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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Curiosidades filosóficas


Epicuro e o epicurismo

Filósofo grego, nasceu na ilha de Samos em janeiro ou fevereiro de 341 a. C. Foi para Atenas aos 18 anos e estudou filosofia. Aos 32 anos fundou uma escola que se situava num jardim, pelo que os seus discípulos e seguidores foram chamados «filósofos do jardim».

Epicuro via na filosofia o caminho para alcançar a felicidade. É através da filosofia que o homem se liberta de todo o desejo inquieto e maléfico. O filósofo fazia a distinção da filosofia em três partes: a canónica, a física e a ética.

A canónica (de canon) é uma regra que orienta o ser humano para a felicidade e assenta no critério da verdade, que é constituído pelas sensações, pelas antecipações e pelas emoções. Ora como a sensação é sempre verdadeira, umas e outras, uma vez que dela derivam, também são verdadeiras, constituindo o critério fundamental da verdade.

A física de Epicuro baseia-se em que tudo o que existe é corpo, porque só o corpo pode agir ou sofrer uma ação. Do incorpóreo, segundo a opinião do filósofo, só existe o vazio. Assim, todo o nascimento ou morte não é mais do que agregação e desagregação dos corpos. Admite a existência de divindades neste mundo, com a forma humana, porém mais perfeita. As divindades, à semelhança dos seres humanos, também mantêm sentimentos de amizade entre si; e habitam os espaços entre mundo e mundo. Segundo o filósofo, estas divindades não se preocupam com o mundo nem com os homens, porque se isso acontecesse, impor-lhes-ia uma obrigação, e as divindades não têm obrigações, pelo contrário, vivem livres e felizes.

A ética. A felicidade consiste no prazer. Tende-se para o prazer e foge-se da dor. Há dois tipos de prazeres: o prazer estável e o prazer em movimento. O primeiro está ligado à privação da dor e o segundo ao gozo e à alegria. É erróneo associar-se epicurismo ao hedonismo, uma vez que o epicurismo não defende o abandono do ser humano ao prazer por si só, mas sim ao prazer alicerçado no cálculo e na medida dos prazeres. A sabedoria prática, para atingir a vida agradável,  é fundamental. E a vida agradável consegue-se não através dos prazeres sensoriais mas sim através do viver bem; de modo que quem vive durante mais tempo não obtém mais prazer do que quem vive menos tempo. Assim, um estado de tranquilidade ou de imperturbalidade (ataraxia) é a mais elevada forma de felicidade e o objetivo correto da vida, o que exige compreender os limites da vida, não ter medo da morte, cultivar a amizade e eliminar os desejos que não são necessários e os falsos prazeres.

São célebres algumas das suas máximas:

«O mais terrível dos males, a morte, não é nada para nós, porque quando existimos nós não existe a morte, quando existe a morte não existimos nós.»
«Só o cálculo cuidado dos prazeres pode conseguir que o homem se baste a si próprio e não se converta em escravo das necessidades e da preocupação pelo amanhã.»
«É não só mais belo, mas também mais agradável fazer o bem do que recebê-lo.»


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Curiosidades filosóficas

Breve abordagem a Sócrates


Sócrates nasceu por volta de 469 ou 470 a. C. e morreu em 399 a. C. Completou em Atenas a sua instrução e só daqui saiu em três ocasiões para cumprir os seus deveres de soldado. Sempre se manteve afastado da política e a sua vocação era a filosofia. Sócrates entendia a investigação filosófica como um exame incessante de si próprio e dos outros. Ficou célebre a sua máxima «Conhece-te a ti próprio».
Todavia, este homem que dedicou toda a sua existência à filosofia e morreu por ela não deixou qualquer escrito.
A sua filosofia chegou até nós por testemunhos indiretos: Xenofonte, Platão e Aristóteles. Cícero disse uma vez que «Sócrates fez vir a filosofia do céu à terra». A sua filosofia assenta totalmente no homem e no seu mundo. Esta insvestigação deve tender a que cada homem reconheça os seus limites de forma a torná-lo justo, isto é, solidário com os outros. A sua máxima espelha bem a filosofia de Sócrates: um exame minucioso de si próprio em relação aos outros e dos outros em relação a si próprio.
A primeira etapa deste conhecimento assenta no reconhecimento da própria ignorância. Apenas é sábio quem sabe que não sabe, não quem se ilude com saber e ignora até a sua própria ignorância. Efetivamente, só quem sabe que não sabe é que procura saber, enquanto os que creem que sabem não são capazes de investigar; não se preocupam consigo e mantêm-se afastados da verdade e da virtude.
O meio de estimular nos outros este reconhecimento de ignorância é a ironia. A ironia é a interrogação que tem por objetivo revelar ao homem a sua ignorância. Esta é a arma de Sócrates contra a vaidade do ignorante que não sabe que o é, por isso recusa-se a examinar-se a si próprio e a reconhecer os seus limites.

