terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O rei vai nu

Era uma vez um rei muito vaidoso e que gostava de andar sempre muito bem vestido. Um dia vieram ter com ele dois vigaristas que lhe disseram:
-- Majestade, sabemos muito bem que vossa alteza real gosta de andar sempre muito bem vestido, bem vestido como ninguém; e bem o merece, porque ocupa um cargo muito importante! Viemos mostrar-lhe um tecido muito belo e de tal qualidade que os tolos são incapazes de o ver. Com tal vestimenta, vossa majestade poderá distinguir as pessoas inteligentes das tolas, das parvas e das estúpidas, que não servem para a vossa corte.
O rei encheu-se ainda mais de orgulho e retorquiu-lhes:
-- Oh! Mas é uma descoberta espantosa! Tragam já esse tecido e façam-me já um fato. Quero  ver as qualidades das pessoas que tenho ao meu serviço.
Os dois vigaristas tiraram-lhe as medidas e duas semanas depois apresentaram-se ao rei dizendo:
-- Aqui está o fato de vossa alteza real.
O rei olhou, mas nada via, porém como não queria passar por tolo, respondeu:
-- Oh! Como é belo o meu novo traje!
Então, os dois vigaristas fizeram de conta que estavam a vestir a roupa com todo o cuidado, acompanhando com exclamações elogiosas:
-- Vossa alteza real fica tão elegante com este fato! Todos o vão invejar!
Como ninguém da corte queria passar por tolo, todos disseram ao rei que o fato era uma verdadeira maravilha. O rei até parecia um deus, vestido com tal qualidade de corte, tecido e feitio.
A notícia rapidamente se espalhou por todo o reino: o rei tinha um fato que só os inteligentes eram capazes de ver.
Um dia, o rei resolveu sair para se mostrar ao seus súbditos. Toda a gente acorreu para o ver passar com o seu novo fato, porque ninguém queria passar por estúpido, até que, a dado momento, uma criança, em toda a sua inocência, gritou:
-- Olha, olha, o rei vai nu!
Foi um espanto. Gargalhada geral. Só nesse momento é que o rei compreendeu que fora enganado.
Arrependido e envergonhado da sua vaidade, o rei correu o mais que pôde em direção ao palácio onde se escondeu.

Conto popular português.

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