segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Homenagem ao Porto

-- O Porto! -- dizia ela. -- Então mas o senhor já viu terra mais linda e gente mais séria?
Devo confessar ter-lhe respondido que a respeito de boniteza havia visto melhor, mas quanto a seriedade, concordei. E acrescento agora que só quem de todo quiser negar as evidências e apagar o facho de gerações e gerações, é que pode deixar de combater para que esta terra não continue a ser o reduto das nossas velhas virtudes, das quais é certamente a mais perdida a que D. João de Castro sabia que se chamava honradez.
A velha e, hoje, para muitos, ridícula cena das barbas, lá nas terras onde só coisas dessas nos fizeram grandes, não vem aqui ao acaso, nem por simples motivo de expressão. Vem porque se emoldura justamente neste caixilho sólido de castanho velho, e porque quero tirar dela o significado profundo que ela tem.
O indivíduo que põe num cabelo seu o valor de todo o resto de si, é um homem perfeito. Da cabeça aos pés, passando pela alma, a sua unidade não tem fendas, e joga como um bloco maciço. É uma força invencível. Ora se por graça da sorte o cabelo transpõe, e em vez de ser um pelo da cara passa a ser uma cidade inteira, então o perfeito torna-se sublime, e nós temos esta coisa única e reveladora: o cidadão do Porto, o homem português mais livre, mais humano, mais responsável e mais uno que a nossa pátria deu.
Formado na escola do trabalho remunerado, da solidariedade correspondida, da liberdade conquistada e dos direitos adquiridos, o filho desta terra, das origens até agora, foi sempre ao mesmo tempo ímpar e ubíquo na história de Portugal.
À semelhança do antigo vice-rei, que não era daqui mas podia ter sido, cada filho do Porto soube sempre dar o Porto por penhor dos seus atos. Dá-lo e remi-lo honradamente.
Toda a forma serena e acabada de uma expressão é um classicismo imortal. Nas sociedades, como na arte, esses estados atingem-se de vez em quando, e são marcos padrões de uma graça por que a vida se esforça. Na história portuguesa, os mais altos momentos, não do nosso génio, mas da nossa plenitude atingida, foram aqui. Uma saudável consciência gregária, uma solidez de processos de conduta e relação, deram a este aglomerado humano foros de única grande cidade castiçamente nossa. Deram-lhe isto a que eu chamo o classicismo social português.
O próprio mar, que sempre se lhe negou, mantendo-se renitentemente indócil a todas as solicitações, afastando a cidade da grande epopeia de Lisboa, a tornou mais nossa, mais nacional, agrária e comercial no telúrico e íntimo destino que nos esperava.
A aventura das descobertas foi um espasmo onde a seiva minhota, transmontana e beiroa entrou sem convicção. Por isso o Porto mandou à façanha do infante de Sagres e Pêro Vaz de Caminha, seus filhos, um para empurrar as naus, outro para dar notícias da chegada delas ao Brasil, e como mãe tinha cumprido o seu dever, longe do feito, continuou o seu labor de capital terrosa e barrosã de Portugal. Bem sei que há Ceuta, onde o Porto deu tudo. Mas uma coisa é um gesto, e outra uma obstinação.
Não é que ter ido à Índia tire a Lisboa significação e sentido. Pudéssemos nós ir às Índias deste tempo!
Chão humoso nas nossas caseiras virtudes e defeitos, Porto de Portugal e não da Europa ou do mundo, quem como eu faz persistentemente e incansavelmente o trajeto espectral da nossa pátria, há de por força senti-lo tal e qual como eu, embalado numa toalha velha e diligente de socos a roer granito -- é Portugal por uma pena. São as fragas da Estrela a dar centeio, as de Barroso a dar batata, e o milho as do Gerês. É uma existência arrancada a uma courela onde tudo cresce em dor.
Até no ritmo de progredir, na maneira formal de realização, eu julgo ver o Porto com mais caráter português. Um certo cortar em largo, em medida exagerada às nossas forças, em estilo de embaixada de D. Manuel e de convento de Mafra, com um pouco de mais bom senso, claro está, tem aqui a sua morada. Sem mesmo faltar depois a nossa costumada renúncia, sentimental na sua aparência e tragicamente fatal no seu fundo. O tal ímpeto desmedido vai por aí acima num rompante de Avenida dos Aliados; mas para daí a pouco, embasbacado diante da Igreja da Trindade.
Eu não cuido de saber neste momento se sim ou não se devem levar todas as avenidas ao fim. Quero apenas oferecer à meditação dos portugueses, sobretudo aos do Porto, esta parábola contemporânea.

Miguel Torga, O Porto

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


«Ó Alma Portuguesa, agora exulta;
E, num protesto ousado,
repele a ignara gente que te insulta,
Clamando: "Povo exausto e infortunado,
Que existe apenas pelo seu passado!"
Dizê-lo deixarás sem que o desmintas?
Queres tu num sarcófago de gelo
Dormir, sonhando com ações extintas?...
Não; tu hás de viver; e ardendo em zelo,
Lutar com o mau destino até vencê-lo!
Que te falta? Valor? Não; esperança!
Em ti própria não crês; vagas aflita,
Na indecisão estranha que te irrita,
E em pensamentos lúgubres te lança...
Mas a esperança ressuscita!
Não muda a raça, embora o tempo mude.
Em ti, alma serena,
O génio não morreu, nem a virtude;
Inda nas mãos da lusa juventude
Podem caber charrua, espada e pena...
Alma complexa, que o valor guerreiro
Conduziu muito além da Taprobana;
E que exprimir soubeste, na profana
Graça dos fados e do Romanceiro,
A tua lírica emoção humana;
Alma suave e pia,
Alma candente e heroica,
Leal no intento, simples na energia,
No sofrimento resignada e estoica,
Doce no amor e na melancolia;
Eia, arranca de ti o manto escuro
Dessa austera, apagada e vil tristeza;
E tendo o Gama audaz por palinuro,
Vai conquistar as Índias do futuro,
Ó Alma Portuguesa!»

Magalhães Azevedo, Língua Pátria

domingo, 23 de dezembro de 2012

Um Santo Natal

Desejo a todos os meus leitores um Santo e feliz Natal e como não poderia deixar de ser, os votos são acompanhados de uma poesia de David Mourão-Ferreira.

«Voto de Natal
Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas mãos! E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida...
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
Ó calor destas mãos nos meus dedos tão frios!
Acenda-se de novo o Presépio nas almas.
Acenda-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

David Mourão-Ferreira, Obra Poética.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ora, ora, ora

Ora bolas, afinal não houve fim do mundo! Óooooooo! Continua tudo igual ao dia de ontem: o primeiro-ministro ainda lá está e mais o superministro e mais o ministro das finanças, a troika e tudo o resto! Que pena. Ehehehehehe!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Brincando

Dizem que o mundo vai terminar amanhã. Apenas deixarei aqui umas palavras de que gostei imenso de partilhar o meu espaço convosco. E se isso acontecer estou como o José Rodrigues dos Santos o disse hoje no fim do telejornal: manter-me-ei no meu posto e relatarei tudo em direto.
Como nada disto vai acontecer, apenas pretendi partilhar convosco um pouco de bom humor. É que. sabem, não dava jeito nenhum o mundo acabar amanhã!

Posto isto despeço-me com amizade e vemo-nos amanhã, sim?.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Mais uma ideia

Mais uma ideia delicada e bonita: um porta-sabonete crochetado em linha de algodão tricolorida n.º 12.
Para quem esteja interessado, aceitam-se encomendas :-)
E agora minhas amigas, vou executar mais uns trabalhos. 
Até ao próximo post.

Dois panos em croché


Aqui estão mais dois panos que podem ter várias utilidades e que até fazem conjunto uma vez que foram utilizados os mesmos tons bonito e delicados que dão  aqualquer cozinha um toque de requinte. O pano de cima estava no modelo crochetado em algodão branco, mas decidi dar-lhe uns tons mais coloridos que ficam muito bem na cozinha.
Este saquinho vermelho e branco já tem destinatária. Aliás, já lhe estava prometido desde a Páscoa do ano anterior.

