Hoje vou falar-vos de um superministro chamado Miguel Relvas. Este ilustríssimo ministro nasceu no ano de 1961. Três anos depois nasci eu. Se estiverem interessados na sua biografia apresento-vos aqui o link de todo o historial de tal ilustre figura: http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Relvas. Acedam e ficarão totalmente elucidados quanto às capacidades académicas e culturais de tal célebre figura que faz parte do nosso figurino governamental e além disso tem dossiês tão importantes como privatização dos órgãos de comunicação social, ordenamento do território e muitos mais...
Vou tratar primeiro da privatização versus venda ao desbarato, provavelmente aos angolanos ou chineses, dos órgãos de comunicação social. Como todos sabem a RTP é uma televisão pública que tem vários canais, um deles a RTP 2, que, pelos vistos, vai ser vendido. Ora se há canal com mais serviço público é o da RTP 2. Ontem ouvi uma notícia que me pôs em estado de choque!
Eu sou aquilo a que vulgarmente se chama um rato de biblioteca, ou uma formiguinha, que colhe e busca incessantemente por programas culturais, livros, leitura de jornais e revistas culturais, cujos temas foquem a literatura e artes. O programa «Câmara Clara» ao domingo à noite era uma das minhas fontes de informação e enriquecimento. Ao domingo à noite, na minha opinião, não há um único canal que passe nada de interesse, pelo menos para mim. E a RTP 2 ao domingo à noite era uma lufada de ar fresco nesta pobreza de programas que preenchem todo o fim de semana. Quantas vezes recorri a este canal também ao sábado à noite, porque nada mais vi de interesse noutros, e tenho televisão por cabo com mais de 200 canais...
É claro que poderão dizer: «A culpa é tua, porque não tens um programa ao fim de semana com os amigos, filhos, etc. etc.» Pois, não tenho e como tal recorro ao quadrado mágico. Que de mágico nada tem. E agora, depois disto, a que fonte irei beber e saciar a minha sede de cultura? Como hei de passar as minhas monótonas noites de sábado e domingo? A ver telenovelas? A ver a Casa dos Segredos? A dar com a cabeça nas paredes?
Eu tenho dois cursos superiores (um na área das humanidades e outro na área das engenharias) e uma pós-graduação que me custaram anos de vida e de estudo profundo e intenso. Infelizmente, não consegui umas equivalências mágicas que me deram as licenciaturas magicamente, tipo «trigo limpo, farinha Amparo» ou nem tão-pouco todas as minhas habilitações académicas não me saíram num pacote de detergente ou numa «raspadinha», ao contrário de outros que agora até têm o poder de decidir aquilo que vendem e o que não vendem sem perceberem patavina do que estão a fazer e se estão nas tintas para o mal que fazem aos cidadãos que lutaram, e ainda lutam, por um emprego ou trabalho decente na área que têm habilitações académicas e se esforçaram para o ter, porque estudaram muito para o conseguir.
Se isto se passa ao nível de um canal de televisão, o que não será no resto!!
Vamos agora deixar o meu mal-estar quanto ao meu canal preferido e passar a outro que também me é caro: o ordenamento do território. É evidente que não há um elemento do grupo que nos governa que quer ir contra os poderes instalados. Não têm coragem para tal e portanto vão eliminar uma série de freguesias, porque é mais fácil. A começar a «purga» que seja sempre pela plebe e pelas minorias. Dá mais jeito, é mais fácil e não provoca engulhos. Afinal, a população é algo menor e dispensável.
A noção de freguesia é anterior à nacionalidade portuguesa, na forma que a conhecemos atualmente. O vocábulo «freguesia» remonta ao século XIII e significa o seguinte: «agrupamento, conjunto de fregueses de uma determinada paróquia ou freguesia». Quando o antiquíssimo Condado Portucalense começava a dar os primeiros passos na sua expansão, foi fundamental a o auxílio da Igreja Católica com a construção de igrejas ou capelas. Na Idade Média, as populações construíam as suas habitações em redor de uma igreja ou capela, construíam as suas oficinas, cultivavam as suas hortas, vendiam os seus produtos. Em períodos de guerra, as igrejas, com as suas paredes grossas, as suas portas pesadas e janelas tipo fendas, constituíam autênticas fortalezas na defesa das suas populações que residiam em locais afastados do poder central. O rei mantinha o poder numa cidade, mas a maior parte das vezes as escaramuças davam-se longe das cidades. E povo tinha de se esconder e defender o seu território longe do sítio onde estava o rei. Foi assim, em linhas gerais, que nasceram as freguesias.
Os concelhos são divisões administrativas, tal como as freguesias, mas estas últimas representam o elo menor desta divisão. Ao longo dos séculos da nossa nacionalidade os concelhos não tiveram um papel tão determinante na consolidação do reino de Portugal como as freguesias o tiveram, mas sim estiveram sempre ao sabor e interesses do poder central.
Posto isto, o que vai fazer o poder central? Eliminar as nossas raízes e manter o poder central com as suas ramificações danosas por todo o território. Porque não aglutinar os concelhos? A divisão administrativa dos concelhos em Portugal tem, aproximadamente, duzentos (200!!!!!) anos. Meus caros e caras leitore@s, desde há mais de 200 anos não se mexeu num cabelo desta divisão administrativa, pelo contrário, até se aumentou o número de concelhos, alguns bastante pequenos até, apenas para dar mais uns cargos políticos aos amigalhaços, cujo vencimento é pago por todos nós.
Têm automóvel, pago por nós!
Combustível, pago por nós!
Ajudas de custo, pagas por nós!
Protagonismo!
E, quando esgotam os seus mandatos, ainda vão ter emprego garantido num outro tacho ou panela algures, pago, claro está, por todos os contribuintes!
Porque se parte da eliminação do elo mais fraco e mais, do elo que menos dinheiro gasta do erário público? Porque dá jeito, porque não querem nem desejam ir contra os interesses instalados e porque quem está à frente deste dossiê não percebe nem sabe nada de história de Portugal. e se está nas tintas para todos nós. É um português por acidente.
DIXI

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