Olá amig@s, para este final de noite, nada melhor que mais um poema de Florbela Espanca alusivo à noite. Esta noite de sexta-feira com os termómetros a baterem mais de 24 ºC, pelo menos por aqui, de janela aberta, por onde entra uma brisa suave que traz até mim o canto das cigarras. Uma noite estival como esta encanta, dá-nos paz, enche-nos o coração de tranquilidade e pacatez.
«Noitinha
A noite sobre nós de debruçou...
Minha alma ajoelha, põe as mãos e ora!
O luar, pelas colinas, nesta hora,
É água dum gomil que se entornou...
Não sei quem tanta pérola espalhou!
Murmura alguém pelas quebradas fora...
Flores do campo, humildes, mesmo agora,
A noite os olhos brandos lhes fechou...
Fumo beijando o colmo dos casais...
Serenidade idílica das fontes,
E a voz dos rouxinóis nos salgueirais...
Tranquilidade... calma... anoitecer...
Num êxtase, eu escuto pelos montes
O coração das pedras a bater...»
Florbela Espanca, Sonetos

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