sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Para sorrir e ver que afinal todos somos iguais :-)))

Evangelho do dia


«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: "O Reino do Céu pode comparar-se a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, foram ao encontro do noivo. Cinco eram insensatas e cinco eram prudentes. As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; enquanto as prudentes, com as suas lâmpadas, levaram azeite nas almotolias. Como o esposo se demorava, começaram todas a dormitar e adormeceram. A meio da noite, ouviu-se um brado: 'Aí vem o esposo, ide ao seu encontro!’ Então, as virgens levantaram-se todas  e começaram a preparar as lâmpadas. As insensatas disseram às prudentes: 'Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão a apagar-se.’ Mas as prudentes responderam: 'Talvez não chegue para nós e para vós. Ide, antes, comprá-lo aos vendedores.’ Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo; as que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. Mais tarde, chegaram também as outras virgens e disseram: 'Senhor, senhor, abre-nos a porta!’ Mas ele respondeu: 'Em verdade vos digo: Não vos conheço.’ Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora.»
(Mt 25,1-13) da Bíblia dos Capuchinhos.

A lâmpada simboliza a nossa existência e o azeite o dom e a graça da vida. Uma lâmpada apagada no meio da escuridão não tem qualquer utilidade. Devemos ter sempre azeite em quantidade e qualidade para que a lâmpada nunca se apague e a luz que dela emana seja sempre luminosa para todos os que nos rodeam.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Citações



«Os homens só são bons connosco se formos bonitas e as mulheres só são boas connosco se formos feias.» Agatha Christie
Isto de agricultura é ótimo para o espírito, mas para alguém que nasceu e cresceu numa cidade e agora anda a cavar, regar, apanhar... põe-na totalmente exausta :-))
Mas digo-vos: não há melhor terapia. O contacto com a natureza, com a terra, os cheiros... nunca imaginei que plantas como os tomateiros e as folhas de abóbora tivessem cheiro. É um cheiro maravilhoso, espetacular! Isto a somar ao cheiro da terra acabada de regar desperta todos os sentidos, especialmente o do olfato. Para todos os que possam andar stressados, recomendo vivamente a jardinagem, ou melhor ainda, dedicarem-se à horticultura.

Evangelho do dia


«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais virá o Filho do Homem. Quem é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua casa para lhe dar o alimento em tempo oportuno? Feliz aquele servo que o senhor, ao chegar, encontrar procedendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará a administração de todos os seus bens. Mas, se o servo for mau  e disser consigo mesmo: 'O meu senhor demora-se’, e começar a espancar os seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios, quando o senhor daquele servo chegar, em dia que ele não espera e à hora que ele não pensa, expulsá-lo-á e lhe dará a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes."»
(Mt 24,42-51)  da Bíblia dos Capuchinhos.

Como ninguém sabe o dia e a hora, devemos conduzir a nossa existência com sentido de responsabilidade e empenhamento.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Santo do dia

Martírio de São João Batista

O nome «João» significa «Deus agracia» ou «favorecido por Deus». E foi este nome, segundo a tradição bíblica, que foi indicado pelo anjo aos pais de João, Zacarias e Isabel.

«(...) Assim terminou a sua vida este homem tão insigne e corajoso, derramando o seu sangue depois de longo e penoso cativeiro. Ele que anunciara a liberdade de uma paz superior é lançado pelos ímpios na prisão; é encerrado na escuridão do cárcere aquele que veio dar testemunho da luz e a quem a própria Luz, que é Cristo, denominou como uma lâmpada que arde e alumia (...). (das Homilias de São Beda Venerável, presbítero)

Oração: «Senhor, que na vossa admirável providência quisestes que São João Batista fosse Precursor do nascimento e da morte de vosso Filho, concedei-nos que, assim como ele deu a sua vida pela justiça e pela verdade, também nós saibamos lutar corajosamente pela confissão da fé.» (da Liturgia das Horas)

Evangelho do dia


«Naquele tempo, o rei Herodes mandara prender João e pô-lo a ferros na prisão, por causa de Herodíade, mulher de Filipe, seu irmão, que ele desposara. Porque João dizia a Herodes: "Não te é lícito ter contigo a mulher do teu irmão." Herodíade tinha-lhe rancor e queria dar-lhe a morte, mas não podia, porque Herodes temia João e, sabendo que era homem justo e santo, protegia-o; quando o ouvia, ficava muito perplexo, mas escutava-o com agrado. Mas chegou o dia oportuno, quando Herodes, pelo seu aniversário, ofereceu um banquete aos grandes da corte, aos oficiais e aos principais da Galileia. Tendo entrado e dançado, a filha de Herodíade agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: "Pede-me o que quiseres e eu to darei."E acrescentou, jurando: "Dar-te-ei tudo o que me pedires, nem que seja metade do meu reino." Ela saiu e perguntou à mãe: "Que hei de pedir?" A mãe respondeu: "A cabeça de João Batista." Voltando a entrar apressadamente, fez o seu pedido ao rei, dizendo: "Quero que me dês imediatamente, num prato, a cabeça de João Batista." O rei ficou desolado; mas, por causa do juramento e dos convidados, não quis recusar. Sem demora, mandou um guarda com a ordem de trazer a cabeça de João. O guarda foi e decapitou-o na prisão; depois, trouxe a cabeça num prato e entregou-a à jovem, que a deu à mãe. Tendo conhecimento disto, os discípulos de João foram buscar o seu corpo e depositaram-no num sepulcro. (Mc 6,17-29) da Bíblia dos Capuchinhos

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A importância da vírgula

Em sequência da mensagem anterior:

«Nesta frase, onde se colocaria a virgula?

Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de rastos à sua procura.

99% das mulheres colocam a vírgula a seguir a «mulher».
99% dos homens colocam a vírgula a seguir a «tem».»

(de Alamanaque de Santo António)

:-))))))
«Cede quando ela teima; se cederes, sairás vencedor;
trata, apenas, de agir, como ela determinar.
Se ela contestar, contesta; o que aprovar, aprova-o;
o que afirmar, afirma-o; o que negar, deves negá-lo;
se rir, ri-te; se chorar, lembra-te tu de chorar;
seja ela a ditar as leis das tuas feições.
(...)
O amor é uma espécie de serviço militar. Batei em retirada, gente indolente!
Tais estandartes não são para ser confiados a homens medrosos.
A noite e o inverno e jornadas sem fim e dores terríveis
e toda a sorte de padecimentos, eis o que nos espera nos campos da doçura; (...)»
Ovídio, A Arte de Amar



Dois minutos de sabedoria

Antes de tudo o que mais importa é o momento presente. O passado não tem importância, o que os nossos pais foram não interessa: o que conta agora somos nós.
É no momento presente que semeamos o amanhã. A nossa felicidade assenta nos pensamentos de hoje; mas somos escravos dos nossos pensamentos de ontem, esquecendo de que somos donos do amanhã!
Dêmos atenção ao momento que passa, ao que estamos agora a fazer, porque é deste agora que depende o nosso amanhã.