Pormenor


Continuação, mas mais cores


O mesmo desenho mas com cores diferentes. 

Ideias para lembranças de Natal

Olá, amig@s
Uma ideia para uma prendinha de Natal simples, barata e personalizada.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Continuação sobra a conversa deste superministro

Se por acaso tiveram curiosidade de consultar a página que eu indiquei deste superministro, poderão constatar que, pobrezinho, se reformou tão novo com 14 000 euros por mês... Tadinho e eu sou apenas mais nova do que ele três aninhos e estou sem exercer qualquer atividade, o que quer dizer que não tenho ordenado, nem tão-pouco tenho direito ao fundo de desemprego, nem a nada, porque, enfim, sempre trabalhei honestamente para a função privada e nunca usufruí de benesses!
É que nem me posso considerar desempregada, porque como exerço uma atividade por conta própria nem entro no Centro de (des)Emprego...
E este superministro, tão culto, tão estudioso, tão académico, se deve ter esgotado com tanta atividade académica, claro, que se reformou ao 51 anos esgotado completamente... Arre, porque não, afinal? A presidente da assembleia também é uma reformada aos 54 anos com mais de 7500 euros por mês, do Tribunal Constitucional! Pobres de nós... estamos a ser governados por um bando de reformados! Não é por mero acaso que Portugal tem um índice tão baixo de natalidade... É um país de reformados, de velhos...! 
Olhem bem para a carinha dele; olhem bem para a carinha da presidente da assembleia da República, não vos parecem ambos velhinhos e a necessitarem de reforma, porque ambos estão absolutamente exaustos com tanto trabalho? Só não acredita quem é um grandessíssimo invejoso, ou invejosa, porque se vê logo que ambos necessitam de uma reforma antecipada porque ambos estão esgotados! Aliás como estão esgotados todos os que pertencem a este grupo. Trabalhar na função pública sempre esgotou qualquer trabalhador. E digo isto porque têm um horário estafante, cerca de 22 horas semanais ou 32 horas, mediante o tipo de trabalho, enquanto que os da função privada, autênticos «preguiçosos», «javardolas», trabalham umas míseras 40 horas de trabalho semanais! E há uns pobres coitados de trabalhadores da função privada, que ainda têm a coragem de trabalhar mais de 60 horas por semana sem lhes serem pagas as horas extras...  E, na melhor das hipóteses, é-lhes pago os subsídios, porque a maior parte da função privada já não lhes é pago os subsídios, não têm aumentos e muitos, infelizmente, nem lhes é pago o salário mensal! 
Realmente de que se queixa a função privada? Devem estar a gozar comigo, connosco, com todos, não é verdade?
Já para não abordar um tema caro e muito em moda que é o da assistência médica. Deste assunto falarei em próximos artigos.

Por isso não podemos estar mais solidários com o cansaço que obriga os nossos dirigentes a serem reformados antes dos 50 anos. A vida política cansa, esgota e provoca cabelos brancos. Daí que este governo esteja tão interessado em aumentar o nosso tempo de trabalho (que me digam onde, que eu prometo fazê-lo) porque eles necessitam urgentemente de quem lhes alimente as reformas chorudas que eles próprios estipularam ter de direito. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Continuação do superministro

Não faz parte do meu feitio acusar alguém sem culpa formada. Contudo só posso contar-vos o que se passou nestes 25 minutos depois de eu publicar a anterior mensagem: o meu blogue ficou totalmente entupido. Quis publicar e expandir a mensagem e só me dava erro.
Até estou a pensar que o superministro é mesmo super e está em todo o lado. Será que ele é omnipresente? Lê, ouve através de paredes? Neste caso através da blogosfera?  

Continuo a não conseguir publicar...

O superministro Miguel Relvas... e as suas supermedidas




Hoje vou falar-vos de um superministro chamado Miguel Relvas. Este ilustríssimo ministro nasceu no ano de 1961. Três anos depois nasci eu. Se estiverem interessados na sua biografia apresento-vos aqui o link de todo o historial de tal ilustre figura: http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Relvas. Acedam e ficarão totalmente elucidados quanto às capacidades académicas e culturais de tal célebre figura que faz parte do nosso figurino governamental e além disso tem dossiês tão importantes como privatização dos órgãos de comunicação social, ordenamento do território e muitos mais... 
Vou tratar primeiro da privatização versus venda ao desbarato, provavelmente aos angolanos ou chineses, dos órgãos de comunicação social. Como todos sabem a RTP é uma televisão pública que tem vários canais, um deles a RTP 2, que, pelos vistos, vai ser vendido. Ora se há canal com mais serviço público é o da RTP 2. Ontem ouvi uma notícia que me pôs em estado de choque!
Eu sou aquilo a que vulgarmente se chama um rato de biblioteca, ou uma formiguinha, que colhe e busca incessantemente por programas culturais, livros, leitura de jornais e revistas culturais, cujos temas foquem a literatura e artes. O programa «Câmara Clara» ao domingo à noite era uma das minhas fontes de informação e enriquecimento. Ao domingo à noite, na minha opinião,  não há um único canal que passe nada de interesse, pelo menos para mim. E a RTP 2 ao domingo à noite era uma lufada de ar fresco nesta pobreza de programas que preenchem todo o fim de semana. Quantas vezes recorri a este canal também ao sábado à noite, porque nada mais vi de interesse noutros, e tenho televisão por cabo com mais de 200 canais...
É claro que poderão dizer: «A culpa é tua, porque não tens um programa ao fim de semana com os amigos, filhos, etc. etc.» Pois, não tenho e como tal recorro ao quadrado mágico. Que de mágico nada tem. E agora, depois disto, a que fonte irei beber e saciar a minha sede de cultura? Como hei de passar as minhas monótonas noites de sábado e domingo? A ver telenovelas? A ver a Casa dos Segredos? A dar com a cabeça nas paredes?
Eu tenho dois cursos superiores (um na área das humanidades e outro na área das engenharias) e uma pós-graduação que me custaram anos de vida e de estudo profundo e intenso. Infelizmente, não consegui umas equivalências mágicas que me deram as licenciaturas magicamente, tipo «trigo limpo, farinha Amparo» ou nem tão-pouco todas as minhas habilitações académicas não me saíram num pacote de detergente ou numa «raspadinha», ao contrário de outros que agora até têm o poder de decidir aquilo que vendem e o que não vendem sem perceberem patavina do que estão a fazer e se estão nas tintas para o mal que fazem aos cidadãos que lutaram, e ainda lutam, por um emprego ou trabalho decente na área que têm habilitações académicas e se esforçaram para o ter, porque estudaram muito para o conseguir. 
Se isto se passa ao nível de um canal de televisão, o que não será no resto!!

Vamos agora deixar o meu mal-estar quanto ao meu canal preferido e passar a outro que também me é caro: o ordenamento do território. É evidente que não há um elemento do grupo que nos governa que quer ir contra os poderes instalados. Não têm coragem para tal e portanto vão eliminar uma série de freguesias, porque é mais fácil. A começar a «purga» que seja sempre pela plebe e pelas minorias. Dá mais jeito, é mais fácil e não provoca engulhos. Afinal, a população é algo menor e dispensável. 

A noção de freguesia é anterior à nacionalidade portuguesa, na forma que a conhecemos atualmente. O vocábulo «freguesia» remonta ao século XIII e significa o seguinte: «agrupamento, conjunto de fregueses de uma determinada paróquia ou freguesia». Quando o antiquíssimo Condado Portucalense começava a dar os primeiros passos na sua expansão, foi fundamental a o auxílio da Igreja Católica com a construção de igrejas ou capelas. Na Idade Média, as populações construíam as suas habitações em redor de uma igreja ou capela, construíam as suas oficinas, cultivavam as suas hortas, vendiam os seus produtos. Em períodos de guerra, as igrejas, com as suas paredes grossas, as suas portas pesadas e janelas tipo fendas, constituíam autênticas fortalezas na defesa das suas populações que residiam em locais afastados do poder central. O rei mantinha o poder numa cidade, mas a maior parte das vezes as escaramuças davam-se longe das cidades. E povo tinha de se esconder e defender o seu território longe do sítio onde estava o rei. Foi assim, em linhas gerais, que nasceram as freguesias.

