Mostrar mensagens com a etiqueta Reflexões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reflexões. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Pensando....
Estou aqui a analisar as paginocas... ontem, dizem eles só foram vistas 19 visualizações e hoje já vai em 11... Algo de estranho por aqui se passa... nem quero saber, é demasiado complexo!
domingo, 2 de dezembro de 2012
Estive a atualizar as mensagens nas respetivas etiquetas, e vi, para meu espanto, que a etiqueta Momento de poesia tem muitas mais entradas que qualquer outra. Nem me apercebi de que nestes três meses de blogue dei-vos a conhecer tantos poemas e poetas. Espero que seja do vosso agrado a poesia que eu vou escolhendo para aqui.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Reflexões
Hoje não vou começar por escrever neste blogue o Evangelho diário, mas sim vou iniciar o dia com uma reflexão. Os tempos não estão fáceis para ninguém, exceto alguns «eleitos» para quem a crise ainda não chegou, nem vai chegar, porque sempre assim foi e sempre assim será.
Preocupa-me a questão do desemprego juvenil. Assisto ao sacrifício dos pais dos jovens para suportar as despesas inerentes a um curso superior, para, no fim do curso, os seus filhos enfrentarem não um emprego, mas sim o desemprego.
Ainda há bem pouco tempo, escolhia-se ou optava-se por um curso superior, porque se gostava, porque se tinha vocação. Atualmente os pais, na minha opinião e penso, perdoem-me a vaidade da convicção de que estou certa, que os progenitores têm agora um papel fundamental em encaminhar os filhos para um curso superior que não os conduza para o desemprego, logo frustração, mas sim para um curso que lhes abra as portas para o mercado de trabalho. Os pais não podem ceder ao facto de os filhos lhes dizerem que querem este ou aquele curso, porque é o que gostam. Devem fazer ver aos filhos que aquela opção os vai levar ao desemprego. Assim sendo ou o jovem é um excelente aluno, e por excelência refiro-me a um(a) garoto(a) que tenha média de 20 valores e, neste caso, terá um lugar sempre garantido em Portugal ou no estrangeiro, ou então, cabe aos pais, como educadores, dissuadi-los de tal opção. Conheço pais com filhos que estão num curso superior que os vai levar diretamente para o desemprego ou então para outras profissões que não têm nada a ver com aquilo que estudaram. Refiro-me a cursos por exemplo de marketing, sociologia, engenharia de materiais, biologia, psicologia, direito, etc., etc. e tantos outros cursos que proliferam por todas as nossas universidades que oferecem como destino aos seus alunos a frustração e o desespero. Desespero dos jovens que estudaram durante cinco anos e não vão ter emprego; desespero dos pais que investiram as suas economias, fizeram sacrifícios, para depois olharem para os seus filhos e verem-nos tristes e desanimados.
É curioso como hoje tantos comentadores falam da geração de excelência, que se vê obrigada a sair de Portugal e emigrar. Claro que provavelmente nunca na nossa história tivemos tantos licenciados como agora. Mas dentro deste grande número de licenciados há os que saíram com médias de excelência, e outros com médias boas e outros com médias suficientes. Há uns anos discutia-se a falta de enfermeiros. Como resposta a esta falta, multiplicaram-se as escolas de aumentaram-se as vagas. Resultado: excedente de enfermeiros! Discute-se agora a falta de médicos. O mesmo «tratamento» foi feito. Se vai haver excedente de médicos ou não só o futuro nos dirá.
Esta crise é financeira. Esta crise é também fruto das más políticas que há mais de 20 anos têm sido seguidas pelos nossos políticos, pelos políticos de carreira. E estes políticos de carreira têm rosto e têm assento no parlamento. A culpa de tudo isto recai em cada elemento que se senta naquelas bancadas, independentemente da cor política. Todos são responsáveis pelo estado a que nos conduziram. Não há um único elemento daquela casa que esteja livre de que qualquer cidadão lhes aponte o dedo e, mais, os responsabilize pelo estado e pelo momento em que vivemos. Foram os políticos que permitiram que as escolas de ensino superior proliferassem como cogumelos. Tudo em nome de mostrar à Europa números de licenciados. Se os cursos oferecidos têm ou não saídas profissionais, pouco importa. O importante era mostrar à Europa que éramos um país desenvolvido e «carregado» de licenciados. Os cursos médios transformaram-se rapidamente em licenciaturas. Exemplos: magistério primário e enfermeiros. Resultados atuais: desemprego. As universidades estão cheias de investigadores. É claro que é necessária a investigação, mas muitos optam por esta via, porque não têm outras saídas. Quantos engenheiros que se licenciaram em universidades prestigiadas só tiveram por opção a via do ensino? Resultado atual: o desemprego. Ainda há pouco tempo havia falta de professores de matemática. Agora há excedentes.
Cada um de nós contribui com uma larga fatia do seu parco dinheiro para os impostos que vão encher a barriguinha dos políticos. Eles estão a ser pagos por nós. E o resultado é o estado atual. Consequência de anos e anos e anos de más políticas, opções erradas, cedências a grupos. Todas as capitais de distrito têm o seu instituto politécnico. Por quase todas as cidades portuguesas há um polo universitário. E todos ainda continuam abertos, continuam a receber alunos... Tenho a certeza, infelizmente, que todos os anos saem milhares de jovens daquelas instituições direitinhos ao centro de emprego para o desemprego! Porque é que não há coragem para fechar aquelas instituições durante uns anos de modo a permitir que o mercado de trabalho estabilize? Até há bem pouco tempo, no Porto não havia uma faculdade de direito pública. O ministério da educação cedeu, o Porto «ganhou» a sua reivindicação e agora tem a sua faculdade de direito pública. Todos os anos saem de lá dezenas de advogados que vão engrossar o número (de desempregados) de outras dezenas e dezenas que saem das faculdades de Lisboa (onde há duas faculdades de direito!), de Coimbra e de várias dezenas de faculdades de direito privadas!!!!!