Levantemos a cabeça!
Não fiquemos tristes.
Porque nos havemos de aborrecer com tudo o que dizem de nós? Por quanto tempo mais ainda vamos continuar a lamuriar-nos, a reclamar, a discutir?
Sigamos em frente, seguros de nós, invencíveis porque todos os que agora dizem mal de nós, enquanto estiverem entretidos na conversa, estão parados, não avançam. E quando se derem conta, nós já avançamos tanto que eles já nos perderam de vista.

(Nota: eu já tinha dito que não iria falar de crise... e não estou a falar, mas mutatis mutandis...)

Doce de tomate

Deram-me cerca de quatro quilos de tomates de agricultura biológica e como eram demasiados para tão poucos comedores :-))) resolvi pesquisar na Internet como fazer doce de tomate. Depois de muitas pesquisas e tirando ideias daqui e dali, fiz o meu doce de tomate com peles e grainhas. O resultado é este:
Claro que a fotografia não faz jus ao docinho, porque enfim... :-))

Mas garanto-vos que está delicioso. Conto fazer mais doces.
Cerca de quatro quilos ainda deram para uns frasquinhos grandes.

Santo do dia

Santo Agostinho

Agostinho nasceu em Tagaste, no norte de África, em 354. Durante a sua juventude levou uma vida desregrada, dissoluta e boémia. Tornou-se professor e lecionou em Cartago, a que Agostinho descreve na sua autobiografia como «uma caldeira de amores ilícitos», primeiro, em 371, e depois em Roma, em 384. Em Cartago rapidamente encontra uma amante da qual teve um filho, dando-lhe o nome de Adeodato, que morreu aos 18 anos.
Seguiu um ano depois para Milão, e por influência dos sermões de Santo Ambrósio e pela sua mãe, Santa Mónica, Agostinho abandona a sua vida de boémia e converteu-se totalmente a Deus, aos 32 anos

Foi batizado em Milão, na Páscoa de 387, por Santo Ambrósio. Depois do batismo, Agostinho parte para Óstia na companhia da mãe que entretanto morre. Aí, Agostinho inicia uma vida nova de austeridade e deserto, onde viveu em comunidade com outros frades ascetas que também buscavam a perfeição.
Foi nomeado bispo de Hipona, aos 41 anos de idade, fundando uma comunidade monástica e exercendo uma extraordinária ação pastoral e intelectual, através dos seus escritos, que são imensos: sermões, epístolas, comentários e tratados.

Santo Agostinho é considerado doutor da Igreja. É uma figura incontornável da Igreja; não é possível para qualquer pessoa que estude o Evangelho, a teologia trinitária, a busca incessante da verdade, a filosofia sem passar por Santo Agostinho. Uma das suas frases que mais ficaram famosas: «Ama e faz o que quiseres» evidencia bem a doutrina de Agostinho, que assenta no amor a Deus que liberta. 

O papa João Paulo II, numa das suas cartas apostólicas, referindo-se ao santo na sua busca pela verdade e beleza, propô-lo como um exemplo a seguir, especialmente os jovens, e exortou todos a lerem as suas obras, em especial as Confissões, onde Agostinho se mostra totalmente e ainda hoje impressiona pelo seu caráter moderno.

Morreu em 430 precisamente na mesma altura em que os Vândalos, comandados por Genserico, cercavam a cidade e tomaram-na pouco depois de assalto. Santo Agostinho havia rogado a Deus para morrer antes de assistir à invasão.

«Tarde Vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Vós estáveis dentro de  mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria se não existisse em Vós. Chamastes, chamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vós. Saboreei-Vos, e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz.» (de Confissões)

Oração: «renovai, Senhor, na vossa Igreja o espírito com que enriquecestes o bispo Santo Agostinho, para que, animados pelo mesmo espírito, tenhamos sede de Vós, única fonte de sabedoria, e só em Vós, origem do verdadeiro amor, descanse o nosso coração.» (de Liturgia das Horas)

Evangelho do dia


«Naquele tempo, disse Jesus: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade! Devíeis praticar estas coisas, sem omitir as outras. Guias cegos! Coais o mosquito e engolis o camelo! Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, quando por dentro estão cheios de rapina e de iniquidade! Fariseu cego! Limpa antes o interior do copo, para que o exterior também fique limpo."» (Mt 23,23-26) da Bíblia dos Capuchinhos.

Continuamos a seguir as invetivas de Jesus aos escribas e fariseus, censurando-os por apenas se limitarem a observar as práticas miúdas esquecendo os mandamentos importantes.O copo e o prato são imagens do exterior e interior do ser humano. Jesus acusa os escribas e os fariseus de se preocuparem apenas com o exterior, limpando-o muito bem mas deixando o seu interior, ou o seu coração, sujo, carregado de maledicência, maus pensamentos, ódios mesquinhos, más intenções, inveja. Por isso Jesus os convida, e também nos convida a nós, a cuidarmos do nosso interior, limpando-o de toda a malvadez e maus pensamentos, de modo que o nosso exterior seja um espelho do nosso interior.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Oração de São Francisco





Para finalizar este dia, vou colocar uma das mais belas orações que conheço. Nada melhor para este início de noite:

Senhor,
Fazei de mim um instrumento da vossa paz:
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Senhor,
Fazei que eu procure mais:
Consolar que ser consolado,
Compreender que ser compreendido,
Amar que ser amado.

Pois é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se ressuscita
Para a vida eterna.

Três minutos de sabedoria

Cada um de nós é responsável pelos nossos atos. Então porque é que ficamos desanimados por coisas que os outros nos fizeram? Que temos nós a ver com isso? Devemos seguir em frente ainda que o mundo todo esteja contra nós. Havemos de vencer, mesmo ficando sozinhos. Não devemos desanimar, porque nós somos os únicos responsáveis pelos nossos atos.

