O que um livro pode fazer por nós. Desperta os nossos cinco sentidos: o do tato, quando o temos na mão e o sentimos; o do olfato no momento em que o cheiro do papel chega às nossas narinas; o da visão, porque o olhamos; o da audição, porque ouvimos o que ele tem para nos dizer e quais são os segredos que iremos desvendar; e por fim o do paladar, quando saboreamos, tal como um vinho de alta qualidade ou refeição gourmet ou cozinha de autor, as palavras, as frases, os diálogos.
É esta combinação de nós com o livro que é tão fascinante e tão apaixonante. Uma vida sem livros e sem leitura é tão sensaborona como um jardim sem flores, sem o chilrear de pássaros. Quem passa pela vida sem a companhia quotidiana de um livro, passa sem a viver; desconhece as maravilhas que um livro, um pequeno objeto que transportamos de um lado para o outro facilmente, que quando o abrimos e começamos a olhar as páginas e a ler, somos imediatamente transportados para mundos distantes, entramos e descobrimos figuras iguais a nós, umas, outras diametralmente opostas. Um livro permite a evasão das nossas angústias diárias, das nossas tristezas e, porque não, também, das nossas alegrias. Pegamos num livro de acordo com a nossa disposição do momento. É por isto que eu leio vários livros ao mesmo tempo: ora pego num ou noutro de acordo com a minha disposição de momento. Mas o que eu gosto mais é de revisitar livros já lidos. Voltar a casa de personagens minhas amigas, voltar a sentar-me nos seus sofás, voltar a tomar chá com elas, partilhar os seus desgostos, as suas alegrias. Ouvi-las novamente a falar comigo. Que ninguém diga que ler é um ato solitário, porque me recuso a aceitar tal opinião.

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