Epicuro e o epicurismo
Filósofo grego, nasceu na ilha de Samos em janeiro ou fevereiro de 341 a. C. Foi para Atenas aos 18 anos e estudou filosofia. Aos 32 anos fundou uma escola que se situava num jardim, pelo que os seus discípulos e seguidores foram chamados «filósofos do jardim».
Epicuro via na filosofia o caminho para alcançar a felicidade. É através da filosofia que o homem se liberta de todo o desejo inquieto e maléfico. O filósofo fazia a distinção da filosofia em três partes: a canónica, a física e a ética.
A canónica (de canon) é uma regra que orienta o ser humano para a felicidade e assenta no critério da verdade, que é constituído pelas sensações, pelas antecipações e pelas emoções. Ora como a sensação é sempre verdadeira, umas e outras, uma vez que dela derivam, também são verdadeiras, constituindo o critério fundamental da verdade.
A física de Epicuro baseia-se em que tudo o que existe é corpo, porque só o corpo pode agir ou sofrer uma ação. Do incorpóreo, segundo a opinião do filósofo, só existe o vazio. Assim, todo o nascimento ou morte não é mais do que agregação e desagregação dos corpos. Admite a existência de divindades neste mundo, com a forma humana, porém mais perfeita. As divindades, à semelhança dos seres humanos, também mantêm sentimentos de amizade entre si; e habitam os espaços entre mundo e mundo. Segundo o filósofo, estas divindades não se preocupam com o mundo nem com os homens, porque se isso acontecesse, impor-lhes-ia uma obrigação, e as divindades não têm obrigações, pelo contrário, vivem livres e felizes.
A ética. A felicidade consiste no prazer. Tende-se para o prazer e foge-se da dor. Há dois tipos de prazeres: o prazer estável e o prazer em movimento. O primeiro está ligado à privação da dor e o segundo ao gozo e à alegria. É erróneo associar-se epicurismo ao hedonismo, uma vez que o epicurismo não defende o abandono do ser humano ao prazer por si só, mas sim ao prazer alicerçado no cálculo e na medida dos prazeres. A sabedoria prática, para atingir a vida agradável, é fundamental. E a vida agradável consegue-se não através dos prazeres sensoriais mas sim através do viver bem; de modo que quem vive durante mais tempo não obtém mais prazer do que quem vive menos tempo. Assim, um estado de tranquilidade ou de imperturbalidade (ataraxia) é a mais elevada forma de felicidade e o objetivo correto da vida, o que exige compreender os limites da vida, não ter medo da morte, cultivar a amizade e eliminar os desejos que não são necessários e os falsos prazeres.
São célebres algumas das suas máximas:
«O mais terrível dos males, a morte, não é nada para nós, porque quando existimos nós não existe a morte, quando existe a morte não existimos nós.»
«Só o cálculo cuidado dos prazeres pode conseguir que o homem se baste a si próprio e não se converta em escravo das necessidades e da preocupação pelo amanhã.»
«É não só mais belo, mas também mais agradável fazer o bem do que recebê-lo.»
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