Hoje não vou começar por escrever neste blogue o Evangelho diário, mas sim vou iniciar o dia com uma reflexão. Os tempos não estão fáceis para ninguém, exceto alguns «eleitos» para quem a crise ainda não chegou, nem vai chegar, porque sempre assim foi e sempre assim será.
Preocupa-me a questão do desemprego juvenil. Assisto ao sacrifício dos pais dos jovens para suportar as despesas inerentes a um curso superior, para, no fim do curso, os seus filhos enfrentarem não um emprego, mas sim o desemprego.
Ainda há bem pouco tempo, escolhia-se ou optava-se por um curso superior, porque se gostava, porque se tinha vocação. Atualmente os pais, na minha opinião e penso, perdoem-me a vaidade da convicção de que estou certa, que os progenitores têm agora um papel fundamental em encaminhar os filhos para um curso superior que não os conduza para o desemprego, logo frustração, mas sim para um curso que lhes abra as portas para o mercado de trabalho. Os pais não podem ceder ao facto de os filhos lhes dizerem que querem este ou aquele curso, porque é o que gostam. Devem fazer ver aos filhos que aquela opção os vai levar ao desemprego. Assim sendo ou o jovem é um excelente aluno, e por excelência refiro-me a um(a) garoto(a) que tenha média de 20 valores e, neste caso, terá um lugar sempre garantido em Portugal ou no estrangeiro, ou então, cabe aos pais, como educadores, dissuadi-los de tal opção. Conheço pais com filhos que estão num curso superior que os vai levar diretamente para o desemprego ou então para outras profissões que não têm nada a ver com aquilo que estudaram. Refiro-me a cursos por exemplo de marketing, sociologia, engenharia de materiais, biologia, psicologia, direito, etc., etc. e tantos outros cursos que proliferam por todas as nossas universidades que oferecem como destino aos seus alunos a frustração e o desespero. Desespero dos jovens que estudaram durante cinco anos e não vão ter emprego; desespero dos pais que investiram as suas economias, fizeram sacrifícios, para depois olharem para os seus filhos e verem-nos tristes e desanimados.
É curioso como hoje tantos comentadores falam da geração de excelência, que se vê obrigada a sair de Portugal e emigrar. Claro que provavelmente nunca na nossa história tivemos tantos licenciados como agora. Mas dentro deste grande número de licenciados há os que saíram com médias de excelência, e outros com médias boas e outros com médias suficientes. Há uns anos discutia-se a falta de enfermeiros. Como resposta a esta falta, multiplicaram-se as escolas de aumentaram-se as vagas. Resultado: excedente de enfermeiros! Discute-se agora a falta de médicos. O mesmo «tratamento» foi feito. Se vai haver excedente de médicos ou não só o futuro nos dirá.
Esta crise é financeira. Esta crise é também fruto das más políticas que há mais de 20 anos têm sido seguidas pelos nossos políticos, pelos políticos de carreira. E estes políticos de carreira têm rosto e têm assento no parlamento. A culpa de tudo isto recai em cada elemento que se senta naquelas bancadas, independentemente da cor política. Todos são responsáveis pelo estado a que nos conduziram. Não há um único elemento daquela casa que esteja livre de que qualquer cidadão lhes aponte o dedo e, mais, os responsabilize pelo estado e pelo momento em que vivemos. Foram os políticos que permitiram que as escolas de ensino superior proliferassem como cogumelos. Tudo em nome de mostrar à Europa números de licenciados. Se os cursos oferecidos têm ou não saídas profissionais, pouco importa. O importante era mostrar à Europa que éramos um país desenvolvido e «carregado» de licenciados. Os cursos médios transformaram-se rapidamente em licenciaturas. Exemplos: magistério primário e enfermeiros. Resultados atuais: desemprego. As universidades estão cheias de investigadores. É claro que é necessária a investigação, mas muitos optam por esta via, porque não têm outras saídas. Quantos engenheiros que se licenciaram em universidades prestigiadas só tiveram por opção a via do ensino? Resultado atual: o desemprego. Ainda há pouco tempo havia falta de professores de matemática. Agora há excedentes.
Cada um de nós contribui com uma larga fatia do seu parco dinheiro para os impostos que vão encher a barriguinha dos políticos. Eles estão a ser pagos por nós. E o resultado é o estado atual. Consequência de anos e anos e anos de más políticas, opções erradas, cedências a grupos. Todas as capitais de distrito têm o seu instituto politécnico. Por quase todas as cidades portuguesas há um polo universitário. E todos ainda continuam abertos, continuam a receber alunos... Tenho a certeza, infelizmente, que todos os anos saem milhares de jovens daquelas instituições direitinhos ao centro de emprego para o desemprego! Porque é que não há coragem para fechar aquelas instituições durante uns anos de modo a permitir que o mercado de trabalho estabilize? Até há bem pouco tempo, no Porto não havia uma faculdade de direito pública. O ministério da educação cedeu, o Porto «ganhou» a sua reivindicação e agora tem a sua faculdade de direito pública. Todos os anos saem de lá dezenas de advogados que vão engrossar o número (de desempregados) de outras dezenas e dezenas que saem das faculdades de Lisboa (onde há duas faculdades de direito!), de Coimbra e de várias dezenas de faculdades de direito privadas!!!!!
Por hoje chega, com a certeza de que ainda hei de voltar a este assunto.
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