segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Aos que visitam o meu blogue

Este meu cantinho não passa só pelos meus poetas portugueses de eleição... houve muitas outras influências ao longo da minha vida: a dos escritores russos, entre eles destaco os meus preferidos: León Tolstói e Fiódor Dostoiévski. Do último li (os que me conhecem sabem porquê) quase toda a sua obra, muitíssimo bem traduzida (diretamente do russo e muito bem cuidada), cuja escolha de títulos tenho dificuldade em fazê-lo, mas a minha preferência aponta para Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov. Apesar de também ter gostado muito de O Duplo, O Jogador e O Idiota, todos traduzidos por Filipe e Nina Guerra e editados pela Editorial Presença. Aliás recomendo vivamente a todos que leiam estes livros porque vale a pena. São intemporais. Está ali tudo, até a crise atual.

 De Tolstói, a escolha vai para Anna Karenina e Guerra e Paz. Ambos lidos em plena juventude e que tiveram grande influência nos meus gostos e preferências literárias. Relativamente ao primeiro título deste autor, tenho uma tradução muito pouco fiável. Ando a «namorar» uma com muito mais qualidade, tenho a certeza, de António Pescada, porque é uma tradução diretamente do russo e sei que é muito cuidada.

Para os que não lidam diariamente com esta «problemática», ou que a desconhecem por completo, a tradução é muito importante, atrevo-me a afirmar, aliás, que é fundamental. Há expressões, «tiques» de linguagem que se perdem com a tradução de umas línguas para as outras. Ora um livro que foi escrito numa língua e é traduzido para outra, e, por sua vez, será para outra, pelo caminho muitas coisas se perdem. E isto passava-se com as traduções, até há bem pouco tempo, dos escritores russos: normalmente, a tradução para o português partia de livros escritos em francês. O meu Guerra e Paz resulta de uma tradução do francês, assinada por Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões. Ambos tradutores (e não só) de renome.

Felizmente que os nossos editores tiveram sensibilidade para este fenómeno e começaram a editar livros com traduções que partem de livros escritos na língua original. Para dar um pequeno exemplo de como a tradução é importantíssima para mim e deve ser importantíssima para vós: tenho 3 livros de Jane Eyre: um traduzido por alguém que já nem me lembro e dois pelo João Gaspar Simões. Um destes últimos estava em muito mau estado de conservação (de tantas vezes ter sido manuseado que as folhas ameaçam rasgar-se) daí ter comprado um outro, em 2004, com data de edição de janeiro desse mesmo ano, não coloco a editora, porque já fechou.

Agora, para além de andar a «namorar» o Ana Karenina com tradução de António Pescada, também ando a namorar o David Copperfield com a tradução de Cabral do Nascimento, também figura de vulto das nossas letras. É claro que tenho um outro David Copperfield, uma edição de luxo, que me foi oferecida pelos meus anos, talvez pelos meus 12 anos, e lido avidamente (naquela idade não dava importância à tradução, o que eu queria era ler, ler e ler, independentemente de quem traduzia o livro. A preocupação e o cuidado vieram mais tarde), carregado de figuras, mas não foi traduzido pelo Cabral do Nascimento.

Há manias e cada um de nós tem as suas. As minhas prendem-se com as traduções e com os livros... :-)))
Mas uma coisa podem vocês estar certos: há diferenças e muitas diferenças nas traduções. E um livro muito bem traduzido dá muito mais prazer.

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