terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Inteligência veloz

Na Inglaterra um arguido estava a ser julgado pelo crime de assassínio. Havia provas indiscutíveis sobre a culpa dele, mas o cadáver não aparecera. Quase no fim da argumentação oral, o advogado de defesa, temendo pelo desfecho condenatório do seu constituinte, recorreu a um estratagema:
-- Senhoras e senhores do júri, senhor juiz, eu tenho uma surpresa para todos! -- disse o advogado, olhando para o relógio. -- Dentro de dois minutos, a pessoa, que aqui se presume assassinada, entrará na sala deste tribunal.
E olhou para a porta.
Os jurados, surpreendidos, também ansiosos, ergueram os olhos para a porta.
Decorreram os dois minutos e nada aconteceu.
O advogado então acrescentou:
-- Efetivamente, eu falei e todos lançaram olhares para a porta expectantes de ver a suposta vítima. Portanto ficou claro de que todos têm dúvidas, neste caso, se alguém foi realmente morto. Por isso eu insisto para que considerem o meu constituinte inocente: in dubia pro reo.
Os jurados, visivelmente surpreendidos, retiraram-se para tomar uma decisão.
Algum tempo depois, o júri regressou à sala de tribunal para pronunciarem o veredicto.
-- Culpado!
-- Mas como? -- perguntou o advogado. -- Eu vi todos os jurados a fixarem o olhar na porta. Portanto devemos concluir que todos ficaram com dúvidas! Como é que podem condenar o arguido quando existe uma dúvida?
O juiz esclareceu:
-- Sim, efetivamente todos olhamos para a porta, menos o seu constituinte.

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