Por hoje chega, com a certeza de que ainda hei de voltar a este assunto.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Reflexão
Hoje vou colocar aqui uma carta de despedida de um enfermeiro para o PR. Vale a pena lê-la e meditar em tudo o que os governantes deste país nos fizeram e nos conduziram, E o problema máximo disto é que todos nós somos culpados, porque foi com o nosso voto que estes governantes lá estão sentados na cadeira do poder.
"Carta de despedida à Presidência da República
Excelência,
Não me conhece, mas eu conheço
‐o e, por isso, espero que não se importe que lhe dê alguns dados biográficos. Chamo‐me Pedro Miguel, tenho 22 anos, sou um recém licenciado
da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Nasci no dia 31 de Julho de
1990 na freguesia de Miragaia. Cresci em Alijó com os meus avós paternos, brinquei na
rua e frequentava a creche da Vila. Outras vezes acompanhava a minha avó e o meu
avô quando estes iam trabalhar para o Meiral, um terreno de árvores de fruto, vinha
(como a maioria daquela zona), entre outros. Aprendi a dizer “bom dia”, “boa tarde”,
“boa noite” quando me cruzava na rua com terceiros. Aprendi que a vida se conquista
com trabalho e dedicação. Aprendi, ou melhor dizendo, ficou em mim a génesis da
ideia de que o valor de um homem reside no poder e força das suas convicções, no
trato que dá aos seus iguais, no respeito pelo que o rodeia. Voltei para a cidade onde
continuei o meu percurso: andei numa creche em Aldoar, freguesia do Porto e no
Patronato de Santa Teresinha; frequentei a escola João de Deus durante os primeiros 4
anos de escolaridade, o Grande Colégio Universal até ao 10º ano e a Escola Secundária
João Gonçalves Zarco nos dois anos de ensino secundário que restam. Em 2008
candidatei
‐me e fui aceite na Escola Superior de Enfermagem do Porto, como referi,
tendo terminado o meu curso em 2012 com a classificação de Bom. Nunca reprovei
nenhum ano. No ensino superior conclui todas as unidades curriculares sem “deixar
nenhuma cadeira para trás” como se costuma dizer. Durante estes 20 anos em que vivi
no Grande Porto, cresci em tamanho, em sabedoria e em graça. Fui educado por uma
freira, a irmã Celeste, da qual ainda me recordo de a ver tirar o véu e ficar
surpreendido por ela ter cabelo; tive professores que me ensinaram a ver o mundo
(nem todos bons, mas alguns dignos de serem apelidados de Professores, assim
mesmo com P maiúsculo); tive catequistas que, mais do que religião, me ensinaram
muito sobre amizade, amor, convivência, sobre a vida no geral; tive a minha família
que me acompanhou e me fez; tive amigos que partilharam muito, alguns segredos,
algumas loucuras próprias dos anos em flor; tive Praxe, aquilo que tanta polémica dá,
não tendo uma única queixa da mesma, discutindo Praxe várias vezes com diversos
professores e outras pessoas, e posso afirmar ter sido ela que me fez crescer muito,
perceber muita coisa diferente, conviver com outras realidades, ter tirado da minha
boca para poder oferecer um lanche a um colega que não tinha que comer nesse dia.
Tudo isto me engrandeceu o espírito. E cresci, tornei
‐me um cidadão que, não sendo
perfeito, luto pelas coisas em que eu acredito, persigo objetivos e almejo, como todos
os demais, a felicidade, a presença de um propósito em existirmos. Sou exigente
comigo mesmo, em ser cada vez melhor, em ter um lugar no mundo, poder dizer “eu
existo, eu marquei o mundo com os meus atos”. Pergunta agora o senhor por que
razão estarei eu a contar
‐lhe isto. Eu respondo‐lhe: quero despedir‐me de si. Em
menos de 48 horas estarei a embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É
curioso, creio eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em França
(onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu o sou. Os motivos
são outros, claro, mas o objetivo é mesmo: trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro.
Lamento não poder dar ao meu país o que ele me deu. Junto comigo levo mais 24
pessoas de vários pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos
melhores do mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não
somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado cresci a ouvir.
A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos, o assumir da consequência,
boa ou má (não me considero, volto a dizer, perfeito). Esse assumir de uma
consequência, a pro
‐atividade para fazer mais, o pensar, ter uma perspetiva sobre as
coisas, é algo que falta em Portugal. Considero ridículas estas últimas semanas. Não
entendo as manifestações que se fazem que não sejam pacíficas. Não sou a favor das
multidões em protesto com caras tapadas (se estão lá, deem a cara pelo que lutam),
daqueles que batem em polícias e afins. Mais, a culpa do país estar como está não é
sua, nem dos sucessivos governos rosas e laranjas com um azul à mistura: a culpa é de
todos. Porquê? Porque vivemos com uma Assembleia que pretende ser representativa,
existindo, por isso, eleições. A culpa é nossa que vos pusemos nesse pódio onde não
merecem estar. Contudo o povo cansou
‐se da ausência de alternativas, da
austeridade, do desemprego, das taxas, dos impostos. E pedem um novo Abril. Para
quê? O Abril somos nós, a liberdade é nossa. E é essa liberdade que nos permite sair à
rua, que me permite escrever estas linhas. O que nós precisamos é que se recorde que
Abril existiu para ser o povo quem “mais ordena”. E a precisarmos de algo, precisamos
que nos seja relembrado as nossas funções, os nossos direitos, mas, sobretudo,
principalmente, com muita ênfase, os nossos deveres. Porém, irei partir. Dia 18 de
Outubro levarei um cachecol de Portugal ao pescoço e uma bandeira na bagagem de
mão. Levarei a Pátria para outra Pátria, levarei a excelência do que todas as pessoas
me deram para outro país. Mostrarei o que sou, conquistarei mais. Mas não me
esquecerei nunca do que deixei cá. Nunca. Deixo amigos, deixo a minha família. Como
posso explicar à minha sobrinha que tem um ano que eu a amo, mas que não posso
estar junto dela? Como posso justificar a minha ausência? Como posso dizer adeus aos
meus avós, aos meus tios, ao meu pai? Eles criaram, fizeram
‐me um Homem. Sou sem
dúvida um privilegiado. Ainda consigo ter dinheiro para emigrar, o que não é para
todos. Sou educado, tenho objetivos, tenho valores. Sou um privilegiado. E é por isso
que lhe faço um último pedido. Por favor, não crie um imposto sobre as lágrimas e
muito menos sobre a saudade. Permita
‐me chorar, odiar este país por minutos que
sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no
meu país. Permita
‐me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da
minha aldeia. Permita
‐me, sim? E verá que nos meus olhos haverá saudade e a
esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra. Voltarei com mágoa, mas sem
ressentimentos, ao país que, lá bem no fundo, me expulsou dele mesmo. Não
pretendo que me responda, sinceramente. Sei que ser político obriga a ser
politicamente correto, que me desejará boa sorte, felicidades. Prefiro ouvir isso de
quem o diz com uma lágrima no coração, com o desejo ardente de que de facto essa
sorte exista no meu caminho.