Devemos pensar sempre de forma positiva. Os nossos pensamentos emitem ondas que se espalham no nosso cérebro. De acordo com o tipo de vibração do pensamento, atrairemos a nós os mesmos tipos de ondas. Assim sendo, se os nossos pensamentos forem sempre negativos, só atrairemos as energias negativas, o que apenas contribui para o agravamento da situação.
Pelo contrário, se só mantivermos pensamentos positivos, apenas atraímos a nós as ondas positivas, o que nos irá trazer tranquilidade, paz e prosperidade.

Devemos manter sempre uma postura direita e vitoriosa. Quando olhamos para alguém que se apresenta curvada, cabisbaixa e triste, rapidamente perdemos a confiança nela, porque a sua aparência mostra abatimento, derrota. Não devemos deixar que os outros pensem isso de nós.
Mantendo a cabeça erguida, aspeto confiante e sempre com um sorriso nos lábios, irradiamos força e entusiasmo a todos os que nos rodeam.

Minutos de sabedoria

«Mantém-te firme no que já alcançaste;
sê constante no que fazes;
não desanimes no caminho,
corre veloz com passo leve e sem tropeçar;
que nem a teus pés o pó se apegue;
avança segura,
alegre e jovial,
no caminho da felicidade,
não acredites nem confies
em quem te tentar desviar
deste propósito;
ultrapassa todo o obstáculo do caminho,
e sê fiel ao Altíssimo no estado de perfeição
a que te chamou o Espírito Santo.»
Santa Clara, Segunda Carta de Santa Clara a Inês de Praga

Momento de poesia

«Meu Portugal

Meu Portugal querido, minha terra
De risos e quimeras e canções,
Tens dentro de ti, esse teu peito encerra
Tudo que faz bater os corações!

Tens o fado. A canção triste e bendita
Que todos cantam pela vida fora;
O fado que dá vida e que palpita
Na alma da guitarra aonde mora!

Tu tens, ó pátria minha, as raparigas
Mais frescas, mais gentis do orbe imenso,
Tens os beijos, os risos, as cantigas
De seus lábios de sangue!... Às vezes penso

Que tu és, pátria minha, branca fada
Boa e linda que Deus sonhou um dia,
Para lançar no mundo, ó pátria amada,
A beleza eterna, a arte, a poesia!...»

Florbela Espanca, Obra Poética, vol. II, Editorial Presença

Santo do dia

Santa Mónica nasceu em Tagaste, no norte de África, em 331, no seio de uma família cristã. Muito jovem casou com um pagão, por imposição dos pais, chamado Patrício. Deste matrimónio nasceram quatro filhos, um deles Santo Agostinho. Patrício revelou-se um marido de temperamento violento e infiel, mas Mónica com a sua perseverança e mansidão, conseguiu convertê-lo e Patrício foi mesmo batizado pouco antes de morrer. Santa Mónica também derramou muitas lágrimas e orou insistentemente pela conversão do seu filho, Agostinho, o qual um dia a tranquilizou dizendo-lhe: «o filho de tantas lágrimas não é possível perder-se».
Quando finalmente Agostinho se converteu, Mónica sentiu uma grande alegria e viu que as suas preces tinham sido ouvidas. Morreu em Óstia, em 387. Ao despedir-se dos filhos, pouco antes de morrer, disse-lhes: «Sepultai este corpo em qualquer parte e não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim diante do altar do Senhor, onde quer que estejais» (das Confissões de Santo Agostinho). Mulher e mãe que alimentou a sua fé com uma vida de intensa oração acompanhada de virtudes.

Oração: «Senhor nosso Deus, consolação dos que choram, Vós que atendestes misericordiosamente as lágrimas de Santa Mónica pela conversão de seu filho, que saibamos chorar os nossos pecados para alcançar a graça do vosso perdão.» (de Liturgia das Horas)

Evangelho do dia


«Naquele tempo, disse Jesus: "Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque fechais aos homens o Reino do Céu! Nem entrais vós nem deixais entrar os que o querem fazer. Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, que devorais as casas das viúvas, com o pretexto de prolongadas orações! Por isso, sereis mais rigorosamente julgados. Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito e, depois de o terdes seguro, fazeis dele um filho do inferno, duas vezes pior do que vós! Ai de vós, guias cegos, que dizeis: 'Se alguém jura pelo santuário, isso não tem importância; mas, se jura pelo ouro do santuário, fica sujeito ao juramento.’ Insensatos e cegos! Que é o que vale mais? O ouro ou o santuário, que tornou o ouro sagrado? Dizeis ainda: 'Se alguém jura pelo altar, isso não tem importância; mas, se jura pela oferta que está sobre o altar, fica sujeito ao juramento.’ Cegos! Qual é o que vale mais? A oferta ou o altar, que torna sagrada a oferta? Portanto, jurar pelo altar é o mesmo que jurar por ele e por tudo o que está sobre ele; jurar pelo santuário é jurar por ele e por aquele que nele habita; jurar pelo Céu é jurar pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado."»
(Mt 23,13-22), Biblia dos Capuchinhos.

Jesus censura os fariseus e os escribas, acusando-os de hipocrisia pelos seus atos que não correspondem àquilo que apregoam. Por isso, o nosso serviço a Deus deve ser sincero e movido de um amor cordial. Ainda que não participemos diariamente na Eucaristia, isso não quer dizer que não mantemos dentro de nós os ensinamentos de Jesus, daí que os nossos atos devem ser espontâneos e agradáveis a Deus, sempre presente e a Quem ninguém consegue enganar com manobras subtis e hipócritas.

domingo, 26 de agosto de 2012

Há dias li em nota de rodapé que vão ser destruídos os medicamentos que foram comprados para combater a tal gripe dos porcos. São cerca de 10 milhões de euros que vão ser queimados... E fui à minha caixa de correio eletrónico em busca do que na altura correu na Internet sobre a «espiral de pânico» que se instalou nos estados e veiculada pelos órgãos de comunicação social.
Vale a pena relembrar o que na altura da propaganda (branca porque se lhe sabe a origem) foi escrito. Já nessa altura se falava em pandemia de lucro, que agora se veio a revelar verdadeira.
 
PANDEMIA DE LUCRO

Que interesses económicos se movem por detrás da gripe porcina?

No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vítimas de malária que se podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto, nada falam!
No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 cêntimos.
Os noticiários, disto, nada falam!
Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários, disto, nada falam!
Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves... os noticiários mundiais inundaram-nos de notícias...
Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos... 25 mortos por ano.
A gripe comum mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.

Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves?
Porque atrás desses frangos havia um «galo», um galo de crista grande.
A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflu vendeu milhões de doses aos países asiáticos.
Ainda que o Tamiflu seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.
Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.
Antes com os frangos e agora com os porcos.
Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso...
Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo...
Só a gripe porcina, a gripe dos porcos...
E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um «galo»...  atrás dos porcos... não haverá um «grande porco?
A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflu. O seu principal acionista é nada menos que uma figura sinistra: o senhor Donald Rumsfeld, secretário da Defesa de George Bush, artífice da mentira e da guerra criminosa contra o Iraque...
Os acionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflu.
A verdadeira pandemia é a do lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.
Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países.
Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação, então se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.
QUAL A REALIDADE DESTA «PANDEMIA» E DE TANTAS OUTRAS...?
O LUCRO FÁCIL OU A CORRUPÇÃO A NÍVEL GLOBAL?           
Deste meu cantinho, por vezes, também me apetece refletir sobre a situação atual do nosso país e do mundo. É por isso que hoje vou aqui colocar algo que nos ajude a refletir... 
 
 
O seguinte texto foi publicado recentemente no El País, tendo-se tornado absolutamente viral em Espanha. Reflete sobre o terrorismo financeiro e a captura económica. Chama as coisas pelos seus nomes e faz uma análise sobre o capitalismo atual que está a incendiar não só Espanha como todo o mundo. O título é «Um canhão pelo rabo», e é escrito por Juan José Millas.
Um canhão pelo rabo

Se percebemos bem -- e não é fácil, porque somos um bocado tontos --, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com um corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco sacana pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais, caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas -- e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco sacana compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os seus cidadãos, digamos, com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país -- este, por acaso --, e diz «compro» ou «vendo» com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública -- onde estas ainda existem -- os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lês estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.
E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tão grandes que transbordam dos gráficos.

Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades sobre quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da mãe que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.

Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.

Juan José Millas

sábado, 25 de agosto de 2012

Momento de poesia

«Da minha aldeia vejo quanta terra se pode ver do universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.»

Poemas de Alberto Caeiro

Sempre a sorrir

Num jantar, uma senhora dirige-se a Churchil, primeiro-ministro inglês, e comenta:
«O senhor está bêbado, horrorosamente bêbado!»
E Churchil responde-lhe:
«É verdade; estou bêbado e a senhora é feia e gorda. Mas amanhã estarei sóbrio e a senhora continuará feia e horrorosamente gorda.»

Ex corde

Um dia o amor perguntou à amizade:
«Para que existes tu, se eu já existo?»
A amizade respondeu:
«Para repor um sorriso onde deixaste uma lágrima.»

«Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu:
Foi espectro de homem,
Só passou pela vida, não viveu.»
Francisco Otaviano (poeta brasileiro)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Reflexões

Pelo facto de aqui colocar muita poesia, isso apenas quer dizer que gosto. Gosto dos nossos poetas, não pela dor descrita,  mas pelo fingimento de dor. Tal como está demonstrado naquele belíssimo poema do Pessoa!! E por aqui «postar» muitos versos «chorados» não quer dizer que me identifico na «dor» do Poeta, pelo contrário, gosto da poesia de Pessoa e de Espanca e ponto final. Vou até mais longe:  acho-os muito bonitos, belos até. E é só e apenas (perdoem-me a redundância) pela beleza que aqui os coloco e, também porque não?, para os divulgar. E tomara eu (presunção e água benta...) que todos os que me seguem gostassem tanto como eu e que fossem a «correr» para as livrarias e comprassem dezenas, centenas dos livros de poesia de que me sirvo para os divulgar.

Mas não é só por Pessoa e Espanca que os meus gostos se sentem atraídos, mas também por Camões e os seus sonetos, Homem de Melo, Quental e outros, mas para isso tenho de ir ao «depósito» buscar os meus queridos Poetas que em prateleiras repousam adormecidos à espera que eu os traga, os abra, escolha os melhores versos e os divulgue neste cantinho.

Autopsicografia

«O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
mas só a que eles não têm.

E assim gira nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.»

Fernando Pessoa, Poesia de Fernando Pessoa, Editorial presença

A Mulher

                                                                             
                                                                           I


«Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimentos cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!

Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta; sê Vénus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão de pisar-te!

Se às vezes fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;

E gritam então os vis: «olhem, vejam,
É aquela a infame!» e apedrejam
A pobrezita, a triste, a desgraçada!


                                                                           II

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!»

Florbela Espanca, Obra Poética, vol. II, Editorial Presença
                                                                         

Curiosidades filosóficas


Epicuro e o epicurismo

Filósofo grego, nasceu na ilha de Samos em janeiro ou fevereiro de 341 a. C. Foi para Atenas aos 18 anos e estudou filosofia. Aos 32 anos fundou uma escola que se situava num jardim, pelo que os seus discípulos e seguidores foram chamados «filósofos do jardim».

Epicuro via na filosofia o caminho para alcançar a felicidade. É através da filosofia que o homem se liberta de todo o desejo inquieto e maléfico. O filósofo fazia a distinção da filosofia em três partes: a canónica, a física e a ética.

A canónica (de canon) é uma regra que orienta o ser humano para a felicidade e assenta no critério da verdade, que é constituído pelas sensações, pelas antecipações e pelas emoções. Ora como a sensação é sempre verdadeira, umas e outras, uma vez que dela derivam, também são verdadeiras, constituindo o critério fundamental da verdade.

A física de Epicuro baseia-se em que tudo o que existe é corpo, porque só o corpo pode agir ou sofrer uma ação. Do incorpóreo, segundo a opinião do filósofo, só existe o vazio. Assim, todo o nascimento ou morte não é mais do que agregação e desagregação dos corpos. Admite a existência de divindades neste mundo, com a forma humana, porém mais perfeita. As divindades, à semelhança dos seres humanos, também mantêm sentimentos de amizade entre si; e habitam os espaços entre mundo e mundo. Segundo o filósofo, estas divindades não se preocupam com o mundo nem com os homens, porque se isso acontecesse, impor-lhes-ia uma obrigação, e as divindades não têm obrigações, pelo contrário, vivem livres e felizes.

A ética. A felicidade consiste no prazer. Tende-se para o prazer e foge-se da dor. Há dois tipos de prazeres: o prazer estável e o prazer em movimento. O primeiro está ligado à privação da dor e o segundo ao gozo e à alegria. É erróneo associar-se epicurismo ao hedonismo, uma vez que o epicurismo não defende o abandono do ser humano ao prazer por si só, mas sim ao prazer alicerçado no cálculo e na medida dos prazeres. A sabedoria prática, para atingir a vida agradável,  é fundamental. E a vida agradável consegue-se não através dos prazeres sensoriais mas sim através do viver bem; de modo que quem vive durante mais tempo não obtém mais prazer do que quem vive menos tempo. Assim, um estado de tranquilidade ou de imperturbalidade (ataraxia) é a mais elevada forma de felicidade e o objetivo correto da vida, o que exige compreender os limites da vida, não ter medo da morte, cultivar a amizade e eliminar os desejos que não são necessários e os falsos prazeres.

São célebres algumas das suas máximas:

«O mais terrível dos males, a morte, não é nada para nós, porque quando existimos nós não existe a morte, quando existe a morte não existimos nós.»
«Só o cálculo cuidado dos prazeres pode conseguir que o homem se baste a si próprio e não se converta em escravo das necessidades e da preocupação pelo amanhã.»
«É não só mais belo, mas também mais agradável fazer o bem do que recebê-lo.»


Provérbios

«Este mundo é de quem mais apanha e o outro de quem ganha.»

«Escrevem-se na areia os favores e gravam-se as ofensas no metal.»

«Sogra nem de barro à porta.»

«Sogro e sogra, milho e feijão, só dá resultado debaixo do chão.»

:-))
Acho piada aos provérbios das sogras e dos sogros, não sei porquê!? :-))))))

Momento de poesia

«Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago, a lua toda
Brilha, porque alta vive.»

Fernando Pessoa/Ricardo Reis, «Outras Odes», Poesia de Fernando Pessoa, Ed. Presença

Evangelho do dia


 
«Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: "O Reino do Céu é comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram comparecer. De novo mandou outros servos, ordenando-lhes: 'Dizei aos convidados: O meu banquete está pronto; abateram-se os meus bois e as minhas reses gordas; tudo está preparado. Vinde às bodas.’ Mas eles, sem se importarem, foram um para o seu campo, outro para o seu negócio. Os restantes, apoderando-se dos servos, maltrataram-nos e mataram-nos. O rei ficou irado e enviou as suas tropas, que exterminaram aqueles assassinos e incendiaram a sua cidade. Disse, depois, aos servos: 'O banquete das núpcias está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes.’ Os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos aqueles que encontraram, maus e bons, e a sala do banquete encheu-se de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, viu um homem que não trazia o traje nupcial. E disse-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas ele emudeceu. O rei disse, então, aos servos: 'Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’ Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.»
(Mt, 22,1-14) da Bíblia Sagrada dos Capuchinhos

terça-feira, 21 de agosto de 2012

«Filhos

Filhos são as nossas almas,
Desabrochadas em flores,
Filhos estrelas caidas
No mundo das nossas dores!

Filhos, aves que chilream
No ninho do nosso amor,
Mensageiros da felicidade
Mandados pelo Senhor!

Filhos, sonhos adorados,
Beijos que nascem de risos;
Sol que aquenta e dá luz
E se desfaz em sorrisos!

Em todo o peito bendito
Criado pelo bom Deus,
Há uma alma de mãe
Que sofre p'los filhos seus!

Filhos! Na su'alma casta,
A nossa alma revive...
Eu sofro pelas saudades
Dos filhos que nunca tive!...»

Florbela Espanca, Obra Poética, vol. II, Editorial Presença

Às mães de Portugal

«Ó mães doloridas, celestiais,
Misericordiosas,
Ó mães d'olhos benditos, liriais,
Ó mães piedosas,

Calai as vossas mágoas, vossas dores!
Longe da crua guerra
Vossos filhos defendem, vencedores,
A nossa linda terra!

E se eles defendem a bandeira
Da terra que adorais,
Onde viram um dia a luz primeira
Ó mães, porque chorais?

Uma lágrima triste, agora é
Cobardia, fraqueza!
Nos campos de batalha cai de pé
A alma portuguesa!

Pela terra de estrelas e tomilhos,
De sol, e de luar,
Deixai ir combater os vossos filhos
Ao longe, heróis do mar!

Dum português bendito, sem igual
Eu sigo o mesmo trilho:
Por cada pedra deste Portugal
Eu arriscava um filho!

Por isso ó mães doridas, pelo leito
De morte, onde ajoelhais,
Esmagai a vossa dor dentro do peito,
Ó mães não choreis mais!

A pátria rouba os filhos, mas é mãe,
A mãe de todos nós.
Direito de a trair não tem ninguém,
Ó mães, nem sequer vós!»

Florbela Espanca, Obra Poética, vol. II, Editorial Presença

Este poema foi escrito em honra dos soldados portugueses que lutaram bravamente em terras de França durante a Primeira Guerra Mundial. Todavia,  mutatis mutandis (mudando o que deve ser mudado)...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Datilografia

«Traço sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano,
Firmo o projeto, aqui isolado,
Remoto até de quem sou.

Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tic-tac estalado das máquinas de escrever.
Que náusea da vida!
Que abjeção esta regularidade!
Que sono este ser assim!

Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros,
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância),
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.

Outrora.

Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tic-tac estalado das máquinas de escrever.

Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com os outros.
Que é a prática, a útil.
aquela em que acabam por nos meter num caixão.

Na outra não há caixões, nem mortes,
Há só ilustrações de infância:
Grandes livros coloridos, para ver mas não ler;
Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.
Na outra somos nós,
Na outra vivemos;
Nesta morremos, que é o que viver quer dizer,
Neste momento, pela náusea, vivo na outra...

Mas ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
Ergue a voz o tic-tac estalado das máquinas de escrever.»

Fernando Pessoa/Álvaro de Campos

Este lindo, lindíssimo, belíssimo poema dedico-o a todos os que com culpa ou sem culpa nos privaram dos nossos sonhos de outrora. Aos que sob a capa protetora da crise, ou não crise, nos acordaram dos nossos sonhos e os transformaram em névoa. A todos os que nos provocam náuseas da vida.

Uma homengem aos que morrem nas guerras e àqueles que morreram para que outros tivessem um futuro

Todos os que já ouviram o célebre «Toque de Silêncio» não conseguem deixar de sentir um nó na garganta e um arrepio na espinha.
Mas este «Toque de Silêncio» tem uma história.
Em plena guerra civil americana, no ano de 1862, quando o exército da União combatia o da Confederação, em Harrisons Landing, na Virgínia, o capitão Robert Elly, que combatia ao lado do exército da União, durante a noite ouviu gemidos de um soldado ferido que combatia ao lado dos confederados. O capitão decidiu, apesar do tiroteio intenso, ir buscar o soldado ferido, arrastando-o até ao seu acampamento. Apesar da escuridão, o capitão conseguiu reconhecer o rosto do soldado que agonizava, vindo pouco depois a falecer. Era o rosto do seu filho.
O garoto fora para o Sul, estudar música e tinha-se alistado no exército confederado, sem o conhecimento do pai.
Na madrugada do dia seguinte, o pai, de coração contrito, pediu licença aos seus superiores para enterrar o filho com honras militares, apesar de ser um soldado inimigo. O seu pedido foi atendido, porém disseram-lhe que só lhe poderiam dispensar um músico. O capitão Elly escolheu um corneteiro e pediu-lhe que tocasse uma música que havia encontrado num dos bolsos do uniforme do filho.

Assim nasceu a melodia inesquecível, conhecida por «Taps» cuja letra é:
«O dia terminou, o sol abandona os lagos, os montes e o céu,
Reina a calma, descansa em paz,

Deus está presente.

O crepúsculo tolda o nosso olhar
E uma estrela embeleza o céu, com o seu brilho luminoso
Distante se vai aproximando ao cair da noite.
Dêmos graças e louvores todos os nossos dias
Sob o sol, sob as estrelas, sob o céu enquanto caminhamos
Porque temos a certeza de que

Deus está presente.»

Aos que visitam o meu blogue

Este meu cantinho não passa só pelos meus poetas portugueses de eleição... houve muitas outras influências ao longo da minha vida: a dos escritores russos, entre eles destaco os meus preferidos: León Tolstói e Fiódor Dostoiévski. Do último li (os que me conhecem sabem porquê) quase toda a sua obra, muitíssimo bem traduzida (diretamente do russo e muito bem cuidada), cuja escolha de títulos tenho dificuldade em fazê-lo, mas a minha preferência aponta para Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov. Apesar de também ter gostado muito de O Duplo, O Jogador e O Idiota, todos traduzidos por Filipe e Nina Guerra e editados pela Editorial Presença. Aliás recomendo vivamente a todos que leiam estes livros porque vale a pena. São intemporais. Está ali tudo, até a crise atual.

 De Tolstói, a escolha vai para Anna Karenina e Guerra e Paz. Ambos lidos em plena juventude e que tiveram grande influência nos meus gostos e preferências literárias. Relativamente ao primeiro título deste autor, tenho uma tradução muito pouco fiável. Ando a «namorar» uma com muito mais qualidade, tenho a certeza, de António Pescada, porque é uma tradução diretamente do russo e sei que é muito cuidada.

Para os que não lidam diariamente com esta «problemática», ou que a desconhecem por completo, a tradução é muito importante, atrevo-me a afirmar, aliás, que é fundamental. Há expressões, «tiques» de linguagem que se perdem com a tradução de umas línguas para as outras. Ora um livro que foi escrito numa língua e é traduzido para outra, e, por sua vez, será para outra, pelo caminho muitas coisas se perdem. E isto passava-se com as traduções, até há bem pouco tempo, dos escritores russos: normalmente, a tradução para o português partia de livros escritos em francês. O meu Guerra e Paz resulta de uma tradução do francês, assinada por Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões. Ambos tradutores (e não só) de renome.

Felizmente que os nossos editores tiveram sensibilidade para este fenómeno e começaram a editar livros com traduções que partem de livros escritos na língua original. Para dar um pequeno exemplo de como a tradução é importantíssima para mim e deve ser importantíssima para vós: tenho 3 livros de Jane Eyre: um traduzido por alguém que já nem me lembro e dois pelo João Gaspar Simões. Um destes últimos estava em muito mau estado de conservação (de tantas vezes ter sido manuseado que as folhas ameaçam rasgar-se) daí ter comprado um outro, em 2004, com data de edição de janeiro desse mesmo ano, não coloco a editora, porque já fechou.

Agora, para além de andar a «namorar» o Ana Karenina com tradução de António Pescada, também ando a namorar o David Copperfield com a tradução de Cabral do Nascimento, também figura de vulto das nossas letras. É claro que tenho um outro David Copperfield, uma edição de luxo, que me foi oferecida pelos meus anos, talvez pelos meus 12 anos, e lido avidamente (naquela idade não dava importância à tradução, o que eu queria era ler, ler e ler, independentemente de quem traduzia o livro. A preocupação e o cuidado vieram mais tarde), carregado de figuras, mas não foi traduzido pelo Cabral do Nascimento.

Há manias e cada um de nós tem as suas. As minhas prendem-se com as traduções e com os livros... :-)))
Mas uma coisa podem vocês estar certos: há diferenças e muitas diferenças nas traduções. E um livro muito bem traduzido dá muito mais prazer.

domingo, 19 de agosto de 2012

O meu primeiro pão

Olá amig@s

Como um blogue não é só poesia ou literatura, vou agora falar de pão.
A fotografia que aqui veem é fruto do meu trabalho.
Hoje comprei uma máquina de fazer pão e este é o primeiro de muitos, espero eu. Com a máquina é supersimples fazer pão: metem-se lá para dentro os ingredientes e a maquineta faz tudo. Mexe, sova, leveda a massa e coze! Claro que não tem o aspeto delicioso dos pães da padaria, mas é igulamente saboroso. Este é um pão de mistura e tem a vantagem de não ter aditivos.
Digo-vos: acabadinho de fazer e barrado com manteiga é hmmmmm. :-))))

Poema em linha reta

«Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irresponsavelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar.
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão príncipe -- todos eles príncipes -- na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Poderão ter sido traídos -- mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.»

Fernando Pessoa/Álvaro de Campos

O novo acordo ortográfico

A tod@s os que se mantêm ainda renitentes quanto à nova forma de escrita, vou aqui deixar umas curtas palavras de Horácio, figura ilustre grega, na sua Arte Poética: « Foi lícito e lícito sempre será lançar um vocábulo cunhado com o selo da modernidade. Assim como as florestas mudam as folhas no declinar dos anos, e só as velhas caem, assim também cai em desuso a velha geração de palavras e, à maneira dos jovens, as que há pouco nasceram em breve florescem e ganham pleno vigor».