Os concelhos são divisões administrativas, tal como as freguesias, mas estas últimas representam o elo menor desta divisão. Ao longo dos séculos da nossa nacionalidade os concelhos não tiveram um papel tão determinante na consolidação do reino de Portugal como as freguesias o tiveram, mas sim estiveram sempre ao sabor e interesses do poder central.
Posto isto, o que vai fazer o poder central? Eliminar as nossas raízes e manter o poder central com as suas ramificações danosas por todo o território. Porque não aglutinar os concelhos? A divisão administrativa dos concelhos em Portugal tem, aproximadamente, duzentos (200!!!!!) anos. Meus caros e caras leitore@s, desde há mais de 200 anos não se mexeu num cabelo desta divisão administrativa, pelo contrário, até se aumentou o número de concelhos, alguns bastante pequenos até, apenas para dar mais uns cargos políticos aos amigalhaços, cujo vencimento é pago por todos nós. 
Têm automóvel, pago por nós! 
Combustível, pago por nós!
Ajudas de custo, pagas por nós!
Protagonismo! 
E, quando esgotam os seus mandatos, ainda vão ter emprego garantido num outro tacho ou panela algures, pago, claro está, por todos os contribuintes!
Porque se parte da eliminação do elo mais fraco e mais, do elo que menos dinheiro gasta do erário público? Porque dá jeito, porque não querem nem desejam ir contra os interesses instalados e porque quem está à frente deste dossiê não percebe nem sabe nada de história de Portugal. e se está nas tintas para todos nós. É um português por acidente.
DIXI

sábado, 8 de dezembro de 2012

Este mundo da Web... versus primeiro-ministro parte III

Ok.... eu não consigo «lutar» contra uma figura pública. Enquanto eu por aqui, nesta blogosfera, falo do primeiro-ministro, ele mais «gosto» tem na sua página e eu poucas visualizações, por comparação. Pena! Temos pena que assim seja. Parece mesmo que ele ganha e eu perco... Que perco eu? Um futuro de vida. E isto o que é? De muito pouco valor.
Quando somos crianças e imaginamos o nosso futuro, imaginamo-lo como hoje está? Lamentavelmente, eu nunca imaginei até há bem pouco tempo pensar ou ponderar numa hipótese de sair daqui. E estou a falar de até há uns meses. Agora? Bem, agora é diferente. Abracei uma carreira profissional que me deu a ilusão de poder trabalhar até à morte. Pena! Afinal, o até à morte era apenas um eufemismo, até aparecer uma crise que matou a economia interna.
Portugal caracterizou-se sempre pelo seu mercado interno. Tipo uma troca. Tenho isto, em troca dás-me isso. Só que neste momento estas trocas não são possíveis, porque o primeiro nada tem para trocar com o segundo! Apenas oiço falar das empresas exportadoras e as internas, as que trabalham não para o mercado externo, mas para o interno, tipo restaurantes, livrarias, editoras de livros, cozinhas, comércio de retalho etc. o que está a acontecer a estas empresas? A falência! A falência, meus amigos. Nada mais que a falência! E as que ainda não faliram, agonizam. E nesta agonia das empresas que lidam e comercializam no nosso mercado interno ouvem-se os gritos de agonia. No silêncio eu ouço-os, vocês não? E será que os membros do governo se tornaram surdos a estes gritos de agonia? Tudo indica que sim, pelas atitudes que vão tomando. Não há silêncio mais aterrador do que o que se segue a uma tragédia. Já alguém ouviu e sentiu o silêncio medonho a seguir a um embate violento do automóvel? É exatamente este silêncio que eu estou a ouvir. E é este silêncio opressivo, deprimente, indicador de tragédia que me está a preocupar, porque está a cair sobre nós como uma capa espessa que nos asfixia. Lutemos contra este silêncio asfixiante. Como? Pois não sei bem, porque não se podem pedir milagres a pessoas que não têm qualquer rendimento. Roubaram-lhes o emprego, roubaram-lhes o subsídio de desemprego, roubaram-lhes as casas, roubaram-lhes a vida. 

Portugal é um país de proprietários de casas. Recordo-me que em 1991 era quase uma vergonha não ser proprietário de uma casa, isto é, de não ter pedido ao Banco um empréstimo para uma casa. Era essa a filosofia, o sentido de vida, incentivado pelo atual presidente da República, porque na altura era o «ilustre» primeiro-ministro. Estão recordados disto? E não contentes com isto ainda vem o senhor engenheiro Guterres fazer «mea culpa»... Meus caros e caras amigas e amigos isto é de bradar aos Céus. Já não há políticos, nem políticas. De palavra de honra e volto a afirmar, tenho 48 anos, e nunca vi, ou ouvi, ou presenciei algo semelhante. Tive de falar sobre estes assuntos com várias pessoas para ter a certeza de que tinha ouvido bem. Que não tinha sonhado. Estou-me nas tintas para a mea culpa do senhor engenheiro Guterres, como me estou nas tintas para a conversa do presidente da República que só fala do mar e das pescas e da agricultura, quando ele, enquanto primeiro-ministro, acabou com a indústria e as pescas. Só não acabou totalmente com a agricultura, porque nós, PORTUGUESES, somos agarrados à terra.

Hei de voltar a este assunto, mas não hoje, hoje não! Estou cansada e farta. Farta de políticos que foram postos fora e depois eleitos novamente. Efetivamente, só temos aquilo que merecemos.

Este mundo da Web... versus primeiro-ministro parte II

Enquanto estava aqui a «lutar» pela vida, uma vez que a vida de outrora me foi roubada, o nosso «amigo» primeiro-ministro Passos Coelho ascendeu para os 104 240 «gosto». Mais 10 do que eu tinha referido na anterior mensagem. Dá vontade de mandar tudo «ver se está a chover» porque este país já deu o que havia para dar. Entristece-me porque eu até GOSTO de aqui viver, mas se me «obrigarem» a sair, sairei porque não vale a pena continuar a «marrar» contra uma parede.

Este mundo da Web... versus primeiro-ministro

Na minha página do Facebook, estive a observar a página do primeiro-ministro que diz o seguinte: «104 230 gostos; 1765 pessoas falam disto» (sic). Fiquei estupefacta com tal estatística. Há pouco mais de 105 000 portugueses que gostam que lhes vão ao bolso. E cerca de 1800 falam do primeiro-ministro, ou falam dos que gostam que lhes vão ao bolso? Esta é a minha dúvida. Porque efetivamente não há apenas 1800 pessoas que falam do primeiro-ministro mas sim milhões de portugueses (cerca de 10 milhões). Então a estatística só se pode estar a referir aos 105 000 que têm um prazer supremo de que lhes vão ao bolso e não têm pruridos em o assumirem. Isto, efetivamente, é espetacular. Melhor dizendo, extraordinário como ainda se consegue ter 105 000 portugueses que gostam que os roubem, lhes tirem os empregos, lhes fechem as empresas, os obriguem a encerrar atividades, os façam andar a estender a mão à caridade!
Ups... estes 105 000 deve-se referir ao número dos especialistas criados pelo governo que pediram aos pais, aos tios, aos avós, aos primos, aos gatos, aos cães e aos vizinhos que fossem lá à página e clicassem no «gosto», e aos membros do governo e respetivas famílias, não acham? É que me custa a acreditar que haja cerca de 105 000 portugueses que gostem da atuação do primeiro-ministro se não tiverem a pactuar com ele. Mais, custa-me a crer que estes 105 000 conterrâneos estejam a dizer «gosto» a um indivíduo que mentiu durante a campanha eleitoral, que está para além do triunvirato no que diz respeito aos cortes nos salários, pensões, reformas, etc. mas aquém no que diz respeito às despesas do estado. Não foi o ilustríssimo Passos Coelho que falou no Algarve em plena campanha eleitoral das gorduras do estado, comparando-a a um monstro? Ou será que eu já estou tão velha aos 48 anos que já nem sei a quantas ando? Ou será que eu apenas olho para o meu umbigo e vejo apenas um horizonte sem futuro, porque mo roubaram? Ou será que já estou senil? Preocupa-me a senilidade, porque é uma doença degenerativa. Nunca na minha vida votei PSD, mas votei sempre CDS... Azar! Os elementos que compõem o CDS não estão muito bem na fotografia. E pensar eu que o meu voto permitiu que estes senhores que nos enganaram, que nos tiram o nosso ganha-pão, estão sentadinhos na cadeira do poder, refastelados e pimpões, custa-me. Dói-me. Magoa-me. Entristece-me. Desespera-me porque nos foi roubada a esperança de futuro. Pouco me importa se me alimento bem ou mal quando há um bem maior a almejar. Mas se eu não consigo ver esse bem maior e apenas se me é apresentado à frente um cenário negro e catastrófico e se eu sei, porque sou também dona de casa e sempre governei o meu dinheiro, que não é por andarmos a rapar a panela que encontraremos alimento. Isto é ilusório. O senhor primeiro-ministro e o senhor ministro das finanças têm o dever e a obrigação institucional de nos explicar, a nós portugueses, como se fôssemos umas crianças de 5 anos que estes sacrifícios irão valer a pena, e nos mostrem com clareza porque caso contrário apenas sei, eu que não percebo nada de economia, que nos levarão em direção ao abismo.  

