Há dias um dos nossos ministros fez um comentáro hilariante: nós deveríamos ser mais formigas que cigarras... Afinal quem será a formiga e a cigarra? Eis aquilo que o nosso ilustríssimo Bocage escreveu sobre tão famosa fábula:
«A cigarra e a formiga
Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha,
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe, que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão, com que manter-se
Té voltar o aceso estio.
"Amiga (diz a cigarra)
Prometo à fé de animal
Pagar-vos antes de agosto
Os juros, e o principal."
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso ajunta:
"No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: "Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora."
"Oh, bravo! (torna a formiga)
Cantavas? Pois dança agora.»
Bocage, Antologia poética
Mutatis mutandis... será que algum dia andámos a cantar? Mas de certeza que agora iremos todos dançar...
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