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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Contador de histórias: Luís Vaz de Camões

«Esta é a ditosa pátria, minha amada,
À qual se o céu me dá que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz comigo.»
Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Camões

«Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero sempre que seja celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se dua outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que de uns e de outros olhos derivadas,
Se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela ouviu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio
E dar descanso às almas condenadas.»

Luís de Camões, Lírica.


«O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha e a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar a minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora,

O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.»

Idem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Momento de poesia

«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.»

Luís de Camões, Sonetos, Círculo de Leitores

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Momentos de Poesia



«A vós, ó geração de Luso, digo
Que tão pequena parte sois no mundo;
Não digo inda no mundo, mas no amigo
Curral de quem governa o céu rotundo;
Vós, a quem não somente algum perigo
Estorva conquistar o poço imundo,
Mas nem cobiça, ou pouca obediência
Da Madre que nos céus está em essência:

Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós que, à custa de vossas várias mortes,
A lei da vida eterna dilatais:
Assi do céu deitadas são as sortes
Que vós, por muito pouco que sejais,
Muito façais na santa Cristandade,
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!»

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto VII, 2-3