Na minha página do Facebook, estive a observar a página do primeiro-ministro que diz o seguinte: «104 230 gostos; 1765 pessoas falam disto» (sic). Fiquei estupefacta com tal estatística. Há pouco mais de 105 000 portugueses que gostam que lhes vão ao bolso. E cerca de 1800 falam do primeiro-ministro, ou falam dos que gostam que lhes vão ao bolso? Esta é a minha dúvida. Porque efetivamente não há apenas 1800 pessoas que falam do primeiro-ministro mas sim milhões de portugueses (cerca de 10 milhões). Então a estatística só se pode estar a referir aos 105 000 que têm um prazer supremo de que lhes vão ao bolso e não têm pruridos em o assumirem. Isto, efetivamente, é espetacular. Melhor dizendo, extraordinário como ainda se consegue ter 105 000 portugueses que gostam que os roubem, lhes tirem os empregos, lhes fechem as empresas, os obriguem a encerrar atividades, os façam andar a estender a mão à caridade!
Ups... estes 105 000 deve-se referir ao número dos especialistas criados pelo governo que pediram aos pais, aos tios, aos avós, aos primos, aos gatos, aos cães e aos vizinhos que fossem lá à página e clicassem no «gosto», e aos membros do governo e respetivas famílias, não acham? É que me custa a acreditar que haja cerca de 105 000 portugueses que gostem da atuação do primeiro-ministro se não tiverem a pactuar com ele. Mais, custa-me a crer que estes 105 000 conterrâneos estejam a dizer «gosto» a um indivíduo que mentiu durante a campanha eleitoral, que está para além do triunvirato no que diz respeito aos cortes nos salários, pensões, reformas, etc. mas aquém no que diz respeito às despesas do estado. Não foi o ilustríssimo Passos Coelho que falou no Algarve em plena campanha eleitoral das gorduras do estado, comparando-a a um monstro? Ou será que eu já estou tão velha aos 48 anos que já nem sei a quantas ando? Ou será que eu apenas olho para o meu umbigo e vejo apenas um horizonte sem futuro, porque mo roubaram? Ou será que já estou senil? Preocupa-me a senilidade, porque é uma doença degenerativa. Nunca na minha vida votei PSD, mas votei sempre CDS... Azar! Os elementos que compõem o CDS não estão muito bem na fotografia. E pensar eu que o meu voto permitiu que estes senhores que nos enganaram, que nos tiram o nosso ganha-pão, estão sentadinhos na cadeira do poder, refastelados e pimpões, custa-me. Dói-me. Magoa-me. Entristece-me. Desespera-me porque nos foi roubada a esperança de futuro. Pouco me importa se me alimento bem ou mal quando há um bem maior a almejar. Mas se eu não consigo ver esse bem maior e apenas se me é apresentado à frente um cenário negro e catastrófico e se eu sei, porque sou também dona de casa e sempre governei o meu dinheiro, que não é por andarmos a rapar a panela que encontraremos alimento. Isto é ilusório. O senhor primeiro-ministro e o senhor ministro das finanças têm o dever e a obrigação institucional de nos explicar, a nós portugueses, como se fôssemos umas crianças de 5 anos que estes sacrifícios irão valer a pena, e nos mostrem com clareza porque caso contrário apenas sei, eu que não percebo nada de economia, que nos levarão em direção ao abismo.
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