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sábado, 1 de dezembro de 2012

1 de dezembro, dia da Restauração



Neste dia 1 de dezembro, o último que é feriado, celebra-se o dia da Restauração. Foi em 1640 que Portugal pôs fim ao domínio filipino que já vinha desde 1580.
Ora vamos lá ver o que nos conta Oliveira Martins na sua História de Portugal: os duques de Bragança eram verdadeiramente os reis da terra, porque eram senhores de grande parte do Minho, Trás-os -Montes e de quase todo o Alentejo. Viviam e comiam como reis, porém, na realidade não eram. Mas ambicionavam o poder. Em 1580 quando o prior do Crato, estouvado, entregou a coroa ao Filipe II de Espanha, o duque de Bragança não quis se meter em tal empresa.
«(...) O 1.º de dezembro nasceu de uma conjuração, como sempre se lhe chamou, e não uma revolução. Os jesuítas, que em 1637 tinham tramado uma revolução, batidos, mudaram de rumo (...). Todos os conjurados acusavam o duque (de Bragança); e para o decidir foi mister propor-lhe claramente, cruamente a dureza da situação. Estava perdido: a conjuração far-se-ia quer ele quisesse ou não; e ou teria de combater contra os seus, ou de acabar miserável no fundo de algum cárcere em Espanha. O medo decidiu-o; rezou a Nossa Senhora, carregou o pescoço de rosários e bentinhos que os jesuítas piedosamente lhe davam; e confiando na proteção do céu e de Richelieu, o émulo de Olivares e íntimo dos jesuítas, resolveu lançar-se à aventura.
O que o dia 1 de dezembro melhor prova não é a audácia dos conjurados, é a indiferença do povo, o medo da burguesia e a inépcia do governo espanhol. Tudo estava podre, tudo caduco.
Os conjurados foram ao paço: mataram com um tiro o secretário Vasconcelos, prenderam a duquesa de Mântua, que assinou todas as ordens para a entrega das fortalezas. Foi uma mutação de cena, uma substituição de pessoas, um acontecimento imprevisto, singular. (...) O castelo abriu as portas, e a guarnição foi convidada a continuar, por conta do novo regime: seria fielmente paga. (..)
Em quinze dia, metade de Portugal aclamava  D. João IV, sem dispêndio de segundo tiro. (...) Quem viu Portugal por esse tempo, descreveu-o como uma região desolada e nua. Extensas campinas, outrora férteis, reduziam-se a poucas folhas cultivadas, em volta de pequenas aldeias. (...)» in História de Portugal de Oliveira Martins.
E foi assim que se deu a Restauração. O pior estava ainda por vir e logo no princípio de 1641 rebentou a guerra que se estendeu até 1668.

domingo, 12 de agosto de 2012

D. Sebastião

D. Sebastião, filho de João de Portugal e Joana de Áustria, nasceu em Lisboa a 20 de janeiro de 1554 e morreu na batalha de Alcácer Quibir a 4 de agosto de 1578. Teve o cognome de O Desejado e, depois da sua morte, O Encoberto.

Aos 14 anos de idade tomou o poder, apesar da cláusula testamentária deixada pelo seu avô, D. João III, que estipulava que o jovem príncipe só poderia governar a partir dos 20 anos. De caráter rebelde, impulsivo, muito devoto; aliás a devoção ocupava-lhe grande parte dos seus dias, deixando a caça e os exercícios físicos para segundo plano. Garoto tímido, olhava para o chão mal uma mulher lhe dirigia a palavra.
Desde tenra idade que adorava assistir aos autos de fé do Santo Ofício. Travesso, uma das suas brincadeiras preferidas era colocar grandes punhados de sal no panelão da sopa dos frades, tornando-a intragável para depois os compensar com canja de galinha.

Sonhava com batalhas, guerras, conquistas. Acalentava a ideia da expansão da fé aos territórios dos «infiéis». Uma vez, D. Sebastião perguntou ao duque de Alba se sabia qual era a cor do medo, ao que o duque respondeu: «Senhor, é da cor da prudência.».
Os gostos atrevidos, insolentes e escarnecedores afastaram todos os velhos da Corte. A avó de D. Sebastião, a rainha D. Catarina de Áustria e viúva de D. João III afastada também da Corte pelo neto, fiava o linho na sua roca.
No verão de 1574, o rei partiu em passeio para Sintra. Mandou que as galés esperassem em Cascais e, dizendo a todos que iria visitar o Algarve, embarcou sem armas, tropas ou canhões, avançando de moto proprio em direção a África, decidido a acabar com os «infiéis». Chega a Ceuta, mas perante a inércia dos mouros, D. Sebastião parte de Ceuta, enfadado por não ter usado a sua espada, e segue para Tânger. Aqui quase que o rei apanhava uma lição, mas o tempo também se tornou seu inimigo. O verão já lá ia longe e com a aproximação do inverno e das tempestades, que quase destruiu toda a frota, o rei é obrigado a abandonar a sua empresa. Durante a borrasca, as naus separaram-se e a do rei só atraca no Tejo no dia 2 de novembro.

Porém, D. Sebastião não se dá por vencido com este revés. Pouco tempo depois, prepara uma campanha para Marrocos. Contra a opinião da maioria dos conselheiros de estado, D. Sebastião rumou ao norte de África na companhia de centenas de caravelas, naus, galeões… 
Esta expedição implicava muito dinheiro, mas o rei não se coibiu: pediu emprestado; esvaziou os cofres dos órfãos, defuntos e ausente; fez do sal um monopólio; aumentou os tributos dos cristãos novos; hipotecou rendas; desvalorizou a moeda; lançou a contribuição de 1% sobre o valor das propriedades; vendeu empregos; arrematou antecipadamente as rendas do estado e por fim obteve, pela força ou pela vontade, muitos empréstimos de particulares. Os soldados vieram de várias partes: da Alemanha, de Castela e de Itália, e deu ordem para que fossem pelo país à cata de soldados, casados, solteiros, voluntários ou involuntários, novos e velhos. Todos serviam.
No dia 25 de junho, a armada largou as velas. O rei levava a bordo a coroa imperial de ouro e a indumentária que iria vestir aquando da cerimónia de coroação em Fez.
Para trás o monarca deixa um país totalmente endividado por muitos anos e muito falatório sobre maus presságios.

Por fim, chegados à costa do norte de África, os conselheiros do rei sugeriram-lhe que se mantivessem na costa e que atuassem a partir dali. Mas não! O nosso monarca embriagado pelos clamores da guerra e da vitória que dava por certa, quis embrenhar-se no território inimigo. Queria vencê-lo em sua casa e ir a Fez coroar-se como monarca.

D. Sebastião partiu e penetrou no território do inimigo. Durante vários dias os soldados seguiram a pé, famintos e sedentos. No dia 4 de agosto, as tropas portuguesas viram à sua frente um numeroso exército. Em pouco mais de uma hora, o exército português tombava aos pés do inimigo e com ele o rei de Portugal.  

Quando a notícia da sua morte chegou a Portugal foram muitos os gritos e o choro. «O reino acabou de ficar sem pele com o preço dos resgates». A sucessão estava preparada a favor de Filipe, que comprava tudo e diante de quem todos reverentes caíam de rastos.