Cumprimentos, Pedro Marques"
Outubro, 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
Reflexões
Amanhã, dizem!, será o dia da apresentação do Orçamento do Estado (OE) definitivo!
Depois de mais de um mês com avanços e recuos. Medidas e mais medidas, umas a caírem, outras novas em cima da mesa... Não me lembro de algum dia se ter passado tal trapalhada e tal confusão!
D. Policarpo parece que disse que «isto» não vai lá com manifestações nem tão-pouco com revoluções. Com uma revolução também não acredito que «isto» vá ao lugar... mas com manifestações acredito que sim. Aliás, e ao contrário do que disse D. Policarpo, a democracia passa também pela liberdade de um povo manifestar aos seus governantes o seu descontentamento.
No passado não muito longínquo, Mário Soares escreveu um livro intitulado Portugal Amordaçado. Pois neste momento o título é extremamente atual. Aliás, até penso que se deveria acrescentar: Portugal amordaçado, manietado e amortalhado.
Um lamentável exemplo disto foi o episódio no dia 5 de outubro o presidente da República ter içado a bandeira com o Escudo de Portugal voltado de cabeça para baixo! Os militares sabem bem o que isto quer dizer: território ocupado; o país rende-se aos «inimigos».
A Tragédia, entre os gregos da antiguidade clássica, era considerada o mais nobre dos géneros. No princípio, consistia apenas num diálogo entre um ator (o hipócrita) e um coro (os sátiros). A pouco e pouco foi-se acrescentando mais atores principais, até um máximo de três: o protagonista, o deuteragonista (o que representa o segundo papel) e o tritagonista (o que representa o terceiro papel na tragédia, reduzindo assim a atuação narrativa do coro). O coro, na tragédia grega, desempenha um papel importantíssimo, porque representa a voz do senso comum.
Assim, os autores das tragédias gregas iam avançando na sua história abrindo caminho à ação para a desgraça final com a rapidez exigida pela tragédia. Quanto mais rápido é o desenlace, tanto mais a obra ganha em beleza.
Ora nesta nossa tragédia, em que temos três protagonistas, nada disto tem beleza, pelo contrário. Mas estes três protagonistas estão a encaminhar a ação muito rapidamente até ao desenlace final que se avizinha trágico: o número de falências de micro e pequenas empresas pode ser assustador; o número de desempregados pode disparar; os cidadãos a empobrecer a olhos vistos.
E o que fazem estes três atores desta tragédia que é em simultâneo, ironia do destino, grega e portuguesa? Pois, seguem o caminho mais fácil e mais rápido: vão-nos ao bolso! As «famosas» reformas ainda não saíram do papel ou dos gabinetes que nós pagamos a peso de oiro. Porque é que não se renegoceia as PPP dizendo apenas isto: Estamos falidos, não vos podemos pagar. Ponto final!
É assim que se passa com as famílias que entram em falência... é assim com as empresas... Porque faliu, não pode pagar. Fim da história.
Até aqui tudo certo, tudo correto. Mas... há o reverso da medalha! Os três atores atuais não se querem esgotar nesta representação. Querem ter um futuro e talvez não convenha zangarem-se com os das privadas, porque, quando a sua atuação terminar, necessitam de uns valentes «tachos» num sítio qualquer em que nada fazem e são muito bem pagos.
Sim, porque cá em Portugal se começa pelo fim (tal bandeira ao contrário): são políticos primeiro e gestores, diretores, assessores, etc. depois, com ordenados pornográficos. Cá, neste retangulozinho à beira mar plantado, existe uma profissão extraordinária: político de carreira...!!!!! O que significa: um indivíduo que nada faz, ganha muito bem e a sua utilidade é uma inutilidade. Claro que o seu «ordenadinho» é pago com os tostões dos contribuintes.
Meus queridos amigos, a «coisa» tem de mudar. E mudar radicalmente. É nos momentos de crise, de tragédia, que nasce a esperança de mudança. E só pode ser o coro (a voz do senso comum) que tem de se elevar, que tem de se fazer ouvir mais alto que as vozes destes atores que há mais de vinte anos (20) nos levam calmamente em direção à desgraça, à lama em que agora estamos atolados.
Desde o 25 de Abril que assistimos ao «Rotativismo», isto é, PS versus PSD, com o terceiro ator no CDS. E andamos nisto; os protagonistas ora mandam, ora se sentam nos lugares da «oposição». Trocam de posições e volta tudo ao mesmo! Tachos e mais tachos, clientelismo, corrupção...