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ora bolas...

Por mais voltas e voltas que eu dê, aquilo que por cá vou escrevendo e partilhando no Facebook não tem grande impacto. Na página do Facebook passou completamente despercebido, porque a malta que por lá anda está mais interessada na porcaria dos jogos que em ler seja lá o que for. Ler dá trabalho e é maçada. Ainda por cima um tema a elas dedicado nem vale a pena ler. Para quê perder tempo com tanta conversa? Possivelmente este mundo da Web está mais interessado em chicletes. Do chupa e deita fora se demora. Tal rezava assim o refrão dos saudosos Táxi dos anos 80. Uma banda musical do Porto. Lembram-se? Possivelmente nem conhecem. Também foi um pouco efeito chiclete. 

Mulheres à beira de um ataque de nervos, parte I

O que põe uma mulher à beira de um ataque de nervos? A resposta que todas as leitoras deste blogue responderão, penso eu, de imediato é... um homem.
Nada mais certo. Um homem provoca em qualquer mulher um ataque de nervos. Primeiro, porque o diálogo entre ambos parece provir de uma outra galáxia. Será que os homens falam a mesma linguagem que as mulheres? Duvido. Segundo, as diferenças anatómicas. Há claras diferenças entre um homem e uma mulher, a começar pelo mais básico: o alívio da bexiga. Minhas queridas amigas, porque é que um homem, quando vai satisfazer uma necessidade básica da sua bexiga, não levanta as tampinhas da sanita? Mistério... Porque é que um homem quando esgota o papel higiénico não coloca lá no sítio do rolo um novo? Mistério... Mistério, não!! Faz parte da sua natureza de homem, porque está preparado para que a mulher o faça. Porque é que um homem quando tem sede, se serve de um copo para beber água e depois não o coloca no sítio certo? Na máquina de lavar ou no lava-loiças, mas o deixa ao deus-dará, em qualquer sítio espalhado pela bancada da cozinha ou junto do sofá?
Quando nos casamos, casamos para os bons e maus momentos. Pelos vistos o nosso querido homem só casa pelos bons motivos, porque pelos maus não os tem, porque, nós mulheres, em tudo fazemos para que eles não os tenham, porque faz parte da nossa natureza sermos solidárias, compreensivas, amorosas, amáveis, simpáticas. Quando o nosso homem chega a casa, cabisbaixo, e se senta no sofá, nós, mulheres solidárias, orbitamos à sua volta, preocupadas e incansáveis e tentamos saber o que o preocupa. Só sossegamos depois de ele nos contar o que o incomodou nesse dia. Porém, quando ele chega a casa, bem-disposto, e nos encontra cabisbaixas e soturnas, o que faz o nosso mais que tudo? Está-se nas tintas. Só manifesta alguma, pouca, preocupação, se pretende algo nesse dia: ver um joguito de futebol, uma saída com os amigos ou algo mais. Tirando esta preocupação, que não é uma verdadeira preocupação, mas algo falacioso, não obtemos solidariedade daquela criatura. Então, porque continuamos a insistir neles? 
Esta é a minha dúvida e estou aqui a manifestar e partilhar convosco as minhas interrogações. Um homem é uma criatura estranha, que fala uma outra linguagem, que se prende por qualquer rabo de saia que encontra jeitoso e que rapidamente esquece os compromissos assumidos. Esta é a minha definição de homem. Pelo olhar deles, a mulher é uma criatura estranha que fala uma outra linguagem e se prende a pormenores que não têm significado.  Estou perto dos cinquenta anos e ao longo da vida é isto que tenho escutado dos homens quando definem uma mulher. 
Muitos foram os artistas que se serviram das formas das mulheres para realizarem obras-primas: pintores, escultores, arquitetos, escritores, etc. Mas todos esses criadores de obras-primas viram-nos para além das obras que criaram? Viram-nos com olhos de ver o que é uma mulher? Duvido. 
Porque se nos vissem com olhos de ver, não andaríamos em pleno século XXI ainda a falar de nós. Ainda por cima criaram um dia internacional da mulher, o que eu acho absolutamente machista. Haverá alguma necessidade de lembrar aos homens que nós existimos? Claro que não, porque eles sabem-no muito bem. Contudo, alinhamos na paródia. Como alinhamos com eles em todas as paródias... E a paródia máxima começou há 2000 anos. 
Eu sou católica e estudo a Bíblia. Há 2000 anos as mulheres acompanhavam Jesus. Eram elas que cuidavam dos Apóstolos, lhes lavavam as roupas, lhes preparavam as refeições. Foram elas que se deslocaram ao sepulcro enquanto os «machos» se encerravam em casa com medo de represálias dos romanos e afins. Elas foram mulheres sem medo, que saíram e foram tratar do túmulo de Jesus. Onde ficaram os homens? Em casa... fechados e apavorados. Elas não tiveram medo. Saíram e viram o milagre da ressurreição. Foram contar-lhes. Como reagiram eles? Não acreditaram num bando de «tresloucadas» que os informavam que Jesus tinha desaparecido do sepulcro e tinha-lhes aparecido. 
Este é apenas um exemplo, mas o Evangelho está recheado de mulheres que foram verdadeiras heroínas. Os discípulos de Jesus muitas vezes, vem lá citado, discutiam entre si, nomeadamente quem era o primeiro. Há lá alguma palavra sobre as discussões entre as mulheres? Não, não há minhas amigas, por mais voltas que vocês derem à Bíblia. 
Então se nós naquela altura não discutíamos quem era mais importante, porque alinhamos na paródia dos homens e nos tentamos aproximar de uma criatura que tantos defeitos tem?
Há algum homem que neste século XXI fale mal de outro homem? Não.
Há alguma mulher que neste século XXI fale mal de outra mulher? Sim. Milhares, milhões. Onde está a nossa solidariedade feminina? 
Usando a expressão muito nortenha do «micanço» quando uma mulher «mica» um homem, olha de imediato para quem o está a acompanhar. Se ele estiver acompanhado de uma mulher, rapidamente a que está a «micar» aponta logo inúmeros defeitos ao seu par. E como é que a criatura masculina se sente? O maior da sua rua. A quem estamos a dar trunfos? Ao sujeito que fica cheio de si e vai rapidamente contar a boa nova aos seus comparsas. Isto, minhas amigas, é absolutamente verdade. Infelizmente fazemos o jogo destas criaturas e ainda por cima contribuímos para lhes encher o ego.
Não estará na altura de mudarmos a atitude? Porque criamos como nossas «inimigas» as mulheres? 
Voltarei a este assunto, porque muito há ainda a dizer. E se quieres ler e dar a tua opinião, este tema está no Facebook e na página d'O Cantinho da Carmen. Sê a primeira e dizer a todos se gostas ou não gostas.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Isto dá muito trabalho...

Alimentar esta paginoca põe-nos muito cansados! Por hoje chega, porque amanhã é um novo dia para mais trabalho.

O Cantinho da Carmen já está no Facebook

O Cantinho da Carmen já está no Facebook. Visite-nos e clique em «Gosto», se for esse o caso.

A deusa Minerva

A deusa Minerva era uma divindade romana e presidia às artes manuais, à sabedoria e à guerra no seu aspeto técnico. A sua equivalente grega é Atena. Minerva tornou-se a padroeira das escolas e era solenemente celebrada por todas as corporações de artesãos. No período de helenização de Roma, Minerva foi totalmente assimilada à Atena grega e foi a partir desse momento que assumiu os aspetos de deusa protetora da cidade e deusa guerreira.

A classificação das palavras (continuação)

Ora vamos continuar com a classificação das palavras.

As palavras da língua portuguesa, quanto à forma, distribuem-se em dois grandes grupos: variáveis ou flexíveis e as invariáveis ou inflexíveis.
Dentro do primeiro grupo estão os nomes, adjetivos, verbos, numerais, determinantes, pronomes.
No segundo grupo estão os advérbios, preposições, conjunções e interjeições.

O nome: representa coisas, seres, estados ou qualidades. É precedido por quantificadores ou determinantes e é flexionável em número (singular e plural), género (masculino e feminino) e grau (aumentativo ou diminutivo). Exemplos de nomes: casa (singular+feminino); muitas casas (plural+feminino); este caderno (singular+masculino); estes cadernos (plural+masculino), a árvore (singular+feminino); o ódio (singular+masculino); a alegria (singular+feminino.
Quanto ao grau -- aumentativo: casarão; muitos casarões; este cadernão; etc.
Diminutivo: casinha; caderninho; etc.

O adjetivo: é uma palavra variável em número, género e grau. É geralmente um modificador do nome. Exemplos: casa linda (telhados lindos); cão preto (cadela preta); homem alto (mulher alta). Como veem neste exemplos os adjetivos acompanham o o número e o género do nome.
Relativamente ao grau dos adjetivos: variam entre normal, comparativo e superlativo.
Grau normal: a casa é linda.
Grau comparativo: de superioridade: O João é mais alto que a Maria.
                              de igualdade: A tulipa é tão bonita como a rosa.
                              de inferioridade: A prata é menos valiosa que o ouro.
Grau superlativo: absoluto sintético: O João é altíssimo.
                           absoluto analítico: O computador é muito rápido.
Grau superlativo relativo de superioridade: A Inês é a mais bonita das irmãs.
                         relativo de inferioridade: A Rute é a menos comilona das irmãs.

Os numerais: dividem-se em cardinais, ordinais e proporcionais.
O numeral cardinal determina o número exato das pessoas, animais ou coisas: sete livros, duas raparigas.
Os numerais ordinais: mostram a ordem, o lugar numérico que as pessoas, animais ou coisas ocupam numa série: dezembro é o décimo segundo mês do ano. Ele passou agora o segundo corredor.
Os numerais proporcionais exprimem a multiplicidade ou fração numérica dos seres e por isso dividem-se em multiplicativos: duplo, triplo, quadruplo, etc. E em partitivos: um meio, um terço, um quarto.

Os determinantes: são vários.
Determinante artigo definido: distingue o grau de especificidade do nome, com o qual concorda sempre em género e número. Exemplo: a casa, o telefone; as casas, os telefones.
Determinante artigo indefinido: é o que denota que nos referimos indeterminadamente a uma pessoa, a um animal, a uma coisa, uma ação ou um estado, entre diversos da mesma espécie. Exemplo: Comprei uns livros; um mal-estar geral, uma dor de cabeça, uma filha do médico, uns rapazes da escola, umas raparigas da escola. Etc.
Determinante demonstrativo: é variável em género e número e influencia o nome que o precede, atribuindo-lhe valor de proximidade ou afastamento no tempo ou no espaço. Exemplo: este caderno, esta mesa, aquele carro, aquela revista, esse jornal, essas cadeiras.
Determinante possessivo: variável em pessoa, género e número e influencia o nome que o precede, atribuindo-lhe valor de posse: As tuas roupas, o meu carro, os meus amigos. Etc.
Determinante indefinido: variável em género e número, e indicam as pessoas, coisas, animais ou qualidades de um modo muito vago e indeterminado. Exemplos: um certo rapaz veio perguntar por ti. Alguns alunos faltaram ao teste. Todos os dias tomo o pequeno-almoço. Alguém bateu à porta. Etc.
Determinante relativo: são os que se referem a uma palavra (nome ou pronome) ou sentido anteriormente mencionado e serve para ligar duas afirmações. Exemplo: O senhor cujo carro foi assaltado é meu vizinho. Perdi a caneta que me deste.

Os pronomes pessoais: são usados para se referir aos participantes do discurso, isto é são os que no discurso representam as três pessoas gramaticais: primeira pessoa (eu; nós); segunda pessoa (tu; vós); terceira pessoa (ele(a); eles(as))


Continua...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Anticrise

Olá,  Leitore@s Amig@s

Mais uma informação para os que andam por aí perdidos: no Google se escreverem O Cantinho da Carmen, o meu blogue aparece imediatamente atualizado com os meus posts. É mais uma dica para me encontrarem com mais facilidade. Bem sei que os conteúdos deste blogue se afastam dos problemas existenciais atuais da crise que nos afeta a todos, mas, de palavra de honra, eu sou uma mulher vulgar e penso como toda a gente: estou farta da crise e quando venho para este vasto mundo da Internet é porque me quero afastar dos meus problemas. Será que sou só eu que me quero evadir? Ou é algo que vocês também desejam?
Eu não entro nas estatísticas «fantásticas» do Instituto de (des)Emprego porque... não. E quando as estatísticas do INE dizem que a taxa de desemprego ultrapassou os 16%, eu rio-me. Porque como eu devem existir mais uns bons milhares ou milhões de portugueses, e neste caso a taxa de desemprego em Portugal ultrapassa os 20%. Assim, ao invés de dar uns dinheiritos ao psiquiatra ou ao psicólogo, ao invés de «encher a cabeça» de amigos ou familiares com problemas existenciais de crise, optei pela Internet!
Aqui, raramente encontrarão problemas de crise... Pelo contrário, encontrarão poesia, história, linguística, crítica mordaz a algum programa televisivo, ou a algum livro.

Por tudo isto e se pertences ao meu grupo de que quando vens para a Internet é para descontrair, passa um minuto pelo meu espaço e divulga-o, caso seja do teu agrado.

Ladainha dos póstumos Natais


«Ladainha dos póstumos Natais

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que hão de me lembrar de modo menos nítido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito.»

David Mourão-Ferreira, Obra poética

porque nunca é demais relembrar...

O gato

Ao contrário do que possam pensar, o gato é um animal dócil, meigo, afetuoso e capaz de se dedicar aos donos com idêntica intensidade à dos cães. Por isso é errado dizer que eles são traiçoeiros, falsos e infiéis aos donos. A diferença assenta em que o gato tem um espírito independente, ao contrário do cão.
O ronronar do gato não é sintoma de doença, mas sim uma expressão afetuosa. É através do ronronar que o gato mostra aos seus donos que está satisfeito e agradado. É um som que eles reservam apenas para os humanos, porque um gato não ronrona a outro gato. Porém, devemos estar atentos aos ronronar do gato, porque também o faz se se sentir doente, porque serve para dizer ao dono que necessita de ajuda.
Os miados são formas de comunicação. Foram detetados 11 miados diferentes emitidos pelos gatos, e a combinação dessas sonoridades pode ser infinita. Emitem sons diferentes e variados, para diferentes e variadas ocasiões.
Os gatos dormem por dia cerca de 16 horas, sendo mais ativos durante a noite. Isto quer dizer que se um gato completar 7 anos de vida esteve acordado apenas dois anos durante esse período. As horas restantes do dia são utilizadas para a higiene, cerca de 30% do dia é gasta a cuidar da beleza e a lavar-se, e a comer.
São animais reservados, individualistas, independentes e com um caráter forte. Nunca andam em grupos, como os cães. Os bigodes do gato são importantíssimos, porque funcionam como um órgão táctil.

Sempre a sorrir

Um bêbedo entra no autocarro e desata numa grande gritaria:
-- Estes idiotas aqui à minha frente são todos trafulhas! Os desgraçados aqui atrás são todos imbecis! Os nojentos aqui ao meu lado são todos filhos de porcos!
O motorista, indignado com a conversa, faz uma travagem brusca, as pessoas desequilibram-se numa grande confusão. Levanta-se um espadalhudo, agarra o bêbedo pelos colarinhos e ameaça:
-- Quem é trafulha, porco ou imbecil, aqui?
Responde o bêbedo de mansinho:
-- Não sei. Agora, com a travagem, misturou-se tudo...

«Eu continuo a ser uma coisa: palhaço, o que me coloca num nível superior ao de qualquer político.» Charlie Chaplin.


Sempre a sorrir

Um dia, um pároco, após a missa, relembrou às suas paroquianas que a quermesse era já na semana seguinte. Como tal apelou à participação de todas para tal ato solidário: «Estimadas senhoras: não se esqueçam da nossa quermesse, cuja venda vai reverter totalmente para as famílias carenciadas da nossa paróquia. É uma ótima altura para se libertarem das coisas que para lá têm e que já não servem para nada e só estorvam lá em casa; não se esqueçam de trazer os vossos maridos.»

Mais uns topónimos

São Vicente do Penso, em Braga
Rosto de Cão em Ponta Delgada
Zebreira no concelho de Idanha-a-Nova e Zibreira em Torres Novas e Ponte de Sor. Também neste último concelho existe um lugar chamado Água Boa...

Os topónimos

Quando passeamos de carro, de comboio, a pé, de bicicleta e vamos olhando para as tabuletas que nos indicam os topónimos das nossas vilas encontramos muitos engraçados. Vamos colocar aqui exemplos de alguns engraçados, e depois não digam que os portugueses não têm imaginação!

Finca Joelhos, próximo de Avis
Deixa o Resto em Santiago do Cacém
Bebe Água em Ponte de Sor
Margalha em Gavião
Fonte da Rata em Espinho
Vergão Fundeiro em Proença-a-Nova
Vergadela em Braga
Vergadela de Santo Tirso
Vergadelas em Arouca
Alçaperna na Lousã
São Manços perto de Beja

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Inteligência veloz

Na Inglaterra um arguido estava a ser julgado pelo crime de assassínio. Havia provas indiscutíveis sobre a culpa dele, mas o cadáver não aparecera. Quase no fim da argumentação oral, o advogado de defesa, temendo pelo desfecho condenatório do seu constituinte, recorreu a um estratagema:
-- Senhoras e senhores do júri, senhor juiz, eu tenho uma surpresa para todos! -- disse o advogado, olhando para o relógio. -- Dentro de dois minutos, a pessoa, que aqui se presume assassinada, entrará na sala deste tribunal.
E olhou para a porta.
Os jurados, surpreendidos, também ansiosos, ergueram os olhos para a porta.
Decorreram os dois minutos e nada aconteceu.
O advogado então acrescentou:
-- Efetivamente, eu falei e todos lançaram olhares para a porta expectantes de ver a suposta vítima. Portanto ficou claro de que todos têm dúvidas, neste caso, se alguém foi realmente morto. Por isso eu insisto para que considerem o meu constituinte inocente: in dubia pro reo.
Os jurados, visivelmente surpreendidos, retiraram-se para tomar uma decisão.
Algum tempo depois, o júri regressou à sala de tribunal para pronunciarem o veredicto.
-- Culpado!
-- Mas como? -- perguntou o advogado. -- Eu vi todos os jurados a fixarem o olhar na porta. Portanto devemos concluir que todos ficaram com dúvidas! Como é que podem condenar o arguido quando existe uma dúvida?
O juiz esclareceu:
-- Sim, efetivamente todos olhamos para a porta, menos o seu constituinte.

Sempre a sorrir

Pai e filho encontraram-se num bar para conversar e verem um jogo de futebol, quando, no intervalo do jogo, o filho diz:
-- Pai, vou-me divorciar. Já não quero mais estar casado com a Maria. Há seis meses que ela não fala comigo.
O pai fica em silêncio durante uns momentos, bebe um gole de cerveja e declara:
-- Pensa bem no que vais fazer, meu filho, Olha que mulheres assim são muito difíceis de arranjar!



--- Pai, estou a pensar considerar a hipótese de fazer carreira no crime organizado.
O pai olha para o filho e pergunta:
--- No governo ou numa empresa pública?


Uma jovem rebelde e liberal entra num bar completamente nua. Dirige-se ao balcão e pede ao empregado:
-- Quero uma imperial bem fresquinha e bem tirada, por favor.
O empregado limita-se a olhar para ela sem se mexer.
A jovem fica irritada e pergunta-lhe:
-- O que é que se passa? Nunca viu uma mulher nua?
-- Muitas vezes!
-- Então, está a olhar para onde?
-- Quero ver de onde é que vai tirar o dinheiro para pagar a imperial!

O teste da banheira

Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao diretor:
-- Qual é o critério, pelo qual decidem quem precisa de ser internado aqui?
O diretor respondeu:
-- Enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie. De acordo com a sua opção, nós decidimos se o internamos ou não.
-- Ah! Entendi. -- disse o visitante. -- Uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher.
-- Não. -- respondeu o diretor. -- Uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo da banheira. E o senhor o que é que prefere? Quarto particular ou enfermaria?

O rei vai nu

Era uma vez um rei muito vaidoso e que gostava de andar sempre muito bem vestido. Um dia vieram ter com ele dois vigaristas que lhe disseram:
-- Majestade, sabemos muito bem que vossa alteza real gosta de andar sempre muito bem vestido, bem vestido como ninguém; e bem o merece, porque ocupa um cargo muito importante! Viemos mostrar-lhe um tecido muito belo e de tal qualidade que os tolos são incapazes de o ver. Com tal vestimenta, vossa majestade poderá distinguir as pessoas inteligentes das tolas, das parvas e das estúpidas, que não servem para a vossa corte.
O rei encheu-se ainda mais de orgulho e retorquiu-lhes:
-- Oh! Mas é uma descoberta espantosa! Tragam já esse tecido e façam-me já um fato. Quero  ver as qualidades das pessoas que tenho ao meu serviço.
Os dois vigaristas tiraram-lhe as medidas e duas semanas depois apresentaram-se ao rei dizendo:
-- Aqui está o fato de vossa alteza real.
O rei olhou, mas nada via, porém como não queria passar por tolo, respondeu:
-- Oh! Como é belo o meu novo traje!
Então, os dois vigaristas fizeram de conta que estavam a vestir a roupa com todo o cuidado, acompanhando com exclamações elogiosas:
-- Vossa alteza real fica tão elegante com este fato! Todos o vão invejar!
Como ninguém da corte queria passar por tolo, todos disseram ao rei que o fato era uma verdadeira maravilha. O rei até parecia um deus, vestido com tal qualidade de corte, tecido e feitio.
A notícia rapidamente se espalhou por todo o reino: o rei tinha um fato que só os inteligentes eram capazes de ver.
Um dia, o rei resolveu sair para se mostrar ao seus súbditos. Toda a gente acorreu para o ver passar com o seu novo fato, porque ninguém queria passar por estúpido, até que, a dado momento, uma criança, em toda a sua inocência, gritou:
-- Olha, olha, o rei vai nu!
Foi um espanto. Gargalhada geral. Só nesse momento é que o rei compreendeu que fora enganado.
Arrependido e envergonhado da sua vaidade, o rei correu o mais que pôde em direção ao palácio onde se escondeu.

Conto popular português.

Pensando....

Estou aqui a analisar as paginocas... ontem, dizem eles só foram vistas 19 visualizações e hoje já vai em 11... Algo de estranho por aqui se passa... nem quero saber, é demasiado complexo!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Continuando...

Ora, continuando a nossa explicação pelo mundo da gramática portuguesa vamos agora referirmos ao vocábulo «ministro».

O vocábulo provém do étimo ministru, que deriva do adjetivo de origem latina minister, tra, trum, um adjetivo da 1.ª classe, que significa «que serve», «que ajuda». Com o passar dos tempos o vocábulo evoluiu e tomou significados que estão bastante afastados do significado inicial. Como todos podemos verificar, o inocente e modesto vocábulo que tinha na sua origem «o que serve» evoluiu para «o que se serve»; «o que ajuda» evoluiu para «o que trama e o que se ajuda apenas a si próprio».

As particularidades de uma língua em permanente evolução...


A classificação das palavras

As palavras estabelecem relações entre si, tal como as pessoas estabelecem amizades e travam diálogos umas com as outras.
As relações estabelecidas entre as palavras situam-se ao nível do som (fonética) e ao nível do grafismo e ao nível semântico.
Assim, as palavras podem classificar-se homónimas, homófonas, homógrafas, parónimas e sinónimas.

Palavras homónimas: são classificadas assim todas as palavras que têm significados diferentes mas que se escrevem da mesma maneira.
Amo (forma do verbo amar) -- amo (patrão); rio (curso de água) -- rio (forma do verbo rir); dó (piedade) -- dó (nota musical); etc.

Palavras homófonas: são classificadas assim todas as palavras que têm significados distintos, grafias distintas mas são pronunciadas da mesma forma.
Acento (sinal ortográfico) -- assento (lugar onde nos sentamos); conserto (arranjo ou forma do verbo consertar) -- concerto (espetáculo musical); cem (quantificador numeral) -- sem (preposição que designa ausência); etc.

Palavras homógrafas: são classificadas deste modo todas as palavras com grafias iguais mas com significados diferentes e são pronunciadas de forma distinta.
Alívio (diminuição de dor) -- alivio (forma do verbo aliviar); governo (administração) -- governo (forma do verbo governar); hábito (costume, vestimenta) -- habito (forma do verbo habitar); etc.

Palavras parónimas: são classificadas desta forma todas as palavras que são pronunciadas e grafadas de forma parecida mas com significados diferentes.
Cumprimento (saudação) -- comprimento (medida longitudinal); discrição (qualidade de quem é reservado) -- descrição (enumeração); etc.

Palavras sinónimas: são classificadas desta forma quando existe coincidência de significado entre palavras diferentes. Como exemplo destas palavras temos todo um dicionário de sinónimos. Mas deixamos aqui alguns exemplos: alegria tem como sinónimo -- prazer; habitar tem como sinónimo morar, etc.

Falta ainda classificar as palavras como antónimas que são aquelas cujo significado é diametralmente oposto: claro (escuro); branco (preto); quente (frio); noite (dia); etc.

A polissemia é a propriedade que uma palavra tem de possuir diversas significações mediante o contexto em que aparece. Assim e dando como exemplo o substantivo «operação» que mediante o contexto pode assumir diferentes significados.
Assim: conduzir uma operação (estratégia militar); fazer uma operação (uma cirurgia); resolver uma operação (fazer um cálculo mental); lançar uma operação publicitária; etc.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Falando de literatura

É curioso que tendo dado a conhecer tanta poesia neste espaço que  O Cantinho da Carmen ainda não tenha explicado o que é a poesia, o que é a prosa e como ambas se podem interligar. Pois agora vamos tentar, sucintamente, passar uma vista de olhos neste assunto.

Se apenas nos limitarmos a ter em conta o aspeto externo de uma linha em verso de uma outra em prosa rapidamente nos damos conta das diferenças. Todavia não nos podemos quedar apenas neste aspeto, porque há necessidade de analisarmos a linguagem sob dois níveis: o do conteúdo (semântico) e o nível da expressão (fónico).
Poesia e prosa quase que se podem colocar em campos opostos. A primeira pode ser considerada um desvio de natureza estética, enquanto que a segunda é a expressão da linguagem corrente e normal. 
A poesia que aqui tem sido mostrada situamo-la na chamada poesia integral. Isto é, contém uma linguagem conotativa e metafórica, próxima da música pelo ritmo, e apenas lhe interessa o aspeto artístico.Os signos linguísticos são de forte cunho conotativo, ricos de sentido e de emoção. Mas também podemos encontrar estes signos linguísticos na chamada prosa poética, bastante evidenciada por exemplo em Vergílio Ferreira, em que o mundo do não eu é-nos apresentado em linguagem com características bem ritmadas e ricos de emoção poética, o que muito a aproxima da sua «irmã» poesia.
Dentro da prosa ainda temos mais estilos: a prosa literária e a não literária. Na primeira os signos selecionados não evidenciam qualquer emoção poética. Porém são escolhidos cuidadosamente de forma a mostrar clareza, naturalidade, originalidade. Na prosa não literária os signos mostram a ausência total de emoção poética. Como exemplos concretos de prosa literária podemos encontrá-la nos romances e nos livros de Oliveira Martins, que tem uma forma extraordinária e rica de apresentar os signos linguísticos na descrição de vários episódios da história.
Na prosa não literária temos exemplos nos livros técnicos, em que os signos linguísticos são exclusivamente denotativos, pobres de conteúdo semântico.

Chegados a este ponto, estarão vocês assim a pensar: Tudo muito bem, mas o que é a semântica, signo, denotação, conotação?

Passemos então a explicar de forma simples.
A semântica é uma ciência que estuda a significação das palavras no tempo e no espaço. Divide-se em dois constituintes: o semantema e o morfema.
Gato define-se como um substantivo comum masculino do singular. Pode ser desmontado em semantema (gat) e morfema (o). O semantema é a parte propriamente significativa da palavra e o morfema é o que lhe dá a forma, isto é, o que lhe empresta a categoria de substantivo comum masculino do singular. Exemplo: 
gata. A mudança de morfema do para o classifica a palavra já como pertencente ao género feminino.

A noção denotação é constituída pelo significado real, objetivo e lógico. A conotação, pelo contrário, é constituída pelo seu conteúdo afetivo, emocional e expressivo.
Exemplos:
Denotação: O incêndio por fim dava tréguas e recuava, deixando um rasto de cinzas atrás de si.
Conotação: Necessito de me afastar para pôr as ideias em ordem de modo a apagar o incêndio que se instalou no meu coração.
Noite -- denota o espaço entre o pôr do sol e o nascer do sol; conota em determinado contexto dor e tristeza. 
Vermelho -- denota cor; conota perigo em certos contextos e também fações políticas.
E muitos mais exemplos há.
Signo -- designação vulgar a qualquer objeto, forma ou fenómeno que nos remete de imediato para algo diferente de si mesmo. Exemplo: a balança que nos remete de imediato não para o utensílio que serve para pesar algo, mas sim símbolo da justiça. Cruz -- que nos remete de imediato para o cristianismo e não para aquelas cruzinhas que colocamos nos jogos da Santa Casa.

