segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Momento de poesia

«A M.C.

No Céu, se existe um céu para quem chora,
Céu para as mágoas de quem sofre tanto...
Se é lá do amor o foco, puro e santo,
Chama que brilha, mas que não devora...

No Céu, se uma alma nesse espaço mora,
Que a prece escuta e enxuga o nosso pranto...
Se há pai, que estenda sobre nós o manto
Do amor piedoso... que não sinto agora...

No Céu, ó virgem! findarão meus males:
Hei de lá renascer, eu que pareço
Aqui ter só nascido para dores.

Ali, ó lírio dos celestes vales!
Tendo seu fim, terão seu começo,
Para não mais findar nossos amores.»

Antero de Quental, Sonetos

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