A busca de si mesmo é simultaneamente a busca do verdadeiro saber e da melhor maneira de viver. Saber e virtude, segundo Sócrates, identificam-se. O homem não pode tender senão para saber aquilo que deve fazer ou aquilo que deve ser.
Para o filósofo, o homem crê que sabedoria e virtude são duas coisas diferentes e uma ciência que não seja capaz de dominar o homem e que o deixe à mercê dos impulsos, não é uma ciência.
A ignorância está na base de toda a culpa e de todo o vício. Um mau conhecimento é que faz o homem optar pelo prazer do momento, independentemente das consequências boas ou más que daí possam advir. Porém, quem sabe verdadeiramente, faz os seus cálculos, escolhe em cada caso o melhor prazer, um que não lhe faça nem dor nem mal, que é o da virtude.

A virtude não é o dizer não à vida humana, mas sim a vida perfeita. Abrange o prazer e é acima de tudo o prazer máximo. A diferença entre o homem virtuoso e o homem que o não é, está em que o primeiro sabe avaliar os prazeres e escolher o maior e o segundo, como não sabe fazer esta avaliação, entrega-se ao prazer do momento. A virtude não é puro prazer nem puro esforço, mas cálculo inteligente. E neste não pode ter lugar a defesa da injustiça, porque a injustiça não é mais do que um cálculo errado.

Para Sócrates a virtude é ciência, porque não se pode ser virtuoso conformando-se apenas com as opiniões comuns e com as regras de vida já conhecidas. É ciência porque é investigação autónoma dos valores em que a vida deve estar assente.

Três cidadãos: Melito, Ânito e Lícon acusaram Sócrates de corromper a juventude ao ensinar-lhes crenças contrárias à religião do estado. Ora esta acusação poderia dar em nada se Sócrates tivesse feito qualquer concessão aos juízes. O que não veio a acontecer. Pelo contrário, a sua defesa foi uma exaltação da tarefa educativa que havia empreendido na educação dos jovens atenienses. Declarou que em caso algum abandonaria a sua empresa à qual fora chamado por uma ordem divina. Foi declarado culpado por uma pequena maioria de jurados. Sócrates poderia ainda partir para o exílio ou propor uma pena que estivesse de acordo com o veredicto. Em vez disso declarou com orgulho que se sentia merecedor de ser alimentado a expensas públicas no Pritaneu, como se fazia aos beneméritos da cidade. Agora com mais maioria, foi condenado à morte.

Os seus amigos ainda o tentaram convencer com uma fuga, mas Sócrates recusou: vivera ensinando a justiça e o respeito pela lei, não podia, pela fuga, ser injusto para com as leis, desmentindo assim toda a sua obra e ensinamentos. Para além disso, o filósofo não temia a morte. Acreditava numa outra vida para os justos e somando a esta crença estavam os seus 70 anos de idade. Acreditava que a sua missão estava completa, que lhe tinha sido sempre fiel e que lhe daria a última prova de fidelidade.
As suas últimas palavras foram dirigidas aos seus pupilos: «Se tiverdes cuidado com vós mesmos, qualquer coisa que façais, ser-me-á grata, bem como aos meus e a vós mesmos, ainda que agora vos empenheis em nada. Mas se pelo contrário não vos preocupardes com vós mesmos e não quiserdes viver de maneira conforme àquilo que agora e no passado vos tenho dito, fazer-me agora muitas e solenes promessas de nada servirá.».

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Curiosidades filosóficas



Olá amig@s

Mais um título para juntar aqui ao meu cantinho. Subjugado a este título vou aqui colocar algumas reflexões de grandes filósofos. Hoje vou falar-vos de Heraclito.

Nasceu em meados do século VI a. C. em Éfeso, na Grécia, e morreu já próximo do final do século V a. C., com muita idade. É autor da obra Acerca da natureza carregada de aforismos paradoxais e enigmáticos, o que lhe valeu o epíteto de O Obscuro, e é sem dúvida o filósofo da pesquisa.

O ponto de partida de Heraclito é a constatação do incessante devir. O mundo é um fluxo eterno: «Não nos podemos banhar duas vezes na mesma água do rio; pela velocidade do movimento, tudo se dissipa e se recompõe de novo, tudo vem e vai». O fogo é uma substância fundamental e está na origem de toda a mudança e o logos, ou a voz da razão, enquanto princípio da ordem universal.

Heraclito no seu livro lamenta que os homens, apesar de terem escutado o logos, rapidamente se esquecem dessa voz da razão nas palavras e nas ações. Portanto não sabem o que fazem no estado de acordados, como não sabem o que fazem no estado de sono.
É na natureza, segundo o filósofo, que se encontra a pesquisa. «Se não esperares, não acharás o inesperado, porque não se pode achar e é inacessível». E a pesquisa começa precisamente em nós, no nosso interior, o qual nos revela profundidades infinitas: «Tu não encontrarás os confins da alma, andes o que andares, tão profunda é a tua razão».
O pensamento humano é comum a todos e segundo Heraclito «é necessário seguir o que é comum a todos, porque o que é comum é geral».
Para compreender a lei suprema do ser, é necessário juntar o completo e o incompleto, o concorde e o discorde, o harmónico e o dissonante, o amor e o ódio, a guerra e a paz, a voz e o silêncio. Assim e segundo Heraclito, é de todos os opostos que brota a unidade e é da unidade que saem os opostos, isto é, cada um destes opostos, transformando-se, é o primeiro: «O que é oposto une-se e o que diverge conjuga-se».