segunda-feira, 17 de junho de 2013

Na sexta-feira tive a certeza de que sou duplamente licenciada: isto é, tenho duas licenciaturas: Uma em engenharia de minas e outra em estudos portugueses. A última foi engenharia de minas, apesar de ter sido a primeira! Baralhados? Pois...

O meu percurso académico é sui generis (único no seu género). Comecei a estudar no curso de engenharia civil, não gostei e mudei de curso para Minas, por influência de Zola, e de Aquilino Ribeiro, essencialmente. Não me senti peixe na água, pelo contrário, senti-me fora do contexto. Abandono o curso de Minas definitivamente (já em pleno 4.º ano). Opto pelos estudos portugueses. Aí vou reencontrar os nossos antepassados escritores: D. Dinis, D. Sancho, Bernardim Ribeiro, Camões, Eça, Pessoa, Virgílio, Catulo, etc. Tantos amados. Houve um encontro entre duas especialidades díspares: estabeleci pontes entre elas. Fiz o latim, graças às minhas competências matemáticas, o mesmo aconteceu com a fonética, fonologia e morfologia. Bebi na mesma fonte da lógica.  

Após quase quinze anos dedicados totalmente às letras portuguesas, decido saber que proveitos me traria Bolonha o meu percurso académico na faculdade, após árduo trabalho. Pois consegui um reconhecimento das disciplinas que fiz ao longo de 1986 até 1993/94. 

Posto isto, sou duplamente licenciada. Quais os proventos que tal me traz? Pois, nenhuns, continuo igual ao que sempre fui. Olhando para a situação atual até poderia multiplicar as minhas licenciaturas: tudo iria embater na atualidade: DESEMPREGO. 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Almeida Garrett escreveu um poema narrtivo, em 1825, dedicado a Camões. E desenvolveu-o em forma de cantos, no total 10 cantos. No último pode ler-se:

«Os olhos turvos para o céu levanta;
e já no arranco extremo: Pátria, ao menos
juntos morreremos... E expirou co'a Pátria.» Almeida Garrett, in Camões

Na sequência de uma missiva que um conde regressado da batalha de Alcácer Quibir entrega ao Poeta. O Poeta comove-se daquela forma absolutamente espantosa!
Porque, como todos sabemos, com a morte de D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir, Portugal perdeu a sua independência...
Hoje festeja-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades de Língua Portuguesa.

Por isso, lembrei-me de aqui postar um trecho de Almeida Garrett, que, penso, vem muito a propósito dos tempos em que vivemos:

«Não: Plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamaizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. -- No fundo de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais uma pouca dúzia de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? -- (...) Já deve de andar orçado o número de almas que é preciso vender ao Diabo, o número de corpos que se têm de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e um fidalgo, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro -- seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.
Logo a nação mais feliz não é a mais rica. Logo o princípio utilitário é a mamona da injustiça e da reprovação. Logo...
There are more things in heave and earth, Horatio
Than are dreamt of in your philosophy. (Há mais coisas no céu, há mais na terra // Do que sonha a tua vã filosofia).
A ciência deste século é uma grandessíssima tola.
E como tal, presunçosa e cheia do orgulho dos néscios.»
Almeida Garrett, in Viagens da Minha Terra

sábado, 8 de junho de 2013

Meus amigos:

Atendendo às visitas que vós tendes feito ao meu modesto blogue: estou rendida! Mais de três mil visitas no espaço de quase de um ano é obra vossa. E eu estou profundamente grata pela vossa visita.

Obrigada, a vós, que me visitais, obrigada pela vossa gentiliza, obrigada porque existis....
Meus caros amigos:

Estamos em plena feira do livro (os meus amigos de Lisboa, porque o Porto, devido à autarquia, isto é, à política praticada pelo Rui Rio, ficou sem feira)

Bem, querelas à parte, não posso deixar de referenciar livros que valem a pena serem lidos ou relidos: no meu caso particular estão a ser relidos:

A tradução é excelente.



Outro grande mestre da literatura russo e com uma tradução fantástica de Nina e Filipe Guerra, de palavra que vale a pena a leitura.


Mas há mais que valem a pena e tudo está há distância de uma deslocação até ao Parque Eduardo VII, será que está assim tão longe?

Para a malta do Norte: NÃO HÁ FEIRA! Porém há tantas livrarias que estão totalmente disponíveis para vos receber...

Malta amiga:  dirigi-vos à livraria mais próxima e comprem Tolstói e Dostoiéveski, e, de palavra de honra que não vos estou a aldrabar, irão encontrar semelhanças com a porcaria da crise atual. Não vos estou a enganar, isto é de palavra.

domingo, 5 de maio de 2013

Eu sei que não posso esperar muito do meu blogue, uma vez que me tenho afastado imenso dele.. mas atendendo às circunstâncias em que vivemos: ora baixo, ora alto, ora assim assim, não tenho vontade de escrever seja o que for!

Falar dos nossos poetas, dos nossos escritores do passado em tempos que nos são adversos , torna-se ridículo. Daí que não consigo postar aqui seja o que for. A minha dor pelas circunstâncias é de tal forma imensa que me impede de falar...
Mas hoje, a Gaivota, deu-me asas. Asas de voar. Asas de aspirar a algo mais alto.

Mais uma vez vos peço desculpa por ter desaparecido, mas há coisas que nem a razão pode explicar que me mantiveram afastada. Quando a dor é demasiado, a mente e o corpo afastam-se... É este o caso.
Olá, malta

Atendendo às circunstâncias em que vivemos, penso que seja oportuno colocar aqui uma letra e canção de outros tempos. A malta da minha idade de certeza que se comove com a letra e música disto. Vá, força...


Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"Quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.
Somos um povo
que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Letra e música Ermelinda