E é no Coro desta Tragédia que tem de partir a voz do bom senso: Que tal não ir aos votos quando chegarem as eleições? Se o Coro fizesse «greve» às eleições era fantástico! Dizer BASTA a este bando do Rotativismo e dizer-lhes muito clara e abertamente: IDE TRABALHAR.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Há dias um dos nossos ministros fez um comentáro hilariante: nós deveríamos ser mais formigas que cigarras... Afinal quem será a formiga e a cigarra? Eis aquilo que o nosso ilustríssimo Bocage escreveu sobre tão famosa fábula:
«A cigarra e a formiga
Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha,
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe, que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão, com que manter-se
Té voltar o aceso estio.
"Amiga (diz a cigarra)
Prometo à fé de animal
Pagar-vos antes de agosto
Os juros, e o principal."
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso ajunta:
"No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: "Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora."
"Oh, bravo! (torna a formiga)
Cantavas? Pois dança agora.»
Bocage, Antologia poética
Mutatis mutandis... será que algum dia andámos a cantar? Mas de certeza que agora iremos todos dançar...
«A cigarra e a formiga
Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha,
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe, que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão, com que manter-se
Té voltar o aceso estio.
"Amiga (diz a cigarra)
Prometo à fé de animal
Pagar-vos antes de agosto
Os juros, e o principal."
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso ajunta:
"No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: "Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora."
"Oh, bravo! (torna a formiga)
Cantavas? Pois dança agora.»
Bocage, Antologia poética
Mutatis mutandis... será que algum dia andámos a cantar? Mas de certeza que agora iremos todos dançar...
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Máximas e reflexões
«Viver na Ideia significa lidar com o impossível como se fosse possível. Passa-se o mesmo com o caráter. Se ambos se encontram, produzem-se acontecimentos tais que o mundo precisa de vários séculos para se recompor do espanto.» Johann Wolfgang von Goethe, Máximas e reflexões
«Nada é mais repugnante que a maioria. Porque a maioria é constituída por uns quantos precursores dotados de grande força, por tratantes que se acomodam, por fracos que se vão assimilando e pela massa que se deixa arrastar sem saber minimamente o que quer.» Johann Wolfgang von Goethe, idem
«Emendar é coisa que os alemães sabem fazer. Ajudar, não sabem o que seja.» Johann Wolfgang von Goethe, idem
domingo, 23 de setembro de 2012
Faz hoje oito dias que eu não estava aqui. Estava a duas centenas de quilómetros e ansiava-se por um dia fantástico passado com pessoas unidas por laços familiares.
E foi efetivamente um dia muito bem passado, um dia feliz, pelo menos para mim.
Independentemente da crise por que todos estamos a passar foi um dia repleto de abundância: boa comida e farta, muitos sorrisos e grandes gargalhadas! Espero ansiosamente pelo próximo encontro e que seja tão bom como este foi.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Mais uns desabafos...
É curioso como vivemos quase como um momento único: empresários e trabalhadores, inquilinos e senhorios unidos contra as decisões de um governo, porquanto, ao longo da história, sempre uns e outros andaram de candeias às avessas!
Os trabalhadores e empresários estão unidos contra a subida dos primeiros e a descida dos segundos da TSU. E esta união contra esta medida, penso eu, assenta no seguinte: numa empresa pequena, empregados e patrões, neste momento, vivem momentos angustiantes. Não conseguem vender os seus produtos. Ambas as entidades se juntam, unem esforços para a manutenção dos seus postos de trabalho e fazem-se sacrifícios para que a empresa não afunde. Porém, se avançar aquela medida, os trabalhadores vão ver o seu salário ser reduzido 7% em favor do seu empregador. E o empregador pode perder a solidariedade, a compreensão e , porque não até, a amizade dos seus trabalhadores, porque se cria um mal-estar incómodo e desagradável entre funcionário e patrão.
Nos tempos que correm é ótimo um senhorio ter um inquilino que lhe pague a renda em tempo e todos os meses. Com o aumento da renda, numa situação de salários em atraso, dificuldades de toda a ordem, qualquer subida no valor a pagar da renda torna-se problemático.
Tal momento de união entre todos os cidadãos dá que pensar e, na minha opinião, estamos a viver um momento extrordinário! E o governo, na minha opinião, devia estar atento e ver que algo de muito estranho e singular está a acontecer; e deveria interrogar-se sobre o caminho que teima em seguir.
As pessoas não são animais de laboratório, nem se deve pegar nelas e transformá-las em fórmulas matemáticas longas e enfadonhas que raramente apresentam soluções para além do papel, porque a vida é feita de múltiplas variáveis que muitas vezes, em ambientes protegidos de laboratório dão excelentes resultados, mas quando as pomos em prática ao ar livre tomam dimensões que não pudemos controlar.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Desabafos...
Na passada sexta-feira após a comunicação ao país do PM fiquei em choque. E neste estado me mantive até terça-feira, dia em que o ministro das Finanças (MF) falou, em que fiquei em estado de choque.
Penso que o governo está declaradamente em guerra com os portugueses. Olhando para a história, não me recordo de semelhante.
Não sei nada de economia, nem percebo patavina de finanças, mas tenho lido muitos livros sobre esta matéria. Os cortes de salários apenam empobrecem. Empobrecem as pessoas e consequentemente empobrecem um país. Bem sei que desde que Portugal entrou no euro, os desmandos foram muitos. Houve muita gente que pensou e acreditou que só por isto nunca mais haveria problemas e começou-se a gastar e a fazer despesas sem controlo. A dívida dos portugueses, das empresas, do estado disparou. Até aqui tudo bem. Sei que a única forma de controlar a dívida é cortar nas despesas.
O governo escudando-se no memorando da troika defende o aumento de 7% de todos os trabalhadores no imposto a ser pago à Segurança Social, baixando assim o valor a pagar pelas empresas, justificando que tal medida vai impulsionar a economia, gerar mais emprego, porque as empresas passam a ter mais dinheiro para poderem contratar.
Se isto não fosse tão triste, daria uma boa comédia. Como é que é possível? As pessoas vão ver os seus rendimentos do trabalho diminuírem, logo não podem consumir, não podem gastar. As empresas, apesar de ganharem uns trocos com o abaixamento da TSU, não vão contratar mais funcionários, porque vão ter dificuldades em manter os que já têm, uma vez que não conseguem escoar os seus produtos. Isto é um presente envenenado às nossas empresas oferecido numa bandeja de prata pelas mãos do PM e MF.
Mais: se este ano apesar das duras medidas já impostas: corte dos subsídios, corte dos salários, aumento do IVA, Portugal ultrapassou a meta do défice imposta para este ano, e o MF já avisou que para lá chegar vai ter de haver medidas extraordinárias, como é que para o ano a meta se vai situar nos 4,5%? E em 2014 2,5%??????
Para 2013 o que está previsto é o aumento do imposto para a Segurança Social para todos os trabalhadores, aumento do IRC para as empresas, aumento do IRS para todos os particulares, cortes nos subsídios para os reformados e baixa da sua pensão... Como é que com todas estas medidas ainda vamos ter tecido empresarial? Se neste último ano foram centenas e centenas de pequenas e médias empresas que encerraram as suas portas, no ano que vem vão fechar as que ainda existem. Infelizmente é esta a minha convicção. O desemprego que agora dizem que se situa nos 16% e, na minha opinião é um número não real, porque é mais elevado, vai disparar para valores nunca vistos. Neste cenário negro, Portugal tem de atingir a meta do défice dos 4,5% e no ano seguinte 2,5%? Como? Sem empresas, sem economia, com milhões de desempregados...
Hoje o Público publica uma entrevista com o diretor do FMI. Diz ele que a medida do governo em mexer na TSU não é uma imposição da troika. E o abaixamento dos salários não é uma boa medida... Em que é que ficamos?
É curioso como Portugal move-se sempre em contraciclo em relação à Europa! Quando a Europa andava num desvario em busca de soluções, nós andávamos aqui como uns bons alunos, a portámo-nos muito bem. Finalmente, a Europa parece que encontra uma solução que faz respirar de alívio os países em dificuldades, que leva ao abaixamento das taxas de juros, andamos nós num desvario...
Os nossos «ilustres» governantes sempre nos disseram que tínhamos que nos desmarcar da Grécia! Afinal o que é que aconteceu à Grécia? Tem grande parte da sua dívida perdoada, não respeita qualquer ponto imposto pela troika, já pediu mais dinheiro, e este foi-lhe concedido, já pediu mais tempo e foi atendida. Muito se falou sobre a possibilidade de sair do euro. Coisa que até agora ainda não aconteceu. Afinal nada de mal aconteceu à Grécia... Pelo contrário!
Estes nossos «ilustres e doutos» governantes querem ir para além da troika. Mas, lamentavelmente, só vão para além dela apenas nos cortes, nos roubos ao mexilhão. Alguém já viu as outras medidas que constam do memorando postas em prática? Onde está a diminuição do número de câmaras e juntas de freguesia? Mantém-se tudo igual. Onde está a reforma judicial? Onde estão as tão faladas parcerias público-privadas?
Acredito que mexer nestas últimas é muito difícil porque os contratos estabelecidos entre o estado e alguns privados foram feitos de tal forma que nos vincula de uma maneira ultrajante. Mas temos um código civil e um código penal.
É fácil dar conferências de imprensa dizendo que vão cortar nos rendimentos do mexilhão. É o caminho mais fácil, porque o outro, o caminho de ir buscar dinheiro aos interesses instalados, é muito difícil. É mais fácil roubar quem não se conhece, afinal, nós para os nossos «ilustres e doutos» governantes somos apenas um número, não somos pessoas... Agora os outros, os outros são conhecidos e afinal, quando se sai do governo, pode-se vir a necessitar deles.
Quanto ao roubo nas pensões. Os reformados do nosso país trabalharam durante muitos anos, muitos, mais de 40 anos, e durante toda a sua vida depositaram grande parte dos seus rendimentos provenientes do seu salário nos cofres do estado, acreditando que quando chegasse a sua idade de reforma, iriam receber aquilo por que tanto trabalharam. ERRADO!
Agora o mesmo estado que lhes devia, porque é da sua obrigação, garantir esse dinheiro porque eles deram muito ao seu país, rouba-lhes grande parte do seu dinheiro.
Haverá alguém que neste momento queira confiar o seu dinheiro em tal instituição? Pior, haverá alguém que neste momento acredita e tem esperança nesta instituição? O estado não está a ser uma «pessoa» de bem. Rouba, mente, e engana descaradamente os seus filhos. Triste nação que assim procede.
domingo, 26 de agosto de 2012
Há dias li em nota de rodapé que vão ser destruídos os medicamentos que foram comprados para combater a tal gripe dos porcos. São cerca de 10 milhões de euros que vão ser queimados... E fui à minha caixa de correio eletrónico em busca do que na altura correu na Internet sobre a «espiral de pânico» que se instalou nos estados e veiculada pelos órgãos de comunicação social.
Vale a pena relembrar o que na altura da propaganda (branca porque se lhe sabe a origem) foi escrito. Já nessa altura se falava em pandemia de lucro, que agora se veio a revelar verdadeira.
Vale a pena relembrar o que na altura da propaganda (branca porque se lhe sabe a origem) foi escrito. Já nessa altura se falava em pandemia de lucro, que agora se veio a revelar verdadeira.
PANDEMIA DE LUCRO
Que interesses económicos se movem por detrás da gripe porcina?
Que interesses económicos se movem por detrás da gripe porcina?
No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vítimas de malária que se podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto, nada falam!
No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 cêntimos.
Os noticiários, disto, nada falam!
Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários, disto, nada falam!
Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves... os noticiários mundiais inundaram-nos de notícias...
Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos... 25 mortos por ano.
A gripe comum mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.
Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves?
Porque atrás desses frangos havia um «galo», um galo de crista grande.
A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflu vendeu milhões de doses aos países asiáticos.Ainda que o Tamiflu seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.
Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.
Antes com os frangos e agora com os porcos.
Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso...
Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo...
Só a gripe porcina, a gripe dos porcos...
E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um «galo»... atrás dos porcos... não haverá um «grande porco?
A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflu. O seu principal acionista é nada menos que uma figura sinistra: o senhor Donald Rumsfeld, secretário da Defesa de George Bush, artífice da mentira e da guerra criminosa contra o Iraque...
Os acionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflu.
A verdadeira pandemia é a do lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.
Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países.
Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação, então se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.
QUAL A REALIDADE DESTA «PANDEMIA» E DE TANTAS OUTRAS...?
Os noticiários, disto, nada falam!
No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 cêntimos.
Os noticiários, disto, nada falam!
Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários, disto, nada falam!
Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves... os noticiários mundiais inundaram-nos de notícias...
Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos... 25 mortos por ano.
A gripe comum mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.
Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves?
Porque atrás desses frangos havia um «galo», um galo de crista grande.
A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflu vendeu milhões de doses aos países asiáticos.Ainda que o Tamiflu seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.
Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.
Antes com os frangos e agora com os porcos.
Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso...
Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo...
Só a gripe porcina, a gripe dos porcos...
E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um «galo»... atrás dos porcos... não haverá um «grande porco?
A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflu. O seu principal acionista é nada menos que uma figura sinistra: o senhor Donald Rumsfeld, secretário da Defesa de George Bush, artífice da mentira e da guerra criminosa contra o Iraque...
Os acionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflu.
A verdadeira pandemia é a do lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.
Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países.
Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação, então se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.
QUAL A REALIDADE DESTA «PANDEMIA» E DE TANTAS OUTRAS...?
O LUCRO FÁCIL OU A CORRUPÇÃO A NÍVEL GLOBAL?
Deste meu cantinho, por vezes, também me apetece refletir sobre a situação atual do nosso país e do mundo. É por isso que hoje vou aqui colocar algo que nos ajude a refletir...
O seguinte texto foi publicado recentemente no El País, tendo-se tornado absolutamente viral em Espanha. Reflete sobre o terrorismo financeiro e a captura económica. Chama as coisas pelos seus nomes e faz uma análise sobre o capitalismo atual que está a incendiar não só Espanha como todo o mundo. O título é «Um canhão pelo rabo», e é escrito por Juan José Millas.
Um canhão pelo rabo
Se percebemos bem -- e não é fácil, porque somos um bocado tontos --, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com um corpo de criança num bordel asiático.
Esse porco sacana pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais, caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.
Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas -- e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.
Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco sacana compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os seus cidadãos, digamos, com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.
A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país -- este, por acaso --, e diz «compro» ou «vendo» com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.
Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública -- onde estas ainda existem -- os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lês estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.
E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.
Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.
A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.
A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tão grandes que transbordam dos gráficos.
Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades sobre quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da mãe que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.
Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.
Juan José Millas
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Reflexões
Pelo facto de aqui colocar muita poesia, isso apenas quer dizer que gosto. Gosto dos nossos poetas, não pela dor descrita, mas pelo fingimento de dor. Tal como está demonstrado naquele belíssimo poema do Pessoa!! E por aqui «postar» muitos versos «chorados» não quer dizer que me identifico na «dor» do Poeta, pelo contrário, gosto da poesia de Pessoa e de Espanca e ponto final. Vou até mais longe: acho-os muito bonitos, belos até. E é só e apenas (perdoem-me a redundância) pela beleza que aqui os coloco e, também porque não?, para os divulgar. E tomara eu (presunção e água benta...) que todos os que me seguem gostassem tanto como eu e que fossem a «correr» para as livrarias e comprassem dezenas, centenas dos livros de poesia de que me sirvo para os divulgar.
Mas não é só por Pessoa e Espanca que os meus gostos se sentem atraídos, mas também por Camões e os seus sonetos, Homem de Melo, Quental e outros, mas para isso tenho de ir ao «depósito» buscar os meus queridos Poetas que em prateleiras repousam adormecidos à espera que eu os traga, os abra, escolha os melhores versos e os divulgue neste cantinho.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Aos que visitam o meu blogue
Este meu cantinho não passa só pelos meus poetas portugueses de eleição... houve muitas outras influências ao longo da minha vida: a dos escritores russos, entre eles destaco os meus preferidos: León Tolstói e Fiódor Dostoiévski. Do último li (os que me conhecem sabem porquê) quase toda a sua obra, muitíssimo bem traduzida (diretamente do russo e muito bem cuidada), cuja escolha de títulos tenho dificuldade em fazê-lo, mas a minha preferência aponta para Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov. Apesar de também ter gostado muito de O Duplo, O Jogador e O Idiota, todos traduzidos por Filipe e Nina Guerra e editados pela Editorial Presença. Aliás recomendo vivamente a todos que leiam estes livros porque vale a pena. São intemporais. Está ali tudo, até a crise atual.
De Tolstói, a escolha vai para Anna Karenina e Guerra e Paz. Ambos lidos em plena juventude e que tiveram grande influência nos meus gostos e preferências literárias. Relativamente ao primeiro título deste autor, tenho uma tradução muito pouco fiável. Ando a «namorar» uma com muito mais qualidade, tenho a certeza, de António Pescada, porque é uma tradução diretamente do russo e sei que é muito cuidada.
Para os que não lidam diariamente com esta «problemática», ou que a desconhecem por completo, a tradução é muito importante, atrevo-me a afirmar, aliás, que é fundamental. Há expressões, «tiques» de linguagem que se perdem com a tradução de umas línguas para as outras. Ora um livro que foi escrito numa língua e é traduzido para outra, e, por sua vez, será para outra, pelo caminho muitas coisas se perdem. E isto passava-se com as traduções, até há bem pouco tempo, dos escritores russos: normalmente, a tradução para o português partia de livros escritos em francês. O meu Guerra e Paz resulta de uma tradução do francês, assinada por Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões. Ambos tradutores (e não só) de renome.
