quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ladainha dos póstumos Natais


«Ladainha dos póstumos Natais

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que hão de me lembrar de modo menos nítido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito.»

David Mourão-Ferreira, Obra poética

porque nunca é demais relembrar...

1 comentário:

O silêncio reparador disse...

Muitas vezes nos esquecemos de há de vir um Natal em que o nosso lugar se encontrará vazio...