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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Contador de histórias: Luís Vaz de Camões

«Esta é a ditosa pátria, minha amada,
À qual se o céu me dá que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz comigo.»
Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas

Contador de histórias: o livro

Livro é magia que entrelaça vogais e consoantes que se transformam em palavras. Palavras que, ora, podem ser doces, mágicas, meigas, ora, cruéis, que ferem. Palavras que ficam para a história, muito para lá de quem as produziu. Este mundo maravilhoso da literatura em que podemos voar através da projeção das palavras na nossa mente para mundos distantes. O livro, esse transportador de sonhos, de realidades, de vivências fantasiosas ou bibliográficas. Ao contrário do cinema, o livro dá asas à imaginação, permite que a mente imagine lugares, pessoas, histórias. 
Marília Carmen Barros

Contador de histórias: Os filhos de Alice



Os filhos de Alice eram os livros que ela lia; os que corrigia. E quanto mais trabalho um livro lhe desse, mais amava aquele filho saído das suas entranhas: palavra atrás de palavra; frase após frase.
Não eram os filhos desejados e sonhados de Alice, de carne e osso, mas eram filhos em que os seus corpos eram de papel, os seus ossos, letras e o seu sangue misturava-se com o sangue da Alice; o sangue das horas passadas a tentar encontrar o sinónimo exato, a palavra certa, a vírgula bem colocada. Os «filhos» de Alice tinham pai: o/a autor/a. Mas para a Alice, o pai era apenas uma figura; o sémen indispensável à produção. O resultado era fruto do trabalho árduo de Alice. Como ela amava aquelas criaturas feitas de orações, subordinações, integrantes, substantivas. Assim passou a Alice a ser mãe não de uma, duas, três ou mais crianças, mas de uma infinidade de filhos. Todos muito amados, muito queridos, muito sofridos durante o percurso da sua educação. Uns foram rebeldes e indisciplinados, outros doces e amáveis, uns fizeram a Alice chorar lágrimas sentidas e outros gargalhadas incontidas. E como ela se sentia feliz no dia em que via o seu filho exposto num escaparate de uma livraria! Conhecia todos os seus filhos pelo nome; sabia quanto sangue seu perdeu ao dar à luz aqueles filhos. 
Marília Carmen Barros

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

«Eu continuo a ser uma coisa: palhaço, o que me coloca num nível superior ao de qualquer político.» Charlie Chaplin.


Mais uns topónimos

São Vicente do Penso, em Braga
Rosto de Cão em Ponta Delgada
Zebreira no concelho de Idanha-a-Nova e Zibreira em Torres Novas e Ponte de Sor. Também neste último concelho existe um lugar chamado Água Boa...

Os topónimos

Quando passeamos de carro, de comboio, a pé, de bicicleta e vamos olhando para as tabuletas que nos indicam os topónimos das nossas vilas encontramos muitos engraçados. Vamos colocar aqui exemplos de alguns engraçados, e depois não digam que os portugueses não têm imaginação!

Finca Joelhos, próximo de Avis
Deixa o Resto em Santiago do Cacém
Bebe Água em Ponte de Sor
Margalha em Gavião
Fonte da Rata em Espinho
Vergão Fundeiro em Proença-a-Nova
Vergadela em Braga
Vergadela de Santo Tirso
Vergadelas em Arouca
Alçaperna na Lousã
São Manços perto de Beja

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O rei vai nu

Era uma vez um rei muito vaidoso e que gostava de andar sempre muito bem vestido. Um dia vieram ter com ele dois vigaristas que lhe disseram:
-- Majestade, sabemos muito bem que vossa alteza real gosta de andar sempre muito bem vestido, bem vestido como ninguém; e bem o merece, porque ocupa um cargo muito importante! Viemos mostrar-lhe um tecido muito belo e de tal qualidade que os tolos são incapazes de o ver. Com tal vestimenta, vossa majestade poderá distinguir as pessoas inteligentes das tolas, das parvas e das estúpidas, que não servem para a vossa corte.
O rei encheu-se ainda mais de orgulho e retorquiu-lhes:
-- Oh! Mas é uma descoberta espantosa! Tragam já esse tecido e façam-me já um fato. Quero  ver as qualidades das pessoas que tenho ao meu serviço.
Os dois vigaristas tiraram-lhe as medidas e duas semanas depois apresentaram-se ao rei dizendo:
-- Aqui está o fato de vossa alteza real.
O rei olhou, mas nada via, porém como não queria passar por tolo, respondeu:
-- Oh! Como é belo o meu novo traje!
Então, os dois vigaristas fizeram de conta que estavam a vestir a roupa com todo o cuidado, acompanhando com exclamações elogiosas:
-- Vossa alteza real fica tão elegante com este fato! Todos o vão invejar!
Como ninguém da corte queria passar por tolo, todos disseram ao rei que o fato era uma verdadeira maravilha. O rei até parecia um deus, vestido com tal qualidade de corte, tecido e feitio.
A notícia rapidamente se espalhou por todo o reino: o rei tinha um fato que só os inteligentes eram capazes de ver.
Um dia, o rei resolveu sair para se mostrar ao seus súbditos. Toda a gente acorreu para o ver passar com o seu novo fato, porque ninguém queria passar por estúpido, até que, a dado momento, uma criança, em toda a sua inocência, gritou:
-- Olha, olha, o rei vai nu!
Foi um espanto. Gargalhada geral. Só nesse momento é que o rei compreendeu que fora enganado.
Arrependido e envergonhado da sua vaidade, o rei correu o mais que pôde em direção ao palácio onde se escondeu.

Conto popular português.