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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Estes são os dois livros em que me vou basear no estudo da Primeira Guerra Mundial. Na minha opinião são dois livros extraordinários que relatam ao pormenor todo o conflito, desde a sua origem até ao seu terminus.

Comecemos então a estudar as causas que deram origem ao fenómeno.
Entre os finais do século XIX e os princípios do século XX as distâncias encurtaram e o mundo estreitou-se, o que implicou a intensificação das trocas comerciais. Às autoridades reconhecidas e declaradas como eram o rei, o padre, a lei, a família, o patrão, o oficial, juntou-se outras anónimas, sem rosto, incontroláveis: os responsáveis pelas descidas dos produtos agrícolas na Europa, dando origem à ruína dos campos e à consequente miséria dos agricultores, os que provocam  graves crises económicas, os responsáveis pelo fazer ou desfazer de modas ou opiniões. Uma turba multa sem rosto, sem nome, totais desconhecidos que provocam a ruína de milhões de pessoas, enfim, os sucedâneos dos atuais «mercados».

Ora, nesta era em contínua transformação, desapareceram atividades milenares, novas profissões nascem e outras morrem. Umas empresas fecham e novas abrem. O mesmo acontece aos centros urbanos em que grande número desaparece crescendo outros. Tudo em nome do progresso, da lei ou da liberdade.
Em paralelo cresce também o número de funcionários. Na Alemanha de 1870 havia um funcionário para cada 825 habitantes; em 1905 passou a existir um para cada 216 habitantes. O mesmo fenómeno estendeu-se à Rússia, em que o número não parou de crescer. Nas vésperas da guerra, em França, um em cada 11 eleitores é funcionário. Enquanto que estes funcionários têm o seu futuro assegurado pelas suas reformas, outros não têm, são as chamadas massas, insatisfeitas, com o futuro incerto, em fuga dos campos que já não lhes garantem o sustento por causa da queda dos preços dos produtos agrícolas, invadem os grandes centros urbanos orbitando em seu redor em busca de melhores condições de vida.
A emigração faz-se sentir aos milhões. Russos, ingleses, alemães, escandinavos, eslavos, italianos abandonam os seus países e atravessam o Atlântico em direção à América.

Entre 1840 e 1914 é na Rússia que se faz sentir e temer mais a possibilidade de uma agitação social violenta, provocada pelo atraso económico do país que se traduz, no plano social, pela fraqueza da classe média. Enquanto que na Grã-Bretanha, na França e na Alemanha os movimentos sociais atenuam-se, o desemprego suaviza-se e a segurança de todos parece garantida.
Na França, entre 1900 e 1914, o salário real da maioria dos operários quase duplica e baixa o número dos que recorrem às casas de penhores. Graças à difusão da imprensa, ao desenvolvimento escolar, à alimentação variada, à aquisição de bicicletas e louças variadas criaram-se novas necessidades materiais. Com o aumento dos salários e a consequente melhoria das condições de vida subir na escala social torna-se um direito imprescindível, o que conduz a uma vivência mais interessante, mais rica. Igual fenómeno acontece em Londres e na Alemanha.
Uma americana, Caroline E. Playne, que residia em Londres na altura registou o seguinte: «As dificuldades e os constrangimentos da vida produziram uma geração muito ambiciosa. As pessoas não têm paciência para esperar que as nossas condições de existência lhes deem uma boa situação. E a guerra, a guerra eclodirá, libertá-las-á desta dificuldade. Sem o saberem estes homens tinham substituído o hino à vida ou à revolução por um grande rancor.»

Pacifismo e internacionalismo confundem-se com o individualismo e o patriotismo. Um acontecimento extraordinário que só a natureza desta guerra explica: era considerada por todos uma guerra de defesa patriótica, logo uma guerra justa e uma guerra inelutável. E deste modo a Europa caminha a passos largos para o seu primeiro conflito bélico do século XX.

Até ao próximo estudo, sim?

Para o ano, 2014, faz cem anos que a Europa assistiu a um conflito bélico que até aí não havia memória: a Primeira Guerra Mundial, um conflito bélico que decorreu de 1914 a 1918 que ceifou mais de nove milhões de soldados de Infantaria, Marinha e Força Aérea. Calcula-se que mais de cinco milhões de civis morreram em consequência da ocupação, bombardeamentos, fome e doenças.

Ao longo do ano corrente irei aqui colocar alguns textos elucidativos que deram origem ao conflito. 
Como estamos em 2013 irei iniciar esta conversa convosco a partir de 1913 podendo, sempre que for necessário, recuar mais um pouco no tempo, para podermos entender melhor este grande conflito que teve início no coração da Europa e depois se estendeu ao resto do mundo.

Chamar-lhe-ei o «Prelúdio da Guerra».

É evidente que a Internet está cheia de explicações, textos sobre este tremendo conflito e, para todos os que estão interessados em melhorar os seus conhecimentos, poderão recorrer a eles. Contudo, eu penso no meu público restrito e fiel, que me tem acompanhado desde o início desta aventura pela blogosfera e penso que sendo eu a escrever, o assunto terá mais sabor e será devidamente lido; e é a pensar em vós que eu me aventuro por estas águas lodosas que um conflito armado desta envergadura sempre provoca, chegando mesmo a ser nauseante pensar que tudo apenas começou pela conquista de um pedaço de terra!
Milhões e milhões de homens pereceram nos campos de batalha e nas trincheiras que anteriormente juravam «guerra à guerra», que aquela iria ser a «mãe de todas as guerras» e depois dela «o mundo nunca mais viria uma nova guerra»!

No início do conflito, logo em 1914, eram muitos os que acreditavam que no Natal tudo estaria resolvido e terminado; a guerra seria curta e ambos os lados, alemães e aliados, seriam os vencedores. Como se fosse possível que numa guerra houvesse vencedores. Todos os intervenientes num conflito bélico são perdedores, quer seja perda de vidas, expoente máximo, quer seja perda de batalhas e da guerra, propriamente dita. Nisto nunca ninguém sai vencedor, apesar do lado ganhador festejar sempre a vitória.

Neste conflito que iremos estudar houve vozes que concordavam com a guerra e outras que discordavam, como é habitual em situações idênticas. Todavia, neste caso específico, as vozes contra o conflito eram mais do que as que estavam a favor, então como é que as primeiras se viram de repente sem capacidade para o fazer?

Parto para este grande desafio, porque é efetivamente grande e trabalhoso, com a convicção de que ele nos vai ajudar a compreender melhor a história da Europa. E, porque não, mutatis mutandis, ajudar-nos a melhor entender a época atual.

Arregaço as mangas e deito mão à tarefa, esperando que seja do vosso agrado, apesar do tema não ser bonito, mas é real, aconteceu e Portugal esteve nesta guerra. Foram muitos os soldados portugueses que morreram em terras de França. 

Até breve vou agora preparar o próximo texto.