domingo, 19 de agosto de 2012

O novo acordo ortográfico

A tod@s os que se mantêm ainda renitentes quanto à nova forma de escrita, vou aqui deixar umas curtas palavras de Horácio, figura ilustre grega, na sua Arte Poética: « Foi lícito e lícito sempre será lançar um vocábulo cunhado com o selo da modernidade. Assim como as florestas mudam as folhas no declinar dos anos, e só as velhas caem, assim também cai em desuso a velha geração de palavras e, à maneira dos jovens, as que há pouco nasceram em breve florescem e ganham pleno vigor».

Aliás, se, ao longo de mais de 800 anos que tem a nossa língua pátria, não tivesse sofrido alterações, ainda agora escreveríamos e falaríamos assim:
«Ora faz ost'o senhor de Navarra
pois en Proenç'est el-rei d'Aragon;
non lh'an medo de lhis poer bozon
riir-s'an mui'en dura edarra
mais, se Deus trag'o senhor de Monçon,
ben mi cui'eu que a cunca lhis varra.»
João Soares de Paiva, 1196

Ou esta belíssima cantiga de amigo, atribuída a D. Sancho I, de 1199:
«Ay eu, coitada, como vivo
en gram cuydado por meu amigo
que ey alongado! Muyto me tarda
o meu amigo da Guarda.»

Ou ainda, mais um exemplo da nossa grafia de outrora, exemplificado neste trecho de uma cantiga de amor:
«Quand'eu passo per alguas ribeiras
so boas árvores, per bõos prados,
se cantam i pássaros namorados,
log'eu con amores i vou cantando
y logo ali d'amores vou trobando
y faço cantares en mil maneiras.

Eu en gran viço e grand'alegria,
quando mi as aves cantam no estio.»

E poderia continuar a dar-vos exemplos de que a língua portuguesa é uma língua viva. Por isso é necessário e fundamental continuar a dar-lhe vida para que cada vez mais outros povos a falem, a escrevam e a compreendam porque temos muitos Autores portugueses que merecem ser lidos na nossa língua pátria.

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