sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Reflexões

Olá amig@s

Tenho «postado» aqui no meu blogue alguns poemas dos meus poetas favoritos, não porque me sinto a «morrer de amores» tal como a Florbela Espanca, ou algo semelhante, mas porque lhes encontro beleza linguística. Florbela Espanca, aliás já aqui coloquei uma breve biografia desta poetisa, era uma mulher doente e isso passa para os seus versos. Há muito tempo alguém a definiu como uma mulher «lamechas e sempre a suspirar por amores terminados ou impossíveis». Já não me recordo quem disse isto. Mas não é por causa da lamechice exagerada que os seus versos não são bonitos.

Nos nossos tempos de liceu a poesia, e literatura em geral, foi-nos ensinada de acordo com o programa estabelecido. Fomos obrigados a dissecar os versos um a um, à semelhança de um médico-legista que abre o corpo que jaz numa marquesa, lhe retira as entranhas, observa os órgãos ao microscópio e os pesa numa balança. Ora tal «investigação» retira toda a beleza aos nossos poetas. Ficámo-lhes com tal «alergia» que nem lhes descobrimos beleza ou sentido. Hei de, com o tempo, colocar mais versos de outros poetas: Cesário Verde, Antero de Quental e outros mais recentes e menos conhecidos. Tudo para vos voltar a lembrar que ler poesia sem a pressão da dissecação dos versos, das palavras, analisá-las à lupa, esmiuçar o poema, lê-lo da esquerda, virá-lo, lê-lo da direita, esticá-lo, espremê-lo e por fim deixá-lo completamente desventrado, sem sumo e sem conteúdo, ficando apenas um sabor amargo e desagradável de tarefa concluída. E dessa memória acreditamos que a poesia é chata, muito chata e todos poetas são umas grandes secas que só escreveram para nos infernizar a vida :-)

Que tal método continue a ser seguido na faculdade, acho muito bem, mas que ainda se continue a seguir o mesmo processo no liceu... não sou dessa opinião. A literatura especialmente a poesia deviam ser olhadas não como uma desventração de palavras, sílabas, saber se há aliteração num soneto, uma elipse ou uma metáfora; se o poema sofre de uma terrível doença de pleonasmo ou de hipérbole ou, pior pior, se padece de uma virulenta anástrofe! Não e não. Os senhores que criam os programas que me perdoem a audácia, mas não partilho das vossas escolhas. A poesia e a lituratura deveriam seguir um programa leve, ensinar, sim, os jovens a gostarem de ler os nossos Poetas, levá-los a sentirem os versos, a musicalidade da rima, a encontrar-lhes beleza e pontos de semelhança com a vida quotidiana e a amarem a poesia. Ensiná-los a gostar de ler e a levá-los a descobrir que leitura não é aborrecimento. E, continuo a esplanar a minha opinião, evidentemente, não é seguindo um programa que obriga a saber se o narrador é autodiegético, heterodiegético ou homodiegético, se a focalização é interna, externa ou omnisciente, se a personagem é redonda ou plana...
É curioso que na faculdade não me recordo de ter aprofundado com tanto rigor um romance ou um poema como nos meus tempos de liceu. E ainda bem que assim foi, porque se assim não fosse acredito que ainda agora abominava totalmente estes grandes Poetas que aqui tenho colocado.

Esta, claro, é a minha opinião e eu apenas tenho uma licenciatura e uma habilitação própria para lecionar Língua Portuguesa. Então que sei eu?

Sem comentários: