Muitos dos livros aos quais tenho recorrido para colocar aqui alguns poemas, citações, provérbios, etc. foram comprados numa livraria, na Livraria Portugal que se situava na Rua do Carmo, próximo do Chiado. Desde que fui para Lisboa, em 2000, passou a ser a minha livraria de eleição. Fascinavam-me aquelas paredes carregadas de saber, com alguns recantos que escondiam livros que não se vendiam em qualquer livraria ou hipermercado ou supermercado.
Mal se atravessava a porta, chegava até nós o cheiro do papel. Em grandes mesas estavam colocadas as novidades. Mas o meu interesse não eram as novidades, mas sim aqueles livros de pequena tiragem: os livros sobre filosofia, as obras de Shaskespeare, os dicionários, os livros de poesia e tantos outros que eu retirava das prateleiras de madeira e desfolhava avidamente. Quando me dirigia a qualquer dos funcionários indagando sobre géneros e onde os encontrar, rapidamente era encaminhada para o local certo. E ali poderia permanecer o tempo que me apetecesse. Tantas e tantas vezes fui para o metro, em direção a casa, com os sacos de plástico a abarrotar de livros! Sempre que me apetecia comprar para ler algum livro especial, eu sabia que o ia encontrar na Livraria Portugal. E foi verdade. E assim foi durante 12 anos até fevereiro deste ano. Nos finais desse mês, a minha Livraria Portugal encerrou as portas... E encerrou-as de tal maneira que, ao passar por aquele lugar, me é muito difícil encontrar o seu local de outrora.
Ao pegar nestes meus livros comprados naquela catedral do livro, bate à porta do meu coração uma imensa saudade. Tenho esperança que tu, minha Fénix, renasças um dia das cinzas em que a fogueira da crise ou não crise, da liberalização do mercado ou não mercado te transformou. E renasças com uma roupagem nova, mas com a mesma essência de outrora: os livros que não estão nos supermercados, nos hipermercados, ou seja lá onde for, os tenhas tu escondidos nos recantos do teu ser para que eu os possa ler, saborear as palavras, cheirar, partilhar...
Até sempre!
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