terça-feira, 21 de agosto de 2012

Às mães de Portugal

«Ó mães doloridas, celestiais,
Misericordiosas,
Ó mães d'olhos benditos, liriais,
Ó mães piedosas,

Calai as vossas mágoas, vossas dores!
Longe da crua guerra
Vossos filhos defendem, vencedores,
A nossa linda terra!

E se eles defendem a bandeira
Da terra que adorais,
Onde viram um dia a luz primeira
Ó mães, porque chorais?

Uma lágrima triste, agora é
Cobardia, fraqueza!
Nos campos de batalha cai de pé
A alma portuguesa!

Pela terra de estrelas e tomilhos,
De sol, e de luar,
Deixai ir combater os vossos filhos
Ao longe, heróis do mar!

Dum português bendito, sem igual
Eu sigo o mesmo trilho:
Por cada pedra deste Portugal
Eu arriscava um filho!

Por isso ó mães doridas, pelo leito
De morte, onde ajoelhais,
Esmagai a vossa dor dentro do peito,
Ó mães não choreis mais!

A pátria rouba os filhos, mas é mãe,
A mãe de todos nós.
Direito de a trair não tem ninguém,
Ó mães, nem sequer vós!»

Florbela Espanca, Obra Poética, vol. II, Editorial Presença

Este poema foi escrito em honra dos soldados portugueses que lutaram bravamente em terras de França durante a Primeira Guerra Mundial. Todavia,  mutatis mutandis (mudando o que deve ser mudado)...

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