sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Mulheres à beira de um ataque de nervos, parte I

O que põe uma mulher à beira de um ataque de nervos? A resposta que todas as leitoras deste blogue responderão, penso eu, de imediato é... um homem.
Nada mais certo. Um homem provoca em qualquer mulher um ataque de nervos. Primeiro, porque o diálogo entre ambos parece provir de uma outra galáxia. Será que os homens falam a mesma linguagem que as mulheres? Duvido. Segundo, as diferenças anatómicas. Há claras diferenças entre um homem e uma mulher, a começar pelo mais básico: o alívio da bexiga. Minhas queridas amigas, porque é que um homem, quando vai satisfazer uma necessidade básica da sua bexiga, não levanta as tampinhas da sanita? Mistério... Porque é que um homem quando esgota o papel higiénico não coloca lá no sítio do rolo um novo? Mistério... Mistério, não!! Faz parte da sua natureza de homem, porque está preparado para que a mulher o faça. Porque é que um homem quando tem sede, se serve de um copo para beber água e depois não o coloca no sítio certo? Na máquina de lavar ou no lava-loiças, mas o deixa ao deus-dará, em qualquer sítio espalhado pela bancada da cozinha ou junto do sofá?
Quando nos casamos, casamos para os bons e maus momentos. Pelos vistos o nosso querido homem só casa pelos bons motivos, porque pelos maus não os tem, porque, nós mulheres, em tudo fazemos para que eles não os tenham, porque faz parte da nossa natureza sermos solidárias, compreensivas, amorosas, amáveis, simpáticas. Quando o nosso homem chega a casa, cabisbaixo, e se senta no sofá, nós, mulheres solidárias, orbitamos à sua volta, preocupadas e incansáveis e tentamos saber o que o preocupa. Só sossegamos depois de ele nos contar o que o incomodou nesse dia. Porém, quando ele chega a casa, bem-disposto, e nos encontra cabisbaixas e soturnas, o que faz o nosso mais que tudo? Está-se nas tintas. Só manifesta alguma, pouca, preocupação, se pretende algo nesse dia: ver um joguito de futebol, uma saída com os amigos ou algo mais. Tirando esta preocupação, que não é uma verdadeira preocupação, mas algo falacioso, não obtemos solidariedade daquela criatura. Então, porque continuamos a insistir neles? 
Esta é a minha dúvida e estou aqui a manifestar e partilhar convosco as minhas interrogações. Um homem é uma criatura estranha, que fala uma outra linguagem, que se prende por qualquer rabo de saia que encontra jeitoso e que rapidamente esquece os compromissos assumidos. Esta é a minha definição de homem. Pelo olhar deles, a mulher é uma criatura estranha que fala uma outra linguagem e se prende a pormenores que não têm significado.  Estou perto dos cinquenta anos e ao longo da vida é isto que tenho escutado dos homens quando definem uma mulher. 
Muitos foram os artistas que se serviram das formas das mulheres para realizarem obras-primas: pintores, escultores, arquitetos, escritores, etc. Mas todos esses criadores de obras-primas viram-nos para além das obras que criaram? Viram-nos com olhos de ver o que é uma mulher? Duvido. 
Porque se nos vissem com olhos de ver, não andaríamos em pleno século XXI ainda a falar de nós. Ainda por cima criaram um dia internacional da mulher, o que eu acho absolutamente machista. Haverá alguma necessidade de lembrar aos homens que nós existimos? Claro que não, porque eles sabem-no muito bem. Contudo, alinhamos na paródia. Como alinhamos com eles em todas as paródias... E a paródia máxima começou há 2000 anos. 
Eu sou católica e estudo a Bíblia. Há 2000 anos as mulheres acompanhavam Jesus. Eram elas que cuidavam dos Apóstolos, lhes lavavam as roupas, lhes preparavam as refeições. Foram elas que se deslocaram ao sepulcro enquanto os «machos» se encerravam em casa com medo de represálias dos romanos e afins. Elas foram mulheres sem medo, que saíram e foram tratar do túmulo de Jesus. Onde ficaram os homens? Em casa... fechados e apavorados. Elas não tiveram medo. Saíram e viram o milagre da ressurreição. Foram contar-lhes. Como reagiram eles? Não acreditaram num bando de «tresloucadas» que os informavam que Jesus tinha desaparecido do sepulcro e tinha-lhes aparecido. 
Este é apenas um exemplo, mas o Evangelho está recheado de mulheres que foram verdadeiras heroínas. Os discípulos de Jesus muitas vezes, vem lá citado, discutiam entre si, nomeadamente quem era o primeiro. Há lá alguma palavra sobre as discussões entre as mulheres? Não, não há minhas amigas, por mais voltas que vocês derem à Bíblia. 
Então se nós naquela altura não discutíamos quem era mais importante, porque alinhamos na paródia dos homens e nos tentamos aproximar de uma criatura que tantos defeitos tem?
Há algum homem que neste século XXI fale mal de outro homem? Não.
Há alguma mulher que neste século XXI fale mal de outra mulher? Sim. Milhares, milhões. Onde está a nossa solidariedade feminina? 
Usando a expressão muito nortenha do «micanço» quando uma mulher «mica» um homem, olha de imediato para quem o está a acompanhar. Se ele estiver acompanhado de uma mulher, rapidamente a que está a «micar» aponta logo inúmeros defeitos ao seu par. E como é que a criatura masculina se sente? O maior da sua rua. A quem estamos a dar trunfos? Ao sujeito que fica cheio de si e vai rapidamente contar a boa nova aos seus comparsas. Isto, minhas amigas, é absolutamente verdade. Infelizmente fazemos o jogo destas criaturas e ainda por cima contribuímos para lhes encher o ego.
Não estará na altura de mudarmos a atitude? Porque criamos como nossas «inimigas» as mulheres? 
Voltarei a este assunto, porque muito há ainda a dizer. E se quieres ler e dar a tua opinião, este tema está no Facebook e na página d'O Cantinho da Carmen. Sê a primeira e dizer a todos se gostas ou não gostas.

Sem comentários: