em seguir.
As pessoas não são animais de laboratório, nem se deve pegar nelas e transformá-las em fórmulas matemáticas longas e enfadonhas que raramente apresentam soluções para além do papel, porque a vida é feita de múltiplas variáveis que muitas vezes, em ambientes protegidos de laboratório dão excelentes resultados, mas quando as pomos em prática ao ar livre tomam dimensões que não pudemos controlar.
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