Júlio Dinis

Júlio Dinis é o pseudónimo literário de Joaquim Guilherme Gomes Coelho. Escritor romântico que publicou títulos tão conhecidos como A Morgadinha dos Canaviais, As Pupilas do Senhor Reitor, Os Fidalgos da Casa Mourisca e Uma Família Inglesa. Nasceu no Porto a 14 de novembro de 1839, onde, aliás, viveu quase toda a sua curta vida e fez os seus estudos na Escola Médica.
A mãe morre de tuberculose, o mesmo aconteceu aos seus dois irmãos. Já jovem médico, começaram a manifestar-se os primeiros sintomas e ele decide ir viver uma temporada em Ovar, terra natal do pai, em 1863. É nesta vila pacata da altura que Júlio Dinis tem o primeiro contacto com as gentes simples do campo e decide escrever o seu primeiro romance, As Pupilas do Senhor Reitor.
Em 1865 regressa ao Porto e desde logo avança para a escrita de mais romances: Uma Família Inglesa e A Morgadinha dos Canaviais.
Porém a doença continua a avançar e o médico e escritor decide ir passar uma temporada à ilha da Madeira, quatro anos depois. Foi mais ou menos por essa altura que começou a escrever Os Fidalgos da Casa Mourisca, mas, lamentavelmente, o jovem escritor não chegaria a ver o seu livro em público. Os ares da Madeira não fizeram o bem que Júlio Dinis esperava e, sentindo-se cada vez mais doente, abandona a ilha em maio de 1971 regressando ao Porto novamente, e no dia 12 de setembro desse mesmo ano, morre vítima de tuberculose.
Atualmente é um escritor muito pouco conhecido, sendo os seus romances simples, ingénuos e até mesmo pueris. Contudo, sob vários aspetos, o jovem escritor médico pode ser considerado inovador dentro da corrente do romantismo na época, porque abordou temas que até aí nunca tinham sido abordados: as suas personagens movimentam-se em cenários da atualidade da época; envolve na ação a vida do campo e a vida familiar e é um excelente observador e narrador dos meios envolventes.
No caso particular do romance de A Morgadinha dos Canaviais, o narrador transporta o leitor para a ação política da época, com um ato eleitoral à mistura, com os políticos a fazerem promessas eleitorais, compra de votos em troca de favores, a grande polémica da lei que proibia os enterramentos fora dos cemitérios, numa época em que os habitantes de cidades e de vilas eram ainda a favor de que os seus mortos fossem enterrados na igreja; a expansão e construção de estradas; os jogos políticos; uma mudança e evolução dos estratos sociais ligadas ao período da Regeneração, onde se verificou um contínuo progresso da sociedade rural. À exceção de Uma Família Inglesa, cujas cenas familiares decorrem na cidade do Porto, todos os outros romances de Júlio Dinis se desenrolam no campo, mais concretamente no Minho. E aqui Júlio Dinis é um mestre na descrição do meio ambiente, pinta as paisagens com primor e qualidade, as suas personagens são dinâmicas, vivas, porém idílicas. O pincel do jovem médico é bastante benevolente com as suas figuras campesinas. Retrata-as como pessoas de exceção, boas, de excelente caráter, amigas dos seus vizinhos, solidárias, enfim pinta cenários ideais quando, infelizmente, todos sabemos que não é bem assim. Mas foi, sem dúvida, inovador desenhista do meio envolvente e um perspicaz desenhista de carateres das suas personagens. Graças à qualidade das descrições do narrador, ficamos a conhecer muito bem as personagens, os seus gostos, os seus pensamentos, as suas tendências, os seus hábitos.
Eça de Queirós, quando se referiu a Júlio Dinis, definiu-o assim: «Um escritor que viveu ao de leve, escreveu ao de leve e morreu ao de leve.» Todavia, vale a pena revisitar os seus romances, em especial A Morgadinha dos Canaviais dotado até de uma certa intemporalidade no que à política portuguesa diz respeito.





Estive a atualizar as mensagens nas respetivas etiquetas, e vi, para meu espanto, que a etiqueta Momento de poesia tem muitas mais entradas que qualquer outra. Nem me apercebi de que nestes três meses de blogue dei-vos a conhecer tantos poemas e poetas. Espero que seja do vosso agrado a poesia que eu vou escolhendo para aqui.

Mais uma novidade

Nesta página optou-se por não se fazer mais publicações sobre temas religiosos. Há uma nova página que apenas seguirá essa linha. Desafio-vos a descobrir qual é! :-)) 
Chegámos à conclusão de que era uma mistura de conteúdos de tal modo desorganizada que não se tornava nada apelativa. Por isso, optámos por uma outra linha, mas mantendo o mesmo esqueleto. N'O Cantinho da Carmen continuaremos a ter os Momentos de poesia, as Curiosidades filosóficas, as biografias, As minhas leituras; enfim, praticamente todos os temas, exceto os de temática religiosa, e também estamos a ponderar criar novos, mas sempre na linha da literatura e afins, porque, afinal, foi assente nessa base que O Cantinho da Carmen nasceu, porque somente podemos falar ou escrever sobre assuntos que conhecemos e sabemos alguma coisa.

Olá, Amig@s

Mudou-se e acrescentaram-se várias coisas diferentes. Se, com o rato do computador, descerem ao longo da página, poderão ver coisas novas que O Cantinho da Carmen ontem colocou. Até uma modalidade que permite que os leitores d'O Cantinho votem. Vamos lá participar, porque faltam já poucos dias para a pergunta que vos foi colocada ser votada.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ainda bem...

Ainda bem que tive hoje tão poucas visitas ao blogue, porque isto andou uma confusão total! Vou terminar por hoje porque já tenho dificuldade em ver páginas da Internet, computador e ecrãs.

Até amanhã.

Alterei as páginas

Como podem ver na barra lateral, alterei as minhas páginas. Estas são algumas que me dão jeito ter aqui tão perto, porque como eu ando lá sempre a «cheiretar» as páginas para ver alguma novidade, assim estão muito mais próximas. Posso ter o dom, ou o defeito, da perseverança, mas também sou muito preguiçosa...

Consegui domar a «fera»

Umas mensagens atrás recomendei um blogue: O silêncio enriquecedor e volto a fazê-lo. Um dos meus grandes dons, ou grandes defeitos, é a perseverança. «Água mole em pedra dura tanto bate até que fura», certo? Pois, nada mais verdadeiro para uma grandessíssima teimosa como eu. Tanto andei, mas tanto andei que consegui! Consegui domar esta «fera» feroz!
Se me perguntam o que é que eu consegui, eu respondo: pensem! Vá, não custa nada pensar um bocadinho. Isto estava para aqui uma grandessíssima trapalhada e eu não gosto de trapalhadas. Gosto de tudo muito direitinho.
E cá estive eu todo o dia em frente do computador, tendo por companhia o saudoso professor Hermano Saraiva que nos está a dar uma história de Portugal excelente, na RTP Memória. Vale a pena ouvi-lo.

1 de dezembro, dia da Restauração



Neste dia 1 de dezembro, o último que é feriado, celebra-se o dia da Restauração. Foi em 1640 que Portugal pôs fim ao domínio filipino que já vinha desde 1580.
Ora vamos lá ver o que nos conta Oliveira Martins na sua História de Portugal: os duques de Bragança eram verdadeiramente os reis da terra, porque eram senhores de grande parte do Minho, Trás-os -Montes e de quase todo o Alentejo. Viviam e comiam como reis, porém, na realidade não eram. Mas ambicionavam o poder. Em 1580 quando o prior do Crato, estouvado, entregou a coroa ao Filipe II de Espanha, o duque de Bragança não quis se meter em tal empresa.
«(...) O 1.º de dezembro nasceu de uma conjuração, como sempre se lhe chamou, e não uma revolução. Os jesuítas, que em 1637 tinham tramado uma revolução, batidos, mudaram de rumo (...). Todos os conjurados acusavam o duque (de Bragança); e para o decidir foi mister propor-lhe claramente, cruamente a dureza da situação. Estava perdido: a conjuração far-se-ia quer ele quisesse ou não; e ou teria de combater contra os seus, ou de acabar miserável no fundo de algum cárcere em Espanha. O medo decidiu-o; rezou a Nossa Senhora, carregou o pescoço de rosários e bentinhos que os jesuítas piedosamente lhe davam; e confiando na proteção do céu e de Richelieu, o émulo de Olivares e íntimo dos jesuítas, resolveu lançar-se à aventura.
O que o dia 1 de dezembro melhor prova não é a audácia dos conjurados, é a indiferença do povo, o medo da burguesia e a inépcia do governo espanhol. Tudo estava podre, tudo caduco.
Os conjurados foram ao paço: mataram com um tiro o secretário Vasconcelos, prenderam a duquesa de Mântua, que assinou todas as ordens para a entrega das fortalezas. Foi uma mutação de cena, uma substituição de pessoas, um acontecimento imprevisto, singular. (...) O castelo abriu as portas, e a guarnição foi convidada a continuar, por conta do novo regime: seria fielmente paga. (..)
Em quinze dia, metade de Portugal aclamava  D. João IV, sem dispêndio de segundo tiro. (...) Quem viu Portugal por esse tempo, descreveu-o como uma região desolada e nua. Extensas campinas, outrora férteis, reduziam-se a poucas folhas cultivadas, em volta de pequenas aldeias. (...)» in História de Portugal de Oliveira Martins.
E foi assim que se deu a Restauração. O pior estava ainda por vir e logo no princípio de 1641 rebentou a guerra que se estendeu até 1668.