Aliás, se, ao longo de mais de 800 anos que tem a nossa língua pátria, não tivesse sofrido alterações, ainda agora escreveríamos e falaríamos assim:
«Ora faz ost'o senhor de Navarra
pois en Proenç'est el-rei d'Aragon;
non lh'an medo de lhis poer bozon
riir-s'an mui'en dura edarra
mais, se Deus trag'o senhor de Monçon,
ben mi cui'eu que a cunca lhis varra.»
João Soares de Paiva, 1196

Ou esta belíssima cantiga de amigo, atribuída a D. Sancho I, de 1199:
«Ay eu, coitada, como vivo
en gram cuydado por meu amigo
que ey alongado! Muyto me tarda
o meu amigo da Guarda.»

Ou ainda, mais um exemplo da nossa grafia de outrora, exemplificado neste trecho de uma cantiga de amor:
«Quand'eu passo per alguas ribeiras
so boas árvores, per bõos prados,
se cantam i pássaros namorados,
log'eu con amores i vou cantando
y logo ali d'amores vou trobando
y faço cantares en mil maneiras.

Eu en gran viço e grand'alegria,
quando mi as aves cantam no estio.»

E poderia continuar a dar-vos exemplos de que a língua portuguesa é uma língua viva. Por isso é necessário e fundamental continuar a dar-lhe vida para que cada vez mais outros povos a falem, a escrevam e a compreendam porque temos muitos Autores portugueses que merecem ser lidos na nossa língua pátria.
«Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.

A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio:
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé.

Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.

Deem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão brisa na face;
Deem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.

Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.»

Fernando Pessoa, Poesia

sábado, 18 de agosto de 2012

Olá Amig@s

Faz hoje precisamente 10 dias que criei este local de «postagem» de poemas, reflexões, curiosidades e até ao momento já tive 207 visualizações. Nada mau.
O que eu efetivamente acho curioso e fantástico é como isto da Internet chega a todo o lado. A nota máxima de visualizações vai para a Rússia (obrigada, muito obrigada!).
Claro, acharão vós, e com toda a razão, que 207 visualizações não é nada de especial, mas para mim que não dava nada por isto, não deixa de ser fenomenal! :-)))


Sempre a sorrir

Madre Teresa de Calcutá chega ao céu.
«Tens fome?» pergunta-lhe Deus.
Madre Teresa acena afirmativamente com a cabeça. Deus prepara uma sanduíche de atum de conserva em pão de centeio para os dois.
Entretanto, a virtuosa mulher olha para baixo e vê os glutões no inferno a devorarem bifes, lagostas, amêijoas, doces e vinho.
No dia seguinte Deus convida-a para outra refeição. Mais uma vez, o pão de centeio seco com atum de lata....
E mais uma vez, ela vê os do inferno a regalarem-se com uma verdadeira orgia gastronómica.
No dia a seguir, ao ser aberta a terceira lata de atum, Madre Teresa pergunta humildemente:
«Senhor, estou grata por me encontrar aqui convosco como recompensa pela vida casta, regrada e devotada que levei. Mas não compreendo: só comemos pão com atum enquanto do outro lado comem como reis...
«Ó Teresinha, sejamos realistas» diz Deus com um suspiro. «Achas que vale a pena cozinhar só para duas pessoas?»

...........................................
Uma mulher acorda durante a noite e percebe que o marido não está na cama. Veste o roupão e desce para o procurar.
Encontra-o na cozinha, de olhar fixo numa chávena, limpando uma lágrima.
«O que tens querido? Passa-se alguma coisa?»
O marido olha para ela e pergunta-lhe docilmente:
«Lembras-te, há 20 anos, daquela noite em que saímos juntos pela primeira vez? Tinhas tu 16 anos?»
«Sim, claro» responde a mulher. «Lembro-me como se fosse hoje!»
O marido fica silencioso e quando recomeça a falar, as palavras saem-lhe a custo:
«Lembras-te quando o teu pai nos apanhou no banco de trás do carro?»
«Sim, lembro-me muito bem. E foi um susto!»
«Lembras-te quando o teu pai apontou uma arma à minha cabeça» continuou o marido. «dizendo-me: "Ou casas com a minha filha, ou mando-te para a cadeira e ficas lá durante 20 anos"?»
«Lembro-me bem disso» respondeu ela carinhosamente.
O marido volta a limpar mais umas lágrimas que lhe escorriam pela cara e acrescenta:
«Pois é... Hoje, 20 anos depois, eu já estaria em liberdade!...»

Almanaque de Santo António

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa, Cancioneiro

A preguiça

Hoje estou preguiçosa para me pôr para aqui a escrever. Pudera, estive praticamente toda a noite acordada por causa de uma festa da vila. Tocou uma banda até cerca das 3 ou 4 da manhã e depois vieram os CD com som da «pesada». Ainda agora colocaram um disco em tais decibeis que até os vidros das janelas vibraram. Suponho que esta noite seja semelhante à anterior. :-((((

Provérbios

«Boa casada é a que não tem sogra nem cunhada.»

«Com jeito se leva o mundo, de tudo o jeito é capaz, o caso é ajeitar-se o jeito, como muita gente faz.»

«Mulheres são todas muito tenras no querer, mas duras no aborrecer.»

«Há mulheres que têm um homem para honra e outro para proveito.» (Esta é supermachista!!!)

Miserere (Salmo 50)



Para um fim de noite, vou colocar aqui o célebra salmo miserere. É um salmo que se insere no grupo dos penitenciais. Atribui-se a sua autoria ao rei David. É costume rezar-se este salmo nas laudes de sexta-feira.

Para quem não sabe, «laudes» quer dizer «louvor» daí que normalmente esta oração corresponde ao período do despontar da manhã. À oração do final da tarde dá-se o nome de vésperas e à da noite, completas. A este ciclo dá-se o nome de liturgia das horas. Estas três orações são as mais importantes e entre umas e outras ainda há as intermédias (tércia, por volta das 9 da manhã, sexta, ao meio-dia e noa, às 3 da tarde).`E ainda há a «matinas» que corresponde ao atual Ofício Divino que é ainda normalmente rezado a meio da noite, por volta das 5 da manhã.

O salmista suplica a Deus que o perdoe e liberte das suas faltas.

«Salmo 50

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
   pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
   e purificai-me de todas as faltas.

Porque eu reconheço os meus pecados
   e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
Pequei contra Vós, só contra Vós,
   e fiz o mal diante dos vossos olhos.

Assim é justa a vossa sentença
   e reto o vosso julgamento.
Porque eu nasci na culpa
   e minha mãe concebeu-me em pecado.

Amais a sinceridade de coração
   e fazeis-me conhecer a sabedoria no íntimo da alma.
Aspergi-me com o hissope e ficarei puro,
   lavai-me e ficarei mais branco do que a neve.