Felizmente que os nossos editores tiveram sensibilidade para este fenómeno e começaram a editar livros com traduções que partem de livros escritos na língua original. Para dar um pequeno exemplo de como a tradução é importantíssima para mim e deve ser importantíssima para vós: tenho 3 livros de Jane Eyre: um traduzido por alguém que já nem me lembro e dois pelo João Gaspar Simões. Um destes últimos estava em muito mau estado de conservação (de tantas vezes ter sido manuseado que as folhas ameaçam rasgar-se) daí ter comprado um outro, em 2004, com data de edição de janeiro desse mesmo ano, não coloco a editora, porque já fechou.
Agora, para além de andar a «namorar» o Ana Karenina com tradução de António Pescada, também ando a namorar o David Copperfield com a tradução de Cabral do Nascimento, também figura de vulto das nossas letras. É claro que tenho um outro David Copperfield, uma edição de luxo, que me foi oferecida pelos meus anos, talvez pelos meus 12 anos, e lido avidamente (naquela idade não dava importância à tradução, o que eu queria era ler, ler e ler, independentemente de quem traduzia o livro. A preocupação e o cuidado vieram mais tarde), carregado de figuras, mas não foi traduzido pelo Cabral do Nascimento.
Há manias e cada um de nós tem as suas. As minhas prendem-se com as traduções e com os livros... :-)))
Mas uma coisa podem vocês estar certos: há diferenças e muitas diferenças nas traduções. E um livro muito bem traduzido dá muito mais prazer.
domingo, 19 de agosto de 2012
O novo acordo ortográfico
A tod@s os que se mantêm ainda renitentes quanto à nova forma de escrita, vou aqui deixar umas curtas palavras de Horácio, figura ilustre grega, na sua Arte Poética: « Foi lícito e lícito sempre será lançar um vocábulo cunhado com o selo da modernidade. Assim como as florestas mudam as folhas no declinar dos anos, e só as velhas caem, assim também cai em desuso a velha geração de palavras e, à maneira dos jovens, as que há pouco nasceram em breve florescem e ganham pleno vigor».
Aliás, se, ao longo de mais de 800 anos que tem a nossa língua pátria, não tivesse sofrido alterações, ainda agora escreveríamos e falaríamos assim:
«Ora faz ost'o senhor de Navarra
pois en Proenç'est el-rei d'Aragon;
non lh'an medo de lhis poer bozon
riir-s'an mui'en dura edarra
mais, se Deus trag'o senhor de Monçon,
ben mi cui'eu que a cunca lhis varra.»
João Soares de Paiva, 1196
Ou esta belíssima cantiga de amigo, atribuída a D. Sancho I, de 1199:
«Ay eu, coitada, como vivo
en gram cuydado por meu amigo
que ey alongado! Muyto me tarda
o meu amigo da Guarda.»
Ou ainda, mais um exemplo da nossa grafia de outrora, exemplificado neste trecho de uma cantiga de amor:
«Quand'eu passo per alguas ribeiras
so boas árvores, per bõos prados,
se cantam i pássaros namorados,
log'eu con amores i vou cantando
y logo ali d'amores vou trobando
y faço cantares en mil maneiras.
Eu en gran viço e grand'alegria,
quando mi as aves cantam no estio.»
E poderia continuar a dar-vos exemplos de que a língua portuguesa é uma língua viva. Por isso é necessário e fundamental continuar a dar-lhe vida para que cada vez mais outros povos a falem, a escrevam e a compreendam porque temos muitos Autores portugueses que merecem ser lidos na nossa língua pátria.
Aliás, se, ao longo de mais de 800 anos que tem a nossa língua pátria, não tivesse sofrido alterações, ainda agora escreveríamos e falaríamos assim:
«Ora faz ost'o senhor de Navarra
pois en Proenç'est el-rei d'Aragon;
non lh'an medo de lhis poer bozon
riir-s'an mui'en dura edarra
mais, se Deus trag'o senhor de Monçon,
ben mi cui'eu que a cunca lhis varra.»
João Soares de Paiva, 1196
Ou esta belíssima cantiga de amigo, atribuída a D. Sancho I, de 1199:
«Ay eu, coitada, como vivo
en gram cuydado por meu amigo
que ey alongado! Muyto me tarda
o meu amigo da Guarda.»
Ou ainda, mais um exemplo da nossa grafia de outrora, exemplificado neste trecho de uma cantiga de amor:
«Quand'eu passo per alguas ribeiras
so boas árvores, per bõos prados,
se cantam i pássaros namorados,
log'eu con amores i vou cantando
y logo ali d'amores vou trobando
y faço cantares en mil maneiras.
Eu en gran viço e grand'alegria,
quando mi as aves cantam no estio.»
E poderia continuar a dar-vos exemplos de que a língua portuguesa é uma língua viva. Por isso é necessário e fundamental continuar a dar-lhe vida para que cada vez mais outros povos a falem, a escrevam e a compreendam porque temos muitos Autores portugueses que merecem ser lidos na nossa língua pátria.
sábado, 18 de agosto de 2012
Olá Amig@s
Faz hoje precisamente 10 dias que criei este local de «postagem» de poemas, reflexões, curiosidades e até ao momento já tive 207 visualizações. Nada mau.
O que eu efetivamente acho curioso e fantástico é como isto da Internet chega a todo o lado. A nota máxima de visualizações vai para a Rússia (obrigada, muito obrigada!).