Fazei-me ouvir uma palavra de gozo e de alegria
   e estremeçam meus ossos que triturastes.
Desviai o vosso rosto das minhas faltas
   e purificai-me de todos os meus pecados.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
   e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
   e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
   e sustentai-me com espírito generoso.
Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos
   e os transviados hão de voltar para Vós.

Ó Deus, meu Salvador, livrai-me do sangue derramado
   e a minha língua proclamará a vossa justiça.
Abri, Senhor, os meus lábios
   e a minha boca anunciará o vosso louvor.

Não é do sacrifício que Vos agradais
   e, se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis.
Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependendido:
   não desprezeis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.

Pela vossa bondade, tratai Sião com benevolência,
   reconstruí os muros de jerusalém.
Então vos agradareis dos sacrifícios devidos,
   oblações e holocaustos, então serão oferecidos vítimas sobre o vosso altar.»

Saltério

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

In memoriam de uma livraria

Muitos dos livros aos quais tenho recorrido para colocar aqui alguns poemas, citações, provérbios, etc. foram comprados numa livraria, na Livraria Portugal que se situava na Rua do Carmo, próximo do Chiado. Desde que fui para Lisboa, em 2000, passou a ser a minha livraria de eleição. Fascinavam-me aquelas paredes carregadas de saber, com alguns recantos que escondiam livros que não se vendiam em qualquer livraria ou hipermercado ou supermercado.
Mal se atravessava a porta, chegava até nós o cheiro do papel. Em grandes mesas estavam colocadas as novidades. Mas o meu interesse não eram as novidades, mas sim aqueles livros de pequena tiragem: os livros sobre filosofia, as obras de Shaskespeare, os dicionários, os livros de poesia e tantos outros que eu retirava das prateleiras de madeira e desfolhava avidamente. Quando me dirigia a qualquer dos funcionários indagando sobre géneros e onde os encontrar, rapidamente era encaminhada para o local certo. E ali poderia permanecer o tempo que me apetecesse. Tantas e tantas vezes fui para o metro, em direção a casa, com os sacos de plástico a abarrotar de livros! Sempre que me apetecia comprar para ler algum livro especial, eu sabia que o ia encontrar na Livraria Portugal. E foi verdade. E assim foi durante 12 anos até fevereiro deste ano. Nos finais desse mês, a minha Livraria Portugal encerrou as portas... E encerrou-as de tal maneira que, ao passar por aquele lugar, me é muito difícil encontrar o seu local de outrora.

Ao pegar nestes meus livros comprados naquela catedral do livro, bate à porta do meu coração uma imensa saudade. Tenho esperança que tu, minha Fénix, renasças um dia das cinzas em que a fogueira da crise ou não crise, da liberalização do mercado ou não mercado te transformou. E renasças com uma roupagem nova, mas com a mesma essência de outrora: os livros que não estão nos supermercados, nos hipermercados, ou seja lá onde for, os tenhas tu escondidos nos recantos do teu ser para que eu os possa ler, saborear as palavras, cheirar, partilhar...

Até sempre!

Reflexões

Olá amig@s

Tenho «postado» aqui no meu blogue alguns poemas dos meus poetas favoritos, não porque me sinto a «morrer de amores» tal como a Florbela Espanca, ou algo semelhante, mas porque lhes encontro beleza linguística. Florbela Espanca, aliás já aqui coloquei uma breve biografia desta poetisa, era uma mulher doente e isso passa para os seus versos. Há muito tempo alguém a definiu como uma mulher «lamechas e sempre a suspirar por amores terminados ou impossíveis». Já não me recordo quem disse isto. Mas não é por causa da lamechice exagerada que os seus versos não são bonitos.

Nos nossos tempos de liceu a poesia, e literatura em geral, foi-nos ensinada de acordo com o programa estabelecido. Fomos obrigados a dissecar os versos um a um, à semelhança de um médico-legista que abre o corpo que jaz numa marquesa, lhe retira as entranhas, observa os órgãos ao microscópio e os pesa numa balança. Ora tal «investigação» retira toda a beleza aos nossos poetas. Ficámo-lhes com tal «alergia» que nem lhes descobrimos beleza ou sentido. Hei de, com o tempo, colocar mais versos de outros poetas: Cesário Verde, Antero de Quental e outros mais recentes e menos conhecidos. Tudo para vos voltar a lembrar que ler poesia sem a pressão da dissecação dos versos, das palavras, analisá-las à lupa, esmiuçar o poema, lê-lo da esquerda, virá-lo, lê-lo da direita, esticá-lo, espremê-lo e por fim deixá-lo completamente desventrado, sem sumo e sem conteúdo, ficando apenas um sabor amargo e desagradável de tarefa concluída. E dessa memória acreditamos que a poesia é chata, muito chata e todos poetas são umas grandes secas que só escreveram para nos infernizar a vida :-)

Que tal método continue a ser seguido na faculdade, acho muito bem, mas que ainda se continue a seguir o mesmo processo no liceu... não sou dessa opinião. A literatura especialmente a poesia deviam ser olhadas não como uma desventração de palavras, sílabas, saber se há aliteração num soneto, uma elipse ou uma metáfora; se o poema sofre de uma terrível doença de pleonasmo ou de hipérbole ou, pior pior, se padece de uma virulenta anástrofe! Não e não. Os senhores que criam os programas que me perdoem a audácia, mas não partilho das vossas escolhas. A poesia e a lituratura deveriam seguir um programa leve, ensinar, sim, os jovens a gostarem de ler os nossos Poetas, levá-los a sentirem os versos, a musicalidade da rima, a encontrar-lhes beleza e pontos de semelhança com a vida quotidiana e a amarem a poesia. Ensiná-los a gostar de ler e a levá-los a descobrir que leitura não é aborrecimento. E, continuo a esplanar a minha opinião, evidentemente, não é seguindo um programa que obriga a saber se o narrador é autodiegético, heterodiegético ou homodiegético, se a focalização é interna, externa ou omnisciente, se a personagem é redonda ou plana...
É curioso que na faculdade não me recordo de ter aprofundado com tanto rigor um romance ou um poema como nos meus tempos de liceu. E ainda bem que assim foi, porque se assim não fosse acredito que ainda agora abominava totalmente estes grandes Poetas que aqui tenho colocado.

Esta, claro, é a minha opinião e eu apenas tenho uma licenciatura e uma habilitação própria para lecionar Língua Portuguesa. Então que sei eu?