Claro, acharão vós, e com toda a razão, que 207 visualizações não é nada de especial, mas para mim que não dava nada por isto, não deixa de ser fenomenal! :-)))
A preguiça
Hoje estou preguiçosa para me pôr para aqui a escrever. Pudera, estive praticamente toda a noite acordada por causa de uma festa da vila. Tocou uma banda até cerca das 3 ou 4 da manhã e depois vieram os CD com som da «pesada». Ainda agora colocaram um disco em tais decibeis que até os vidros das janelas vibraram. Suponho que esta noite seja semelhante à anterior. :-((((
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
In memoriam de uma livraria
Muitos dos livros aos quais tenho recorrido para colocar aqui alguns poemas, citações, provérbios, etc. foram comprados numa livraria, na Livraria Portugal que se situava na Rua do Carmo, próximo do Chiado. Desde que fui para Lisboa, em 2000, passou a ser a minha livraria de eleição. Fascinavam-me aquelas paredes carregadas de saber, com alguns recantos que escondiam livros que não se vendiam em qualquer livraria ou hipermercado ou supermercado.
Mal se atravessava a porta, chegava até nós o cheiro do papel. Em grandes mesas estavam colocadas as novidades. Mas o meu interesse não eram as novidades, mas sim aqueles livros de pequena tiragem: os livros sobre filosofia, as obras de Shaskespeare, os dicionários, os livros de poesia e tantos outros que eu retirava das prateleiras de madeira e desfolhava avidamente. Quando me dirigia a qualquer dos funcionários indagando sobre géneros e onde os encontrar, rapidamente era encaminhada para o local certo. E ali poderia permanecer o tempo que me apetecesse. Tantas e tantas vezes fui para o metro, em direção a casa, com os sacos de plástico a abarrotar de livros! Sempre que me apetecia comprar para ler algum livro especial, eu sabia que o ia encontrar na Livraria Portugal. E foi verdade. E assim foi durante 12 anos até fevereiro deste ano. Nos finais desse mês, a minha Livraria Portugal encerrou as portas... E encerrou-as de tal maneira que, ao passar por aquele lugar, me é muito difícil encontrar o seu local de outrora.
Ao pegar nestes meus livros comprados naquela catedral do livro, bate à porta do meu coração uma imensa saudade. Tenho esperança que tu, minha Fénix, renasças um dia das cinzas em que a fogueira da crise ou não crise, da liberalização do mercado ou não mercado te transformou. E renasças com uma roupagem nova, mas com a mesma essência de outrora: os livros que não estão nos supermercados, nos hipermercados, ou seja lá onde for, os tenhas tu escondidos nos recantos do teu ser para que eu os possa ler, saborear as palavras, cheirar, partilhar...
Até sempre!
Reflexões
Olá amig@s
Tenho «postado» aqui no meu blogue alguns poemas dos meus poetas favoritos, não porque me sinto a «morrer de amores» tal como a Florbela Espanca, ou algo semelhante, mas porque lhes encontro beleza linguística. Florbela Espanca, aliás já aqui coloquei uma breve biografia desta poetisa, era uma mulher doente e isso passa para os seus versos. Há muito tempo alguém a definiu como uma mulher «lamechas e sempre a suspirar por amores terminados ou impossíveis». Já não me recordo quem disse isto. Mas não é por causa da lamechice exagerada que os seus versos não são bonitos.
Nos nossos tempos de liceu a poesia, e literatura em geral, foi-nos ensinada de acordo com o programa estabelecido. Fomos obrigados a dissecar os versos um a um, à semelhança de um médico-legista que abre o corpo que jaz numa marquesa, lhe retira as entranhas, observa os órgãos ao microscópio e os pesa numa balança. Ora tal «investigação» retira toda a beleza aos nossos poetas. Ficámo-lhes com tal «alergia» que nem lhes descobrimos beleza ou sentido. Hei de, com o tempo, colocar mais versos de outros poetas: Cesário Verde, Antero de Quental e outros mais recentes e menos conhecidos. Tudo para vos voltar a lembrar que ler poesia sem a pressão da dissecação dos versos, das palavras, analisá-las à lupa, esmiuçar o poema, lê-lo da esquerda, virá-lo, lê-lo da direita, esticá-lo, espremê-lo e por fim deixá-lo completamente desventrado, sem sumo e sem conteúdo, ficando apenas um sabor amargo e desagradável de tarefa concluída. E dessa memória acreditamos que a poesia é chata, muito chata e todos poetas são umas grandes secas que só escreveram para nos infernizar a vida :-)
Que tal método continue a ser seguido na faculdade, acho muito bem, mas que ainda se continue a seguir o mesmo processo no liceu... não sou dessa opinião. A literatura especialmente a poesia deviam ser olhadas não como uma desventração de palavras, sílabas, saber se há aliteração num soneto, uma elipse ou uma metáfora; se o poema sofre de uma terrível doença de pleonasmo ou de hipérbole ou, pior pior, se padece de uma virulenta anástrofe! Não e não. Os senhores que criam os programas que me perdoem a audácia, mas não partilho das vossas escolhas. A poesia e a lituratura deveriam seguir um programa leve, ensinar, sim, os jovens a gostarem de ler os nossos Poetas, levá-los a sentirem os versos, a musicalidade da rima, a encontrar-lhes beleza e pontos de semelhança com a vida quotidiana e a amarem a poesia. Ensiná-los a gostar de ler e a levá-los a descobrir que leitura não é aborrecimento. E, continuo a esplanar a minha opinião, evidentemente, não é seguindo um programa que obriga a saber se o narrador é autodiegético, heterodiegético ou homodiegético, se a focalização é interna, externa ou omnisciente, se a personagem é redonda ou plana...
É curioso que na faculdade não me recordo de ter aprofundado com tanto rigor um romance ou um poema como nos meus tempos de liceu. E ainda bem que assim foi, porque se assim não fosse acredito que ainda agora abominava totalmente estes grandes Poetas que aqui tenho colocado.
Esta, claro, é a minha opinião e eu apenas tenho uma licenciatura e uma habilitação própria para lecionar Língua Portuguesa. Então que sei eu?
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Amig@s
Tenho estado ocupada com coisas de «agricultura», tanto ontem como hoje vou estar, por este motivo é que não tenho «postado» mais coisas. :-)))
Subscrever:
Mensagens (Atom)










